Valores femininos e sustentabilidade são temas de encontro na Amcham-SP

Hélio Mattar, do Instituto Akatu, iniciou o debate (Crédito da imagem: Milton Mansilha)

“Há dois anos a Unilever convidou quatro empreendedores sociais para apresentar seus casos: duas empresas normais e dois negócios sociais. Todos começaram suas apresentações iguais, falando do que se tratava os negócios e passavam imediatamente a fazer momentos de dificuldades que aqueles empreendedores. Há poucos espaços de alegria, ao mesmo tempo não tem para ficarem tristes. Compartilhar alegrias também é complicado, porque as pessoas sentem inveja. Essas mulheres (empoderadas) não tiveram dificuldades de dividir suor, angústias, medos e alegrias e sucesso. Ficou claro que elas podiam replicar seus próprios valores como bem entendessem. Naquela ocasião, a Unilever celebrava 49% da liderança em mãos femininas”. Essa recordação foi a primeira parte da fala de Hélio Mattar, diretor presidente do Instituto Akatu, foi um dos participantes do encontro A Sustentabilidade e os Valores Femininos no IV Encontro de Sustentabilidade na Amcham São Paulo na zona sul da capital paulista. Esse encontro foi realizado pela Amcham Brasil e Estadão e com patrocínio de Senac São Paulo e John Richard Aluguel de Imóveis.

A ideia do encontro foi ressaltar a importância de valores femininos nos negócios sustentáveis. Participaram desse encontro: Regina Madalozzo, economista e professora do Instituto Insper; Fernando Signorini, diretor de operações para a América Latina e Sponsar do WIN (Rede de Diversidade Feminina) e Iêda Novais, presidenta da Rede de Mulheres Brasileiras Líderes pela Sustentabilidade.

Para o empresário, os valores que prevalecem nas empresas são masculinos e não são equilibrados com os valores femininos. “Os homens praticam menos”, disse. E qual relação disso com a sustentabilidade? “A gente tende a olhar para as questões ambientais e sociais buscando fazer o que é melhor o que as empresas já fazem reduzir o impacto positivo. Em geral, alguns impactos sociais são positivos”, respondeu Hélio.

Professora da Insper citou estudos para mostrar diferença entre homens e mulheres (Crédito da imagem: Milton Mansilha)

“A gente podia dizer que a sustentabilidade é se preocupar com os outros”, ressaltou Hélio. O empresário ainda disse que as mulheres têm a característica da empatia. O ideal em sua análise é uma empresa ter 50% de seus colaboradores do sexo feminino e 50% do sexo masculino. Também citou o aplicativo que calcula o número de vezes que uma mulher é interrompida numa reunião e a diferença do número de vezes interrompida dos homens: o Woman Interrupted (http://www.womaninterruptedapp.com/en/).

Hélio ainda comentou que as posições de liderança são marcadas por homens. Não necessariamente quando as empresas dividem a quantidade de homens e mulheres significa que irão valorizar os valores femininos. E deixou ao público as seguintes perguntas: “Qual seria a condição de empoderamento dos valores femininos, a partir da empatia? Fosse real dentro das empresas? Qual seria a real condição para isso ocorrer? Hélio respondeu: “Com mais mulheres nas empresas, de modo geral, as mulheres se masculinizam e não levam valores femininos para as empresas”.

O diretor do Instituto Akatu alertou a taxa de aumento de consumo: 60% do que o mundo é capaz de produzir. Um bilhão e meio entram no mercado de massa e para isso precisa de quatro planetas e meio. Ele defendeu que as grandes empresas precisariam investir nas unidades de negócios à parte na área de tecnologia. E para ele, mulheres empoderadas com seus valores femininos são fundamentais para a diversidade dentro dessas organizações.

Já a professora da Insper iniciou sua apresentação com um estudo americano feito pelas pesquisadoras Brian, Leslie e Cimpam, de 2017, com crianças de cinco, seis e sete anos de idade. As perguntas eram para saber qual pessoa eles achavam que era esperta e entregava as tarefas dentro do prazo. Para isso, tinham quatro bonecos vestidos iguais, sendo dois homens e duas mulheres. O resultado foi que os meninos são classificados como espertos e as meninas são legais, elas em geral se preocupam como você está.
A economista pontuou que os próprios homens precisam comprar essa briga juntos. Citou a licença paternidade ser estendida nas organizações e até as próprias mulheres defenderem esse assunto. “As mulheres querem alguém para compartilhar responsabilidades”, enfatizou.

Fernando Signorini atua na área de inclusão e ele comentou comportamentos simples e até complexos que mudou para tentar ser um gestor mais inclusivo. Ele ainda compartilhou que há dois grupos com mentores se tem barreira para o desenvolvimento das mulheres. 38% desses mentores disseram que tem gerado resultados. Esses profissionais estão dentro das empresas para dar conselhos e ouvir, ajudar a quebrar barreiras. Isso tem gerado bastante resultado.

“É importante trazer os homens para essa discussão e começar o engajamento deles. Nós fizemos um encontro com homens e convidamos 120 homens, só foram 20 e conversaram abertamente durante duas horas”, compartilhou e ainda ressaltou a importância desses que participaram disseminar o conteúdo que foi debatido.

Iêda Novais lembrou que ajudou a levar propostas afirmativas para a Rio +20 no Programa das Nações Unidas e entregou para a ministra Isabela Teixeira, ministra do meio ambiente na época. Nessa ocasião, estavam 400 mulheres presentes em todo Brasil neste encontro. A presidenta da Rede de Mulheres Brasileiras Líderes explicou que esse grupo pretende mobilizar mulheres líderes que atuam empresas públicas e privadas e até organizações governamentais ou multilaterais interessadas nas questões de gênero e da sustentabilidade.

Iêda recordou do documento Plataforma 20 (Crédito da imagem:Milton Mansilha)

Ela comentou que esse documento construído pela Rede trouxe três grandes temas: 1º) empoderamento das mulheres; 2º) empreendedorismo verde; e 3º) consumo sustentável.
Ela comentou que a Rede articula a questão da mentoria e não há exemplos femininos. Em geral, são exemplos de mulheres que chegaram ao topo e incorporam os valores das empresas. “Somos ativos para as empresas bem desenvolvidas”, esclareceu.

Para ela, é essencial trazer o assunto feminino junto com o masculino. Ela citou um estudo recente que prevê demorar 100 anos para ter reconhecimento nas políticas públicas. Para combater isso, ela defende e atua mulheres ocuparem posições em cargos em conselhos de organizações públicas, privadas e mistas.


Crédito das imagens: Milton Mansilha