Roda de conversa: modelo de financiamento autêntico

Especialistas falam das estratégias para contribuir no processo de captação de recursos.

Roda de conversa: modelo de financiamento autêntico
Giu Soares apresenta a plataforma antes da roda de conversa. (Crédito da imagem: Divulgação)

“O mercado mudou e, com o advento de negócios sociais, precisamos pensar quem são? Qual sua relação com as ONGs? Como se atualizam? Olhar para o modelo de financiamento de forma mais autêntica”, afirmou Rodrigo Alvarez, um dos fundadores da Associação Brasileira de Captadores de Recursos e sócio diretor da Mobiliza, empresa especializada em mobilização de recursos para organizações sem fins lucrativos, no início da semana passada (dia 07/11) durante o lançamento da versão beta da plataforma Avaliação de ONGs: www.avaliacaodeongs.com.br

O sistema possibilita que as organizações façam gratuitamente uma auto avaliação sobre suas capacidades de atrair, gerar e aplicar recursos de forma eficiente para a geração de impacto social. Levanta aspectos importantes da sustentabilidade de uma organização em quatro frentes: gestão e governança, identidade e inovação, comunicação e transparência, modelo de financiamento sustentável. Depois disso, é possível identificar os pontos de desenvolvimento.

Participaram da conversa: Célia Cruz, diretora-executiva do Instituto de Cidadania Empresarial (ICE), Fábio Deboni, gerente-executivo do Instituto Sabin; e Val Rocha, coordenadora de relacionamento do Instituto Elos, Luís V. da Rocha, diretor presidente do Doutores da Alegria e Danilo Tiisel, advogado e diretor da Social Profit, mediador.

Giu Soares, digital strategist da TrackMob, explicou que a ferramenta nasceu para ser uma incrível experiência de captação e doação e ao gestor e gestão para oferecer tecnologia o doador e usar com facilidade e oferece a doadores. A página e os APPs são para simplificar o processo de captação de recursos. “Queremos viabilizar a metodologia simples e autodiagnóstico com as organizações”, ressaltou.

Rodrigo ainda comentou que a plataforma pretende traçar os caminhos para as organizações e avaliar o desenvolvimento institucional e trazer os fatores estruturantes. “A ONG intermedia o recurso da comunidade para gerar impacto social”, disse. O consultor em captação de recursos ainda comentou que a gestão é outro item bem importante e a organização conhecer como ela faz internamente e como se comunica com a população. “Muitas vezes ela não está preparada para ir ao mercado e não consegue captar recursos”, comentou.

Desde quarta dia 08 de novembro, a plataforma está lançada em sua fase beta para as organizações avaliarem. “A nossa ideia é melhorar os indicadores, entender se estão claros a todos e trazer diagnóstico útil em dois a três meses. Depois vamos lançar a plataforma completa”, esclareceu Rodrigo.

As organizações que quiserem participar da etapa de testes podem se cadastrar no site e deverão preencher seus dados de contato. A iniciativa pode ser acessada no endereço avaliacaodeongs.com.br. Após o evento, as organizações serão contatadas por e-mail e receberão as orientações de participação nesta etapa.

O Rodrigo ainda comentou que as organizações terão a oportunidade de se comparar com outras para saber quanto mais utilizam seus serviços, com diagnósticos detalhados. “Dá para saber se sua organização está próspera ou escassa com ranking por causas específicas, que facilita o processo de comparação com outras da mesma área e até otimizá-las”, afirmou. Cada eixo temático há seis perguntas para as organizações responderem. A ideia é oferecer um checkup geral da organização.

Roda de conversa: modelo de financiamento autêntico
Especialistas falam das estratégias de comunicação para contribuir na captação de recursos.

Financiamento autêntico

É um momento bom ou ruim para mobilizar recursos? Essa foi a pergunta inicial da roda de conversa sobre modelo de financiamento autêntico. Célia Cruz, diretora-executiva do Instituto Cidadania Empresarial, enfatizou que houveram outros momentos melhores para captar e compartilhou sua trajetória com a Ashoka entre os anos de 2002 e 2011. “Hoje as empresas têm suas agendas próprias. A pesquisa GIFE sinaliza que de 141 empresas no máximo até 20% doaram. Elas estão destinando seus recursos para seus próprios institutos corporativos”.

