Senac São Paulo e Associação Palas Athena lançam recurso didático sobre direitos humanos

14421“Os direitos humanos são uma expressão de que começamos perceber o que não percebemos” – a fala é de Lia Diskin, presidente Fundadora da Associação Palas Athena, em palestra com o tema Direitos Humanos para que? Para quem?. Ela a pronunciou durante o lançamento do jogo Diário do Amanhã.

O evento ocorreu na tarde de ontem, 23 de fevereiro, no auditório nobre da sede do Senac São Paulo, na região central de São Paulo. “Tomara que falem: ‘como eram insensíveis essas pessoas do século XXI’. Essa é a melhor aposta que podemos fazer”, disse Lia, afirmando sua esperança de que as gerações futuras sintam o mesmo estranhamento que temos em relação à época da Idade Média, por exemplo.

14458Diário de Amanhã é um game sobre direitos humanos, criado em ambiente digital para ser utilizado por educadores e outros interessados. Ele foi desenvolvido pela área de tecnologias sociais e desenvolvimento humano do Senac São Paulo, representado por Regina Paulinelli e pelo docente Ricardo Roitburd na ocasião, em parceria com a Palas Athena e com apoio da Unesco.

Regina explicou que a ideia surgiu da necessidade de ter uma ferramenta leve, interessante e atual para trabalhar o assunto em comunidades. Um modelo inicial foi criado e testado em Bertioga (SP), junto a Ricardo. Nesse momento, perceberam que precisariam se aprofundar mais no aspecto do entretenimento. “A gente entendia da Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH), mas não tinha experiência com jogos”, contou ela, que consultou seus sobrinhos, ainda crianças, para buscar referências.

O segundo formato definido foi novamente levado para a sala de aula para que pudesse ser aplicado e avaliado por alunos. Com retorno positivo, foi apresentado à Unesco e ganhou apoio institucional do órgão. Após o lançamento, está disponível gratuitamente em: www.sp.senac.br/diariodeamanha.

Para fazer o download, é necessário preencher um cadastro com dados como: nome e endereço da organização, responsável, cidade, UF, e-mail, telefone e faixa etária dos participantes. Feito isso, surge um link para baixar o arquivo, pensado para caber em um pen drive ou CD, reduzindo a necessidade de grandes recursos. “Pedimos que depois compartilhem os resultados conosco”, disse Regina.

14456
Professora Lia Diskin

“O professor mediador não precisa ter grande conhecimento a respeito do assunto, mas pode aplicar o jogo”, explicou Ricardo, acrescentando que se trata de um conteúdo interessante para ser debatido em qualquer curso. O desenvolvimento completo da atividade leva entre cerca de uma hora e meia e requer a formação de cinco equipes. A recomendação é que seja trabalhado com adolescentes e jovens.

A ferramenta possui um menu com diversos itens. O Tutorial do Professor dá dicas de como utilizá-la da melhor maneira e explicita quais artigos da DUDH são abordados em cada uma das 12 missões. Há também as Regras do Aluno, as Configurações de som – há opção de todo o jogo ser narrado -, além do item Saiba Mais, que lista diversos ativistas relevantes da área, e das Referências.

A diversão começa desde a escolha dos avatares pelas equipes, que buscam contemplar uma diversidade de origens, cores de pele, religiões, entre outros fatores. Depois desse passo vem a primeira etapa, que consiste em um vídeo explicativo sobre direitos humanos seguido de 20 perguntas objetivas ligadas ao tema.

Já a segunda etapa apresenta manchetes de jornais hipotéticas para o “amanhã” que retratam vários tipos de violências e suas consequências. Uma delas, por exemplo, cita uma jovem que teria cometido suicídio por sofrer bullying. A partir disso, a missão dos participantes é debater soluções que poderiam evitar tais notícias antes de acontecerem. São expostas situações de prevenção, mas nesse momento já não há uma ação que seja certa ou errada, apenas há opções que levam a diferentes desfechos. O desafio é cada grupo debater e chegar a um consenso sobre aquilo que consideram mais adequado fazer.

14459
Regina do lado esquerda e Ricardo, do lado direito

As alternativas mostram formas reais de combater diversos tipos de problemas. As respostas das equipes são somadas de modo que, ao fim do jogo, sejam traçados os perfis de cada uma. Elas podem se encaixar nas categorias: cientista, ativista, comunicador, educador ou juiz de direito. Trata-se de uma surpresa para os alunos. É interessante que não seja revelada pelo educador ao longo do processo.

De acordo com Lia Diskin, a DUDH foi uma conquista árdua que nasceu após a 2ª Guerra Mundial: “Foi uma época em que não houve um alvo de discriminação, houve um repertório de discriminações”. Ela também acredita que não nos enxergamos como atores e reprodutores de violência. No entanto, com conscientização e educação, é possível avançar. Nesse sentido, o jogo Diário do Amanhã é um novo e divertido aliado.


Serviço:

Conheça e brinque no Diário de amanhã: www.sp.senac.br/diariodeamanha


Texto: Natália Freitas
Imagens: Natália Freitas e divulgação

Data original de publicação: 24/02/2016