UMAPAZ promove discussão sobre a história do movimento ambientalista no Brasil

15966251_1633249700316628_3361859341714842151_nAté a década de 70, pouco se falava sobre sustentabilidade. Hoje, é uma das pautas mais discutidas ao redor do mundo. Pensando nisso, a Universidade Aberta do Meio Ambiente e Cultura de Paz, conhecida como UMAPAZ, do Departamento de Educação Ambiental da Prefeitura de São Paulo, promoveu no dia 19 de janeiro a palestra História Do Movimento Ambientalista no Brasil. O encontro aconteceu na sede da instituição, localizada dentro do Parque do Ibirapuera.

De acordo com os palestrantes, o início do movimento ambientalista não tem uma data específica, mas sabe-se que foi durante o século XIX, na Grã Bretanha. “Figuras como Charles Darwin foram importantes durante o processo de construção do movimento”, pontuou Gabriel Mantelli, que é graduando em direito na Universidade de São Paulo e foi um dos mediadores da conversa. Nos Estados Unidos, um marco importante foi a construção do Parque Nacional de Yellowstone, em 1872.

Em 1909, Paris, aconteceu o I Congresso Internacional De Proteção à Natureza, onde se discutiu a preservação ambiental. Outro marco: em 1949, na cidade de Nova York, foi realizada a Conferência Científica da ONU sobre a Conservação e Reutilização de Resíduos.

“O período pós Segunda Guerra Mundial foi muito relevante. Nele, a população como um todo passou a pensar que o ser humano é capaz de destruir tudo ao seu redor”, disse Caroline Moro, também estudante do Largo São Francisco. É nesta fase que se inicia o interesse de economistas pelo assunto. Importante destacar, também, a Conferencia de Estocolmo, em 1972.

No Brasil

Desde o século XIX era possível ver movimentos pela defesa de espécies de animais e vegetais, além do engajamento na defesa de parques nacionais. Desse período, surgem algumas legislações. São elas: o Código Florestal e o Código de Águas e Minas. Ainda na mesma época, foi criada a Fundação Nacional para Conservação da Natureza.

Carolina conta que, apesar de ter muitos seguidores, o ativismo ambiental não era muito próximo da população de classe média baixa, mas sim das elites. “Isso começou a mudar a partir do momento que seringueiros, sob a liderança de Chico Mendes, começaram a se organizar, a partir dos anos 80”, diz a estudante. O foco principal, aqui, sempre foi conservação e preservação de recursos. Sendo assim, as lutas sociais, de início, eram deixadas de lado. “Por conta disso, surgiu o rótulo elite naturalista”, pontuou Gabriel.

Nos anos 1970, o assunto tornou-se uma pauta política, e começou-se a discutir, no Brasil, o impacto da ação humana no equilibro ecossistêmico. Em 71, figuras importantes como José Lutzemberg, assessor de uma empresa agroquímica europeia e fundador da Associação Protetora do Meio Ambiente Natural (Agapan), fortemente influenciada pela cultura norte-americana, entraram em cena. Em época de ditadura militar, com a volta de ativistas exilados, começou-se a falar de ação não violenta, hoje, adotada por ambientalistas.

Em seguida, 1975, surgiram entidades importantes. O Movimento de Arte e Pensamento Ecológico (Mape), Resistência Ecológica, Associação Catarinense de Preservação da Natureza e Associação Paulista de Proteção Natural (APPN), são exemplos. Esta última, anos depois, serviu como base para a criação da SOS Mata Atlântica.

Destaca-se o ano de 1973 como o começo da relação ambientalistas e órgãos governamentais. Para ilustrar, foi citada a criação da Secretaria Especial do Meio Ambiente (SEMA). Dentre as atividades mais comuns desse período, destacam-se a crítica a fábricas que poluem atmosfera e sistemas hídricos, luta por áreas verdes e também pelas urbanas.

Grandes campanhas também aparecerem após esse momento. As mais conhecidas são a Campanha de Defesa Da Amazônia, Campanha contra a utilização de Energia Nuclear e Adeus Sete Quedas. Algumas delas existem até os dias atuais e como resposta ao desmatamento da floresta Amazônica, em 1989, surgiu o IBAMA.

A preocupação social começou a aparecer, tornando a causa ambiental cada vez mais plural. O resultado foram os movimentos sociais e luta dos povos indígenas. “Movimentos como os Atingidos por Barragens (MAB) e até mesmo o Movimento dos Sem Teto (MST) fazem parte de uma corrente chamada socioambientalismo”, explica Gabriel. Reforma agrária, associações de bairro e até mesmo coletivos feministas fizeram parte desse período. As universidades também participaram, e o incentivo a pesquisas e criação de núcleo de estudos sobre o tema ficou cada vez mais forte.

Hoje, o ciberativismo é a principal forma de mobilização. Grupos como “De Olho Nos Ruralistas” e plataformas de petição on-line, por exemplo o Avaaz, estão entre os mais populares. No Congresso Nacional não é diferente e apenas 12 partidos políticos não tratam de temáticas ambientais. O Partido Verde (PV) é o que levanta mais discussões sobre o assunto, desde sua criação.

Ganhou destaque, também, o discurso feito pelo líder indígena Ailton Krenak, há 27 anos, durante sessão no Congresso. O vídeo pode ser visto na íntegra em: https://goo.gl/SSHrOi

A palestra foi finalizada com os mediadores apresentando instrumentos legais de proteção ambiental, junto ao poder legislativo e judiciário. A sociedade pode entrar com ação civil pública e popular.

Para mais informações sobre eventos promovidos pela UMAPAZ, acesse: http://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/meio_ambiente/umapaz/. As palestras necessitam de inscrição prévia, que também podem ser feitas gratuitamente pelo site da organização.