Webinário fala da educação remota e impacto no futuro

Porvir convida pesquisador da Universidade de Columbia para abordar o impacto na educação brasileira com a pandemia do coronavírus, COVID-19.

Foto de criança com fone e assistindo aula no notebook. Ele está em mesa da sala da casa.
Na próxima terça (28/4), Porvir promoverá webinário Como sua escola está se preparando para a volta às aulas? às 14h30. (crédito da imagem: Sondem/AdobeStock)

O webinário A Educação Remota e o Impacto no Futuro, com o professor Paulo Blikstein, da Universidade de Columbia (EUA), organizado por Porvir na tarde de hoje (24/04), tem como ponto central a reação da educação brasileira com a pandemia do coronavírus, o uso da tecnologia na educação e os impactos futuros da suspensão das aulas ao aprendizado de milhões de alunos.

O pesquisador pontua que é importante as escolas pegarem os currículos escolares e avaliarem se realmente é necessário todo conteúdo para manter a crianças engajada. “O importante não é dar conteúdo. Mas sentir que a criança aprende e vê sentido. Fazer projetos e desafios dentro da casa, mostrando como ela pode usar os produtos de limpeza, cuidar das plantas, ou ajudar os pais, por exemplo. Até ela reconhecer a história de sua família a mantém engajada, sem transformar o conteúdo de forma opressiva”.

Ele ainda avalia que após essa crise o tema da tecnologia na educação e qual educação o país quer irão ganhar destaque. “Tecnologia na educação não é somente internet de banda larga, mas inclui formação dos docentes e outros profissionais envolvidos, uso pedagógico e formação de gestores públicos desse segmento”. O pesquisador ainda defende que o gestor público de educação precisa ter formação nessa área para fazer as escolhas mais adequadas.

“Precisamos formar nossos gestores e ter tempo de formação dos professores sobre como usar a tecnologia. Além disso, temos uma questão da privacidade e há empresas coletando dados de alunos sem grandes preocupações e não existe controle público sobre isso”, atenta Paulo.

O pesquisador ainda analisa que essa “pausa” pode ser usada para pensar e descentralizar a educação focada em testes, avaliações, rankings e métricas numéricas. “Elas são importantes, mas estamos usando de forma exagerada. Nem tudo que é importante pode ser medido em testes”.

A formação do professor também é outro ponto comentado. “Ele é um intelectual e precisa ter acesso sobre como manusear da melhor forma a tecnologia”.

Paulo ressalta que a escola precisa se preparar ao retorno desses alunos e docentes. O momento pede empatia e cuidado. A escola pode contribuir reconhecendo esse trauma e ajudando as famílias nesse processo. “O começo das minhas aulas usei para saber como estavam meus alunos, alguns tinham voltado ao seu país de origem, outros estavam em quarentena dentro de seu país. Todos estão sofrendo e ter empatia e cuidado com o outro é bem importante, mais do que dar o conteúdo”.

O educador finaliza o webinário falando de Paulo Freire e sua contribuição na educação mundial. “O educador ensinou a ler e escrever 300 adultos em 40 horas. Ele criou um método revolucionário de alfabetização, baseado na cultura brasileira e nos recursos que ele tinha”, lembra e acredita que a atual geração pode repensar um novo jeito de educar, com seu talento, a cultura e toda experiência para reconquistar o sonho da educação brasileira.

Para assistir o webinário na íntegra, acesse aqui no Youtube do Porvir: https://www.youtube.com/watch?v=OfzW8e329qA