Sophie Deram fala sobre alimentação saudável

A nutricionista irá participar do próximo webinar Senac: Comportamento e Alimentação.

Foto Sophie Deram segurando livro O Peso das Dietas.
Sophie afirma que dietas restritivas não fazem bem para a saúde. (Crédito da imagem: divulgação)

Na próxima semana, o Senac São Paulo promove Webinar Senac: Comportamento e Alimentação: tradições, modismos e inovações, marcado para 26 de novembro às 20 horas na plataforma da Eventials. O encontro irá reunir a chef de cozinha Morena Leite e a nutricionista Sophie Deram, com a mediação da Irene Coutinho de Macedo, coordenadora do Bacharelado em Nutrição do Centro Universitário Senac Santo Amaro.

Dessa forma, o bate-papo on-line irá focar em “Comportamento e Alimentação”, além de abordar temas, como: tradições alimentares: alimentação ao longo do tempo e resgate das tradições da gastronomia; modismos: tendências atuais da alimentação e nutrição (o que é moda e o que é evolução); e inovações na alimentação.

Setor3 conversou com Sophie Deram, autora do best-seller do livro O Peso das Dietas e cunhou frases como “comer melhor e não menos”, “dieta engorda” ou “pode comer de tudo, mas não tudo”. Conhecida por se posicionar contra as dietas restritivas e defensora do prazer de comer e do comer consciente (mindful eating). Ela se dedica a inspirar todos a melhorar a sua relação com a comida, resgatando o prazer, os alimentos frescos e in natura e o ato de cozinhar para viver com mais saúde e bem-estar. Atualmente, coordena o projeto de genética do AMBULIM, Ambulatório de Bulimia e Transtornos Alimentares do IPq-FMUSP.

Portal Setor3 – De que forma o comportamento influencia na alimentação?

Sophie Deram- A nutrição focou muito em nutrientes, em quantidades. A nutrição também é o que é, quando, quanto e como. A parte do como não foi estudada e pode ser estudada por psicólogos e sociólogos. Esse como é a parte de emoções. Para entender a quantidade de que ele vai comer, como vai se alimentar, as escolhas que serão feitas, muitas vezes as pessoas querem fazer dietas e cortam comida. Começam o dia super bem e no fim da tarde desconta as emoções em um pacote de bolacha. Na realidade, ela tem um comportamento com que faz que no fim do dia fica menos no controle. Há um comportamento de um comer inconsciente.

Uma coisa que não explicamos antes foi que muitas dietas rígidas são restritivas e podem modificar comportamentos. As pessoas podem ficar com mais apetite e mais vontade de comer. É interessante observar que o tratamento é tão importante quanto o nutriente. Na consulta, eu trabalho primeiro o comportamento do que o nutriente. Justamente por essas questões de perda de controle. Lembrando que o ser humano se nutre de alimentos e sentimentos.

Portal Setor3- Como você mostra isso ao paciente (o mesmo peso de importância comportamento com o nutriente)?

SD-
Na verdade, é bem interessante, porque quando você pergunta ao o que ele come e como ele faz. Ele foca no alimento da alma, o que você sente? Tem perda de controle? E às vezes fica surpreso, porque nunca foi perguntado. Nos meus atendimentos, eu explico um pouco sobre meu livro e conto um pouco mais da minha história. Também falo que é normal não conseguir seguir uma dieta. Quanto mais você quiser controlar tua comida, mais você terá perda de controle.

Muitas vezes o paciente não tem controle, exagera. O risco da nossa sociedade hoje é excesso de informação. As pessoas têm confusão sobre nutrição e uma sensação de comer como algo perigoso, isso é muito triste.

Ilustração de Sophie Deram com balão para três dicas da Sophie: Diga não às dietas restritivas, coma mais alimentos frwscos e caseiros e cozinhe.
Nutricionista defende refeições simples e caseiras. (crédito da imagem: divulgação)

Portal Setor3- Como se dá hoje o resgate das tradições alimentares? Como você analisa esse tema?

SD- Acho fundamental e é a base da alimentação da família brasileira, porque essas modas de dietas distanciaram do básico, do simples. A gente devia ajudar o paciente a voltar para alimentação e temos uma base excelente: arroz, feijão, legumes e carne e salada. É fantástico. Quanto mais focar na comida simples, fresca e caseira, mais ganha na qualidade. A gente complicou com muitas regras.

Portal Setor3- Quais os perigos das ondas da moda com alimentos que podem e não comer na área?

SD- Primeiro vem a confusão o que se deve comer. Se a gente voltar para a época dos nossos avós, comer bem era ter comida na mesa e hoje parece que precisa ser phd em nutrição para se alimentar bem. O perigo é desenvolver transtorno alimentar e a gente vê aqui no AMBULIM o aumento desses casos. Há um estudo americano que avaliou que a prevalência de transtornos dobrou nos últimos três anos.

Portal Setor3 – Para finalizar, qual expectativa para compartilhar sua experiência com a chef Morena Leite?

SD- Dentro de comer bem, é resgatar o ato de cozinhar e acho que trabalhar juntas nutrição e cozinha. É bem importante ter a nutrição com gastronomia, mas não aquela gastronomia gourmet. É importante voltar a cozinhar e comer mais variado e comida caseira.

Finalizo com três dicas: 1) não passar dieta restritiva, 2) comer mais alimentos frescos e caseiros, e 3) cozinhar com amor e tudo fica bom, comer melhor é esse o segredo.

Acesse aqui para participar do próximo webinar Senac: Comportamento e Alimentação: tradições, modismos e inovações.