Videocamp dissemina produções engajadas e contribui com produtor dos filmes em sua distribuição e até na organização de exibições e debates

14653Usar o cinema como ferramenta de transformação social foi uma das premissas da equipe do Instituto Alana na hora de desenvolver e lançar a plataforma Videocamp. Após as produções Criança – A Alma do Negócio, Muito Além do Peso e Tarja Branca, a organização observou a repercussão dos documentários e a necessidade de registrar e articular mais os debates sobre os temas abordados. Assim nasceu a plataforma, com o objetivo de reunir filmes transformadores e com impacto profundo e abertos a maneiras alternativas de distribuição.

Pensando em possibilidades de mobilização, a equipe do Alana pensou em uma plataforma que oferecesse mais recursos, além da própria distribuição do filme. “Antes não conseguíamos saber o número exato de pessoas que assistiram o filme”, comentou Carolina Pasquali, diretora de comunicação do Instituto Alana.

14652O filme Criança – A Alma do Negócio funcionou como uma produção no formato cine debate com um profissional da organização para fomentar o debate sobre o tema abordado. “Começamos indo aos debates e depois pensamos em como fomentar isso a distância e gravar os vídeos com questões norteadoras. Durante a produção do filme Muito Além do Peso, fizemos parceria com a Rede Brazucah. Clique aqui para ler notícia no Setor3 sobre o trabalho deles: http://goo.gl/vK8OUb

Lançado em março de 2015, a plataforma passou por uma reformulação para atender melhor os produtores e os interessados por essas produções audiovisuais.  On-line e gratuita, a Videocamp divulga produções que emocionam, impactam e promovem o público e até indicam caminhos. Também traz formas alternativas de distribuição. Atende o produtor do filme, por aumentar o público de sua obra, quanto o espectador, que acessa um conteúdo de qualidade para ampliar sua visão sobre determinados assuntos.
Durante todo o ano de 2014, a equipe da organização desenvolveu a plataforma e depois passou por outra reformulação de março a dezembro do ano passado.

Entenderam melhor as necessidades de produtores e do próprio mercado audiovisual. Os filmes em geral são da área de educação e defesa de direitos humanos, como causa indígena, infância, discussão de gênero e racismo, entre outros. “Esses filmes não perdem a validade e são importantes para serem debatidos pela sociedade. Por isso precisa trazer essa estratégia de mobilização junto com essas produções para não esfriar, assim que sair do cinema”, atentou Carolina.

“Quando você cadastra lá na plataforma, cadastra um cartaz para que a pessoa que está na exibição coloque os dados dela na produção, seus próprios extras, todo material que deseja divulgar, como sinapse e até campanhas de crowdfunding”, explicou Carolina. A diretora de comunicação do Instituto Alana falou ainda que a plataforma possibilita o produtor subir todo esse conteúdo e até em três idiomas. “Nós não queremos ser uma voz única. Temos algumas regras para ‘barrar’ algumas obras, não há limite de duração da produção, mas não pode incitar o ódio, ser racista, nem ferir os direitos humanos”, esclareceu.

Para abastecer com produções interessantes, uma equipe de curadores do Instituto Alana reúne conteúdos e produções. Atualmente são cerca de 140 filmes, sendo 74 cadastrados pelos detentores de direito e 61 registrados via curadoria da plataforma e quatro pela equipe do ÉNois. A plataforma oferece canais de comunicação fortes e alinhados com coletivos, movimentos e organizações da sociedade civil em escolas e nas redes públicas. Também ocupa espaços de exibição alternativos e se fazem presentes em debates e lançamentos. Os produtores têm acesso aos números relativos à audiência e também podem se comunicar diretamente com aqueles que organizam exibições de seus filmes.

O produtor pode incluir sua obra na plataforma. Basta fazer seu login. Não precisa ceder os direitos de seu filme, apenas subir num link exclusivo para o Vimeo para disponibilizar via streaming e download. “A ideia é que o produtor libere o download para aqueles locais em que o filme não segura a transmissão via internet. Ele também é responsável por subir todas as informações relacionadas com sua obra. Depois vem o exibidor, ele entra em contato e irá dizer onde vai ser, quanto e para quantas pessoas. O sistema recebe e libera dois dias antes com uma própria senha. O produtor pode também pedir apoio para divulgarmos suas exibições. O produtor entra na plataforma e consegue ver quem assistiu, as fotos das sessões. Se ele quer conversar direto com exibidor, ele fala e gerencia um pouco essa exibição automaticamente na plataforma sem passar por nós”.

O Território do Brincar foi um dos mais vistos, com um público de seis mil espectadores, com 1250 exibições para um público de 55 mil pessoas. Renata Meirelles, diretor desse documentário, disse que a plataforma permite um acesso a diferentes pontos do país e do mundo. “O cenário para um produtor de filmes no Brasil não é tão amigável. Ainda mais com uma produção com linguagem poética”. Sua obra foi exibida em 555 municípios brasileiros, incluindo regiões sem salas de cinema.

“Democratiza o conteúdo em um caráter nacional. É bem interessante essa curadoria de filmes que visa uma transformação social e fazer parte desse rol de produtores com produções de novas perspectivas do cinema e até contribuir para um movimento nesse segmento”, opinou Renata.

Uma novidade é que amanhã (5 de maio) a plataforma irá disponibilizar exibições públicas e gratuitas o filmeO Começo da Vida nas cidades em que o filme não estará em cartaz nos cinemas. Todos os filmes liberados para exibição pública e gratuita no Videocamp exigem um público mínimo de cinco pessoas. “É um filme bem grande e com vários parceiros. Dublado em seis idiomas, será lançado globalmente”.

Além do produtor, há outro tipo de cadastro personalizado: o de educador. Lá o profissional pode registrar a atividade que fará com sua turma. “Agora com a Lei do Audiovisual na sala de aula, pensamos que pode contribuir para esse profissional entender melhor como está sendo trabalhado essas obras por outros colegas”, afirmou Carolina.

Carolina ainda comenta que a plataforma oferece um leque de opções para disseminar as obras e por aproximar o espectador do produtor do filme. “Estamos nesse movimento de expansão e consolidação de audiência para que ele fique mais interessante. Queremos mais números de produtoras cadastradas”.


Serviço:

Acesse e conheça o Videocamp: http://www.videocamp.com/pt

Imagens: Divulgação
Data original de publicação: 04/05/2016