Transição alimentar é um dos temas da Conferência Ethos 2018

Representantes de várias partes da cadeia da produção do alimento falam sobre a importância de distribuição do alimento feito de forma responsável e sustentável.

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Mesa reúne diferentes atores sociais para falar dos temas importantes da transição alimentar, como desperdício e defesa de produção agroecológica. (crédito da imagem: Susana Samriento

Aprimoramento da qualidade do alimento do campo até o consumidor, esse foi o eixo central do painel Soluções para Transição Alimentar: Aprimorando a Qualidade do Alimento do Campo até o Consumidor na tarde do segundo dia da Conferência Ethos 2018 na Expo Barra Funda na zona oeste de São Paulo.

Edson Lopes, gerente de promoções e eventos do Instituto Ethos, foi mediador da mesa e comentou sobre a importância de repensar essas ações relacionadas como nos alimentamos e como esse sistema ainda gera muito desperdício.

Paulo Pianez, diretor de sustentabilidade e responsabilidade social do Carrefour Brasil, refletiu sobre o que essa situação muda no varejo. Ele afirmou que o Grupo Carrefour é o segundo maior distribuidor de alimentos no mundo. “Estamos observando que a forma como as pessoas estão se relacionando com a comida tem mudado. As pessoas têm questionado como ele é produzido e ao mesmo tempo elas buscam melhor preço, segurança e qualidade que julga adequado. E também a relação com o trabalho escravo”, ressaltou.

Também alertou para a quantidade excessiva de antibióticos no uso médio a longo prazo. Observa que as pessoas estão levando sua própria comida em marmitas. “Temos sim um papel de liderar um movimento nesses 35 países em dar informações e democratizar. Queremos ser líderes na distribuição de alimentos orgânicos, na produção agroecológica e informação ao consumidor. A ideia é controlar a cadeia”, constatou e ainda compartilhou que pretendem distribuir mais alimentos orgânicos e até alterar o jeito de fazer negócio para contribuir com o produtor.

Fabiano Rangel, gerente institucional e de desenvolvimento sustentável na Leão Alimentos e Bebidas, afirmou ainda que o momento obriga a pensar coletivamente e quais seriam preferências alimentares das pessoas. Ele explicou que a indústria é responsável pela produção de sucos, chás e cafés. Falou que atualmente responde pela área institucional, em que atua diretamente com a disponibilidade de alimentos de segurança alimentar (qualidade do produto e o efeito dele no organismo).

O gerente ainda explicou que atualmente as pessoas estão desmitificando o alimento e a empresa trabalha com cerca de 160 mil toneladas de frutas para a produção de suas bebidas. “100% das polpas são investigadas. Trabalhamos com conhecimento e tecnologia”.
Wilbert Zumba, gestor do programa Movimento B e sustentabilidade na Mãe Terra, contou o início da empresa que começou como um restaurante macrobiótico em 1979 e depois se tornou uma empresa de produtos naturais e orgânicos. No final do ano passado, a empresa foi comprada pela Unilever. “É importante democratizar e levar esses produtos para mais pessoas. Por exemplo: castanho de baru. Hoje ele está mais conhecido. E como fazer essa produção de forma industrial para dar acesso a mais pessoas? E com o produtor?”

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Segundo os palestrantes desse painel, as pessoas estão mais atentas com seus alimentos e a origem deles. (crédito da imagem: Andrii Yalanskyi/GettyImages)

O gestor da Mãe Terra ainda chamou atenção que o alimento não pode ser funcional, precisa ser gostoso. Ele ainda explicou sobre o Movimento B dentro da empresa: transformar hábitos que visem cuidar das pessoas e da biodiversidade e discutir temas atuais entre os funcionários da organização. “As pessoas é que fazem a empresa”.

A chef Bel Coelho, idealizadora do Clandestino e apresentadora do Receita de Viagem (TLC Discovery), falou sobre a produção do menu baseado nos biomas do país. A dificuldade que encontrou foi no acesso aos produtos e falta de intimidade com alguns ingredientes. “Não comemos o que é nativo brasileiro. Estamos colocando em extinção produtos nutritivos”, ressaltou e ainda informou que o monocultivo é para o boi e não para a população e 70% do que é consumido pela sociedade vem da agricultura familiar. Afirmou: “Não adianta só o produtor se preocupar, se a gente não se interessar com que comemos. É interessante perguntar ao produtor e, no caso de supermercados, pesquisar os rótulos, sua origem”.

Bel ainda informou que 1/3 do que consumimos vai para o lixo. Se não desperdiçássemos tanto, ajudaria a combater o problema de fome. “Esse é um problema de todos e precisamos assumir nossas responsabilidades”, avisou. Ainda disse que seu papel é divulgar o assunto e falar da importância da produção agroecológica, pesquisar e valorizar a biodiversidade brasileira. “Se nos alimentarmos com produtos nativos, vamos consumir mais nutrientes e cai se tornar mais prático”.

Também comentou sobre a importância de leis que beneficiem produtores agroecológicos e citou o trabalho da Associação de Mulheres Trabalhadoras Rurais do Município de Belterra, um grupo de melhores do Pará que trabalham em roças agroecológicas na produção de castanha do Pará e beneficiam seus produtos, como óleo de café e chocolate. “Esse sistema vai salvar e manter a mata em pé”, defendeu e ainda atentou o público para a transição da agenda de conscientização dos produtos e consumidor atuando na cadeia como um todo. “Hoje em dia estamos muito na ponte de uma transição para uma alimentação mais saudável”.

A última a falar foi Viviane Romero, membro do comitê executivo da Save Food Brasil e gerente da WRI Brasil, comentou sobre o trabalho da rede para evitar o desperdício de alimentos e está alinhado com uma das metas dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODSs). Ainda ressaltou que essa situação ocorre muito na cadeia do varejo e nas residências. No mundo são cerca de 1,3 bilhões de toneladas de alimentos desperdiçadas e 1/3 é perdido ao longo da cadeia. Aqui no Brasil a organização atua focada em: facilitar a logística e na produção local.

A palestrante ainda compartilhou com o público que o Brasil está entre os 10 principais que perde alimentos orgânicos. Segundo pesquisa feita pela Unilever, 62% desperdiçam bons alimentos por negligência. Ela explicou que a organização pretende trazer a metodologia aqui ao Brasil e depois se comprometer a meta de redução com a implementação de uma ação concreta para mensurar o tamanho desse desperdício e verificar se de fato estão sendo implementadas. “Uma das ações é reduzir esse consumo da proteína animal no meio ambiente”, disse.

Conheça aqui o site do evento: https://www.conferenciaethos.org/saopaulo