Sucata de elevadores e escadas rolantes são transformados em instrumentos musicais

Otis contribui a projeto social a crianças, adolescentes e jovens de escolas públicas do país.

Sucata de elevadores e escadas rolantes são transformados em instrumentos musicais
Crédito da imagem Célia Santos

Essa atividade fez parte do programa de responsabilidade social Mover, que possibilita os funcionários da multinacional tornarem-se voluntários. Ao todo, 140 funcionários transformaram a sucata de elevadores em mais de 100 instrumentos musicais, como: carrilhão, gondola, metalofone e matraca. A Otis doou mais de uma tonelada de materiais, como: aço carbono, aço inox, madeira, plástico e corrimão de escada rolante.

A Caravana oferece a professores, educadores, crianças e jovens vivenciarem os elementos da música, da dança, da literatura, das artes plásticas e do teatro para ampliarem o trabalho em sala de aula com os recursos pedagógicos da arte.

A iniciativa recebe incentivo da lei Rouanet, por meio do Ministério da Cultura, atende professores, gestores e alunos de escolas públicas em municípios de várias regiões do Brasil. Promove oficinas com certificação para educadores com a metodologia Viva com Arte, desenvolvida pelo Instituto Mpumalanga. Também oferece oficinas de liderança juvenil em literatura (jovens autores) e atendimento direto de mais de 1.500 crianças em estações de artes e no Cinema da Caravana, com ações de três dias em cada município atendido pelo projeto.

A metodologia Viva com Arte é baseada no entendimento das raízes culturais locais, aprimorar a percepção corporal dos educadores a partir da experimentação e das motivações individuais e coletivas no tripé: pensar-sentir-agir, busca a valorização do conhecimento que a criança traz com ela, visando propiciar sentido, criatividade, afetividade, autoria e felicidade ao processo de aprendizagem.

“Eu queria engajar os voluntários do Brasil inteiro a participar de um projeto de voluntariado e a Caravana se encaixou muito bem nisso”, afirma o presidente da Otis para a América do Sul, Júlio Bellinassi. O engenheiro químico ainda comenta que a grande ideia foi usar a sucata da organização para construir esses instrumentos para crianças que muitas vezes não têm oportunidades para ter contato com esportes, artes e cultura em geral. “Esses materiais iam para o lixo. E, agora pelas mãos dos nossos funcionários se tornam instrumentos musicais para crianças”.

Júlio explica que foram necessários quatro meses para pesquisar uma iniciativa que atendesse todo o Brasil e que envolvesse de fato os voluntários da empresa. Foram avaliados vários projetos e selecionados dois pela Otis: Caravana das Artes e Instituto ProA. Entre os meses de janeiro e março deste ano ocorreu o desenvolvimento do projeto e confecção dos instrumentos. Ele observa que os programas de responsabilidade social precisam ser bem estruturados, com estratégias e bem planejado para engajar os funcionários e eles se sentirem parte da iniciativa.

Sucata de elevadores e escadas rolantes são transformados em instrumentos musicais
Crédito da imagem: Celia Santos

“A realização de oficinas de construção de instrumentos musicais com colaboradores da OTIS revela o comprometimento da empresa com a educação”, segundo Adriana Saldanha, diretora geral da Caravana do Esporte e da Caravana das Artes e gestora do Instituto Mpumalanga. “Funcionários voluntários motivados e dispostos a criar instrumentos com materiais recicláveis, junto com a equipe de professores do Mpumalanga, mostram que oportunidade e acesso à arte podem estar em materiais simples associados à uma metodologia”, completa Adriana.

Ossimar Machado Branco, professor de música e educador do Projeto Caravana das Artes, foi a pessoa responsável por ensinar aos funcionários como confeccionar os instrumentos. Atua há 10 anos na formação musical a professores, crianças e adolescentes. Possui experiência na produção de instrumentos, professor de música, regente e compositor.

O educador musical analisou os instrumentos considerando a prática da sororidade, qualidade sonora e timbre. Também foi pensado na aplicabilidade, segurança para não ficarem pontiagudos para não oferecer riscos para as crianças.  Em geral, os instrumentos são de percussão.

Foram aproximadamente seis meses para ensinar aos grupos de 20 funcionários a construírem esses instrumentos. “Eles colocaram a mão na massa num tipo de trabalho diferente de tudo o que fazem no dia a dia. Alguns se lembraram de seus filhos”, conta. O professor ainda revela que foram de três a quatro turmas, e cada grupo produziu cerca de 50 a 80 instrumentos.

Já com as crianças, os adolescentes e jovens, as oficinas priorizam a prática e dicas de teoria. Primeiro acolhem, depois desenvolvem atividades para sensibilizar o talento rítmico. “Depois apresentamos os instrumentos e como eles podem se concentrar nas batidas para mostrar o que é fraco, forte e longo. No final, o produto musical depende do grupo. Evitamos partituras e notas. A ausência deles inviabiliza a aprendizagem musical”.

O professor explica que o projeto atende 10 cidades por ano. Cerca de 80 crianças em três dias. São dois turnos: um pela manhã e outro à tarde. Cada turma tem uma faixa etária específica e eles trabalham com crianças em turmas de 10 a 12 anos de idade, de 12 a 14 anos.

Já na formação com os professores, a parte teórica é maior do que é repassado para as crianças. “Nós procuramos dar material de fácil acesso e multiplicação”, diz. Na construção de instrumentos ecologicamente corretos, de baixo custo, o professor defende que estimula o desenvolvimento auditivo deles.

Assista aqui vídeos para conhecer mais a iniciativa e os instrumentos:

https://www.youtube.com/watch?v=U8Ic931vXm0

https://www.youtube.com/watch?v=eBAobiKqyAY