Webinar esclarece sobre doações a OSCs

Atividade virtual esclarece principais dúvidas para captadores de recursos de organizações.

O Brasil está em 75º de 139 países avaliados no ranking de nacionalidades que possuem uma cultura de doação. Esse dado foi extraído no World Giving Index 2017, um estudo global anual promovido pela Charities Aid Foundation que mede o nível de solidariedade das nações. “O Brasil precisa melhorar muito no quesito ato de doar e isso diz respeito à doação de tempo e dinheiro. O Brasil está atrás de países que tem uma economia muito menor que a nossa como por exemplo o Myanmar”, pontua Giuliano Soares, especialista em marketing digital e diretor de planejamento da Nossa Causa- Agência de Transformação Social, promoveu um webinar sobre captação de recursos para Organizações da Sociedade Civil (OSCs) na última quinta-feira (22 de fevereiro), realizado pela Nossa Causa e Trackmob.

O palestrante abordou os seguintes temas: cultura de doação no Brasil; a cultura da captação de recursos; a comunicação com o doador; a jornada do doador e como reter doadores. Ele apontou a corrupção como a principal influência negativa na cultura de doação.

Sobre cultura da doação, Giuliano comenta que é um assunto impactado por questões políticas, econômicas e sociais e isso afeta diretamente renda, educação, mobilidade, segurança, incentivos e economia. “Nós captadores precisamos incentivar a doação de pessoas físicas, as três formas de trabalhar esse tema são: confiança, acesso fácil à doação e sensibilidade à causa. É necessário mostrar para o doador o impacto da causa para que então ele possa defendê-la. Um site precisa possuir uma aba de transparência, pois ajuda a convencê-lo a doar”, diz Guliano.

As oportunidades de captação estão em todos os lugares e não necessariamente é uma responsabilidade única do captador. O ideal é promover eventos. Por exemplo, no seu aniversário, o palestrante sugere que que as pessoas façam doações para uma causa social. Todos precisam captar doação, tanto os voluntários quanto o presidente.

É preciso treinar a forma de abordagem, pois isso influencia a doação. Todos devem conhecer profundamente a missão, a visão e os valores da organização de forma suscita. A captação de indivíduos começa de dentro para fora, abordar desconhecidos não é muito efetivo. Existe a regra dos sete no inbound marketing, em que prevê impacto pelo menos sete vezes para então tomar uma atitude a respeito do assunto.  “Primeiro você deve impactar pessoas próximas”, ressalta o Giuliano.

Existem duas formas de se comunicar com o doador comunicação, a primeira é a velha comunicação: robotizada, na qual pouca formação é oferecida, força o interesse e exibe muita promoção. Já a nova comunicação é humanizada, transmite muita informação, tem formação, provoca o interesse e tem pouca promoção.

Hoje o doador tem muita informação e ele é impactado de todas as maneiras. Toda ação promovida pela organização precisa ter a finalidade de captação de recursos, nem que seja ao menos os dados estratégicos para daqui há alguns meses criar um perfil do doador ideal.

“É a experiência que a organização vai proporcionar ao doador e essa é a grande sacada da organização. Ele vai descobrir a sua organização, ou seja, tomar o conhecimento; no próximo passo eles vão reconhecer o problema; considerar uma solução e por fim decidir se vai ou não realizar a doação. É preciso mostrar para a pessoa que ela pode fazer parte da solução e ser os protagonistas desta ação. Quando a pessoa se sente parte da causa ela resolve doador tempo para a causa e isso vai depender das boas estratégias de comunicação adotadas pela organização”, comenta o representante da Trackmob.

O palestrante ainda explica que o doador passa por quatro fases: 1º) visitante (você ainda não conhece a pessoa), 2º) leads (você tem os dados da pessoa), 3º) oportunidades (com os dados você pode convidar a pessoa para conhecer o projeto e a organização) e 4º) doadores (com todas essas informações, a pessoa pode se interessar pela sua causa e tornar-se um doador). Quando as pessoas estão engajadas com a sua causa a probabilidade de doação é maior.

O palestrante esclareceu que todos os profissionais envolvidos na captação fazem parte dos custos. Depois que o doador está engajado é preciso torná-lo um fã e isso se dá através de um relacionamento estreito e transparente.

Ao final da conversa, Guiliano compartilha algumas dicas que as organizações podem adotar para se relacionarem com os doadores, que são: deixar claro qual é a sua causa e o impacto gerado; não esquecer do doador se relacionar com ele através da prestação de contas; faça um e-mail humanizado e personalizado para o doador; a partir do momento que o doador entrou você pode criar um e-mail personalizado especificamente para ele; promova eventos com os doadores; e ofereça algo em troca por exemplo montar um kit com camiseta, adesivo, cartilha com a causa.

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