Seminário lança publicação Pedagogia da Avaliação

Diferentes profissionais abordaram ações, desafios e necessidades no processo de avaliação de projetos e programas de organizações públicas e privadas.

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Encontro reúne diferentes especialistas para refletirem abordagem freiriana nos processos de avaliação das organizações. (crédito da imagem: divulgação)

Pensamento Avaliativo e Transformação Social foram os temas do Seminário Internacional de Avaliação, organizado pelo Itaú Social, Fundação Roberto Marinho, Instituto C&A e GIFE no dia 15 de agosto no Centro Cultural de São Paulo. A ideia do encontro foi reunir profissionais que trabalham em organizações da área de terceiro setor e do governo, especialistas e estudantes que atuam com educação integral, avaliação e pesquisa social.

O Portal Setor3 acompanhou a mesa 2 intitulada O Pensamento de Paulo Freire e sua influência na prática e teoria da avaliação. O objetivo do debate foi estimular a consciência crítica, entender que todos aprendem e ensinam ao mesmo tempo, unir reflexão e ação, valorizar o subjetivo, integrar a emoção e a razão, compreender que toda pedagogia é política. Essa é uma das premissas do educador Paulo Freire influenciou e continua impactando como a avaliação é feita e teorizada.

Participaram dessa mesa: Michael Patton, presidente da Utilization-Focused Evaluation (Avaliação focada em uso) nos EUA; Moacir Gadotti, filósofo e pedagogo e presidente de honra do Instituto Paulo Freire; Vilma Guimarães, gerente geral de educação e implementação da Fundação Roberto Marinho; com mediação de Thomaz Chianca, consultor internacional em avaliação de programas e gerente da COMEA Avaliações Relevantes.

O professor Moacir comentou sobre a proximidade de conceitos do livro Pedagogia da Avaliação, de Paulo Freire, com a publicação lançada pela Fundação Roberto Marinho Pedagogia da avaliação e Paulo Freire: Incluir para Transformar (https://issuu.com/telecursofrm/docs/avaliacao-incluir-para-transformar-), organizado por Vilma e Michael. Ele ressaltou a necessidade do sujeito participar de sua própria avaliação, controle da leitura e indicação bibliográfica e estimular o pensamento certo. “A preocupação sempre está com esse sujeito. Ele (Paulo Freire) falava muito de pegar os princípios e traz a avaliação dentro da pedagogia e dos métodos, contribuindo para a crítica e conscientização”.

Moacir se recordou do primeiro livro chamado Aprender a Ser e chama atenção: “As experiências não são transplantadas, mas precisam ser replantadas”. Já na publicação Medo e Ousadia reforça a necessidade de autodeterminação, baseada na Pedagogia do Oprimido (conceito criado por Paulo Freire), em que diz quando não se dá voz aquilo que é ocorre uma avaliação autoritária. Dessa forma, para ter uma boa avaliação, é necessário diálogo com várias abordagens e questionar a todo momento o porquê da avaliação, os seus meios e saber seus fins. “Precisamos de uma política de avaliação para dialogar para nós não nos tornarmos intolerantes”.

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Publicação é lançada em Seminário Internacional de Avaliação 2018 em São Paulo. (crédito da imagem: divulgação)

Vilma ainda se recordou dos círculos de leitura organizados por Paulo Freire em Recife nos anos 1960 e comentou sobre a influência dele na criação de dois programas: Telecurso e sua metodologia Telessala. “A escola não é mais o único espaço educativo”. E ainda acrescenta que essa pedagogia de avaliação precisa ser dialógica, horizontal, participativa, transparente e contínua. “Ela precisa ser um convite a todos. Nesse processo, é destinado para desenvolver autoconhecimento e assumir a responsabilidade”.

A gerente da Fundação ainda defendeu o respeito ao direito de aprender na avaliação no coletivo, a se autoavaliarem como educadores, avaliar a escola e ser num contexto mais amplo. Importante ainda o estudante se autoavaliar de forma ética, participativa e democrática. “Para mim, ela precisa ser generosa e amorosa para que possa conviver no mundo de paz, em prol da diversidade. Tem que ter boniteza”.

O palestrante internacional pontuou que o estudo antigo pode dar boas saídas a problemas atuais. “O que importa é que esses princípios têm a ver com o jeito que você atua e deve orientar nas ações futuras”. Ainda levantou 10 princípios relacionados com os pedagógicos freirianos. “Paulo Freire via conhecimento na comunidade, por isso o diálogo é importante e uma integração entre pensamento e emoção para promover uma integração crítica”, resumiu Michael que ainda levantou: promover a educação cointencional da pedagogia da consciência crítica entre os envolvidos em quaisquer papeis que sejam, engajar a consciência crítica como processo e conclusão, método e resultado, reflexão e ação, analítico e voltado para a mudança, reconhecer que toda pedagogia é política, e engajar a pedagogia crítica como fator fundamental e continuamente avaliativo.

Michael ainda ressaltou que as abordagens de avaliação que foram influenciadas pela pedagogia freireana e compartilham valores, modos de engajamento e resultados desejados freireanos: justiça social com foco nas avaliações, avaliação deliberativa democrática, avaliação de empoderamento, feminista, avaliação transformativa e avaliação sistêmica crítica.

Acesse aqui a publicação: https://goo.gl/6tw4fR

Site do evento: http://www.seminariodeavaliacao2018.com.br/