28% dos professores avaliam a saúde emocional como ruim ou péssima, segundo pesquisa

Levantamento, feito pela Nova Escola, estudou quatro eixos vivenciados pelos educadores.

Ilustração de jovem negra no notebook e texto à esquerda Pesquisa A situação dos professores no Brasil durante a pandemia Nova Escola
51,1% dos professores relatam não ter recebido formação para trabalhar de maneira remota. (crédito da imagem: divulgação)

Baixo índice de participação de alunos e famílias nas atividades a distância, atraso no calendário letivo, falta de apoio da rede e saúde mental dos professores comprometida são alguns dos resultados da pesquisa on-line sobre a Situação dos Professores no Brasil durante a Pandemia, feito pela Nova Escola, entre os dias 16 e 28 de maio, com mais de nove mil profissionais de escolas municipais, estaduais e particulares – sendo 85,7% da Educação Básica (ensino infantil, fundamental e médio).

Esse estudo está em quatro eixos: situação do professor, situação da rede, participação dos alunos e famílias nas atividades e perspectivas para o retorno das atividades presenciais.

Um dos principais objetivos foi entender qual tem sido o nível de participação e engajamento dos estudantes e famílias com as atividades propostas pelos professores, além do desafio e sentimentos inerentes à pandemia.

Mesmo com esforço de muitos professores para garantir aos alunos a continuidade das aulas e acesso aos conteúdos de maneira remota, a pesquisa mostra baixa participação, especialmente na rede pública: metade dos professores da rede pública afirma que poucos alunos têm participado das atividades. Já nas redes privadas, 59% dos docentes relataram que a maioria dos alunos têm participado das atividades remotas.

Alunos do Fundamental I são os que participam mais, com 47% dos docentes afirmando essa participação mais ativa nas atividades propostas. Já no Fundamental II e no Ensino Médio, esse índice é de 38%, enquanto na Educação Infantil é de 28%. A Educação Infantil é a etapa com menor participação: 18% dos professores afirmaram não estar trabalhando com esses alunos, 51% deles disseram que poucos têm participado das atividades.

Sobre a participação das famílias, no geral, 31,9% dos professores afirmaram que a maioria tem participado. Na rede privada, a participação familiar é de 58%. Na rede pública, o número é de 36%. Tanto na Educação Infantil quanto nos anos iniciais do Ensino Fundamental somente 3% dos professores afirmam que todos os responsáveis têm participado. Na Educação Infantil, 51% dos professores relatam que poucas famílias têm participado e 32% que a maioria tem participado. Nos anos iniciais, os números são de 43% para a participação de poucas famílias e 42% para a maioria.

Os depoimentos mostram que a falta de equipamentos eletrônicos e acesso à internet são os principais motivos para a ausência de retorno dos alunos sobre as tarefas e incentivo e apoio das famílias ao ensino remoto. Há dificuldade dos alunos para acessar os aparelhos dos pais, seja por estarem fora de casa trabalhando, ou os celulares não têm recursos tecnológicos ou conectividade que suportem o recebimento e envio de conteúdos pedagógicos.

Os professores também foram avaliados pela experiência do ensino remoto. Para 33% a avaliação da experiência foi como razoável e para 30% como ruim ou péssima. Entre os principais fatores negativos apareceram: desafios para adaptação do formato, baixo retorno dos alunos, alta cobrança de resultados, crescimento da demanda de atendimento individual às famílias e falta de capacitação, de infraestrutura e de contato direto com os alunos.

Os dados também apresentam que a saúde mental de muitos professores está comprometida: 28% avaliam a saúde emocional como ruim ou péssima e 30% como razoável. Muitos falam de estresse na necessidade de aprender rápido, risco de contaminação, insegurança em relação ao futuro, falta de reconhecimento das famílias e gestores e excesso de atividades.

85% é composto por mulheres e em vários relatos mostra preocupações relacionadas com a dupla jornada, como a dificuldade de conciliar as atividades domésticas com as profissionais e de acompanhar e apoiar os estudos dos filhos em idade escolas.

Para conhecer o estudo na íntegra, os interessados podem acessar aqui: http://lp.novaescola.org.br/l/vLWEcbABF1149