Na esfera do governo, Célia ainda ressaltou a crise dos municípios até os mais experientes. Ela explicou sobre as finanças sociais, que estão acessando capital com governo, da filantropia e dos indivíduos. “Grandes empresas começam a compras de negócios de mais impacto social, influenciado por corporações”.

Já Luís comentou que já atuou por 13 anos na Fundação Abrinq. Desde 2005 atua no Doutores da Alegria e focaram seu trabalho numa comunicação mais mobilizadora, tentando checar os problemas de relação com a causa e a capacidade em promover aquele problema. “Nós trabalhamos numa comunicação propositiva, mais colorida com essência do projeto mesmo. Fizemos todo nosso alinhamento em que o investimento social é com a área de bem-estar e optamos por uma auditoria independente, que nos ajudou muito na mudança de governança nos últimos quatro anos. Também questionamos se seria melhorar alterar a configuração jurídica da organização para a OSCIP, mas vimos que nosso lugar é em associação. Atualmente temos uma diretoria eleita e 40 membros como associados, que nos ajudam nesse processo de votação”, esclareceu.

Val Rocha, do Instituto Elos, enfatizou: “todo momento é momento”. Comenta que a organização está mais madura e fortalecida. “Hoje encontramos empresas e governos mais desconfiados pensando a melhor forma de investir seu dinheiro para provar que teve impacto. Toda pessoa do Instituto Elos é um captador de recursos”. Após uma organização da equipe, todos os integrantes viram seu papel dentro da organização, o tipo de recursos que querem, como usam o dinheiro que captam, e tudo que está lá pertence a todos.

Fábio, do Instituto Sabin, ressaltou para a quantidade de pessoas disputando recursos e a importância para o alinhamento ao negócio. Ele ainda chamou atenção para o que hoje atrai novas fontes de recursos. “Será que não nos perdemos no meio do caminho? Será que vale a pena manter a estrutura mega? Ao invés de ir no impacto final?”

Célia explicou que os negócios precisam estudar os impactos para resolver os problemas sociais, para a agenda avançar. Nessa quebra de paradigmas, a palestrante reforçou a importância de observar com mais atenção os instrumentos financeiros, como o crowdfunding. “Tem que se colaborar para abrir mentes, se ajudar. Esse mundo da colaboração pretende contribuir com o ecossistema colaborativo”. Ela ainda defendeu o fenômeno crowdpolinization para fomentar esse movimento de “polinização” para contribuir com o financiamento de políticas públicas.

Luís, do Doutores da Alegria, também disse que não existia nada que impedisse que a atividade comercial da organização fosse alinhada com os projetos. “Nós temos sorte de ter como um dos fundadores o Wellington Nogueira, que uma pessoa que rodou o mundo para trazer essa lógica de olhar para esse hábito saudável, em que há ainda um desconhecimento e faz com que prevaleça apenas a ideia do palhaço. Também disse que a possuem uma parceria de 15 anos com a Drogasil, que contribui com 10% do seu orçamento sendo que metade vem de leis de incentivo à cultura e Programa de Ação Cultural. “Eles fazem destinação, não é doação”, esclareceu. Contou ainda que fizeram um trabalho para a Drogasil de desenhar oito pontos relacionados com os valores dentro das suas empresas. E ainda falou que 22% dos recursos da Doutores da Alegria vem da venda de serviços artísticos. O presidente da organização comentou sobre a criação do conhecimento em formato de cursos e atividades a profissionais da saúde, palhaços e pessoas interessadas.

Val ressaltou a importância de pessoas de diferentes setores para apresentar alternativas de soluções mais competitivas e colaborativas. “Quero que meu propósito de vida transforme o mundo ou gere recursos com essa lógica de acupuntura, que consiga multiplicar e ter ideia junto com as comunidades”. Ela ainda apresentou que um dos maiores dilemas foi consolidar essas experiências e quanto vai se dedicar a criar coisas novas. Em sua opinião, demoraram para aceitar a doação de pessoas físicas.

Célia citou o caso de um negócio social fora do Brasil que contribui para a quantidade de presos em penitenciárias. “É importante ajudar a construir o ecossistema desses empreendimentos. E como trazer esses negócios de impacto? Como somar com os outros instrumentos para medir impacto social?” questionou e defendeu a importância desse debate.

Acesse a plataforma: www.avaliacaodeongs.com.br