Márcia Tiburi e Wagner Moura falam sobre a importância do diálogo

Ator recorda-se da sua infância e de sua formação profissional

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Ator fala sobre a importância do diálogo

“Quando falamos sobre o acesso à educação no Brasil, entendo que é uma luta que vale a pena. Eu prezo pelo saber”, pontuou o ator Wagner Moura durante bate papo com a filósofa Márcia Tiburi no evento Diálogos Contemporâneos, promovido pelo Senac Lapa Scipião em 23 de junho.

Questionado sobre como ele se define, disse que a primeira coisa que vem a sua mente é Carlos Marighella, preso político durante a ditatura militar no Brasil e tema do primeiro filme dirigido por Wagner. “Sempre que perguntavam a Marighella sobre si ele respondia: eu sou um mulato baiano. Salvador diz muito sobre mim”.

Wagner falou sobre sua infância e o pai militar que carregava o sonho de vê-lo formado em direito, medicina ou engenharia – carreiras que, de acordo com ele, a família considerava de sucesso. “Meu pai era aquele nordestino saudoso. Sargento da aeronáutica, ele saiu do sertão com 17 anos no pau de arara em busca de uma vida melhor. Ele tinha uma fome intelectual muito grande para um jovem dentro de uma realidade dura como a dele”.
Ressaltou nos pais o esforço para que os filhos entrassem em ambientes onde tradicionalmente um menino pobre não entra no Brasil.

O ator, que é formado em jornalismo pela Universidade Federal da Bahia, revelou estar em constante busca pelo conhecimento. Enfatizou também a atuação de coletivos como a UNEAfro, que articula cursinhos populares nas periferias de São Paulo e destacou a importância dessas ações. “Nós nos deparamos com propostas para reformar o ensino médio, por exemplo, e essas desassociam educação de cultura. Isso não pode acontecer”, apontou. Para ele, os conceitos estudados dentro da graduação serviram para sua construção artística. O projeto promovido pelo coletivo contou com financiamento coletivo no site Catarse, e conseguiu arrecadar mais de R$50 mil reais para arcar com as despesas necessárias para manter a iniciativa durante um ano.

“Hoje em dia eu tenho certeza que faço as coisas para aprender. Não existe nenhuma outra razão para entrar em um projeto se não for para melhorar como pessoa e enriquecer meu repertório”, ressaltou Wagner. Disse também que vê em cada um de seus personagens como uma parte da sua própria personalidade. “Até quando eu faço papéis como Pablo Escobar consigo me enxergar. Pablo era pai, amava os filhos, jogava bola e acima de tudo era um ser humano”.

Para interpretar o protagonista da série Narcos, Wagner contou que passou meses morando e estudando na Colômbia. “Os personagens ficam marcados de várias formas. Eu li sobre toda a história moderna da Colômbia toda. Foi fantástico, me deu uma sensação de pertencimento sobre a cultura da América Latina, que é tão rica”. Em diversas vezes pontuou sobre como os atores se envolvem nas cenas. “É muito comum gravar uma tomada muito intensa sair tremendo, por exemplo. O papel termina ali, mas o subconsciente ainda não entende essa mensagem”.

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Ator recorda-se da sua infância e de sua formação profissional

Ao final da palestra o público pôde fazer perguntas aos palestrantes. A maioria delas foi sobre o contexto político que o Brasil se encontra hoje. Para Márcia, o debate sobre corrupção tem sido tratado de maneira midiática e sensacionalista. “Precisamos falar sobre educação. Eu faço questão de enfatizar que sou professora de filosofia e acho que devemos sempre nos lembrar da importância desta profissão, ainda mais em tempos tão complicados quanto os que vivemos”. Wagner, que acompanhou a ocupação das escolas estaduais no ano de 2015 concordou com a fala da colega, e acrescentou que é importante entender quais as necessidades dos jovens que compõem o ensino público”.

De acordo com a filósofa, o Diálogos Contemporâneos surgiu com o objetivo de ampliar visões sobre diversos assuntos. “Conversar é uma tecnologia política que pode ser usada para as melhores coisas, ideias, obras de arte e grades revoluções. Tudo que há de bom no mundo surge porque existem boas conversas. Diálogo é algo um pouco mais profundo, não precisa acontecer porque as pessoas conversaram fisicamente, mas porque se sentiram sensibilizadas”. Ressaltou também a importância de levar os diálogos para dentro dos ambientes educacionais.

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Crédito do texto: Gabriela Lira Bertolo