Representantes dos ministérios da educação da Finlândia e México compartilham experiências para melhoria no processo de aprendizagem e ensino

14322625_10154757358436412_2264839511500127883_nEntre os dias 15 e 16 de setembro, aconteceu o Seminário Internacional Caminhos para a qualidade da educação pública: Impactos e Evidências. O evento, organizado pelo Instituto Unibanco e pela Folha de São Paulo com apoio do Instituto de Ensino e Pesquisa (Insper), trouxe diversas figuras importantes dentro da educação mundial para conversar sobre diversos temas. Um deles foi sobre experiências internacionais de uso de evidências em políticas educacionais.

A palestra aconteceu na quarta feira passada e contou com a presença de Ilkka Turnen, conselheiro especial do Ministério da Educação e Cultura da Finlândia, e Miguel Székely, diretor do Centro de Estudos Educativos e Sociais do México. A mediação da palestra foi feita pela diretora executiva do Centro de Estudo Das Relações de Trabalho e Desigualdades, Cida Bento.

Ambos os seminaristas ilustraram como se encontra a atual situação da educação em seus países e o que fazer para melhorá-la, tendo em vista que a América Latina e Europa possuem contextos socioeconômicos, culturais e geográficos completamente diferentes.

A Finlândia é um país que tem um histórico positivo, quando o assunto é sistema educacional. O Fórum Econômico Mundial liberou o ranking da educação mundial este ano e ele revelou que o país tem um dos melhores ambientes de apoio e incentivo, além da infraestrutura de qualidade e mão de obra extremamente qualificada.

O desenvolvimento da educação finlandesa está baseado em um amplo interesse em cuidar dos seus recursos humanos. “O país conseguiu combinar, com sucesso, excelentes resultados na aprendizagem, igualdade e eficiência”, contou Ilkka.
Apesar disso, esse destaque vem caindo com o passar dos anos e isso pode ser visto através de avaliações de desempenho. No Nordeste do país, por exemplo, o número de jovens que se interessam por leitura tem caído, principalmente entre os homens que estão a terceira geração com pais desempregados.

Turnen também apontou que a maioria dos alunos, durante o período escolar, grande parte dos alunos pensa em seguir magistratura, mas apenas 10% deles são aprovados para a universidade. Enquanto atua, o professor tem total autonomia e confiança plena para encontrar os métodos para facilitar a aprendizagem. “In teachers we trust” (acreditamos nos professores), pontuou Ilkka. Além disso, deu enfoque para a mudança no sistema que antes era quantitativo e agora passou a ser qualitativo.

Outro aspecto que despertou a atenção do governo Finlandês foi o multiculturalismo presente dentro da sociedade e como atender a essa demanda dentro das escolas para que todos, no futuro, supram as exigências do mercado de trabalho. O foco, agora, é no aprendizado, em acumular conhecimento e desenvolver competências dentro de ambientes que estimulem a criatividade dos alunos.

No México, o cenário é diferente. A educação do país é semelhante a do Brasil. Não basta só pensar no ambiente escolar, e sim, ter uma visão que engloba o que acontece fora dele também.

Miguel Székely afirmou que resultados positivos em educação dependem de um quebra cabeça composto por gestão, método de ensino e vida pessoal de cada um dos estudantes. Optou, também, por não falar de experiências bem sucedidas, como fez Ilkka, trouxe à tona a realidade de algumas crianças que chegam a andar cerca de duas horas para chegar à escola ou exemplos de outras que não tem como fazer todas as refeições em casa e como isso afeta diretamente o desempenho delas. “Se colocarmos um aluno mexicano subnutrido em uma escola com o sistema de ensino da Finlândia, seu desempenho não será bom”, declarou.

Para Miguel, o professor não é instrutor e não deve se preocupar em cobrir apenas o plano pedagógico e que quanto mais parceiro e acompanhante ele for de cada um dos alunos, melhor será o processo de aprendizagem deles. Questionou, também, assim como Turnen, se os atuais métodos de avaliação são realmente eficientes e como podemos modernizá-los para atender os desafios da educação.

Székely contou, por fim, que o essencial é que a escola seja sinônimo de felicidade e cidadania e que uma de suas funções é manter as crianças e jovens longe da violência e marginalidade. Afirmou também que educação é o setor com mais poder de transformação e o mais difícil de mudar. “É completamente possível ter um sistema educacional de qualidade”, finalizou.

Antes das considerações finais, Cida Bento questionou Miguel sobre representatividade. Ela discorreu sobre a realidade exclusiva da criança indígena e negra no país e como aqui nós ainda não nos preocupamos como deveríamos em trazê-los mais para perto do ambiente educacional. A resposta dele foi baseada em um exemplo simples que ilustra o problema. Ele contou que no processo de alfabetização, ao ensinar as letras para as crianças, quando chegamos ao “I”, geralmente temos um Iglu como exemplo. “Como uma criança indígena vai se sentir representada por algo tão distante de sua realidade? Muitas delas não sabem o que é um iglu ou mesmo não vão vê-los ao longo de suas vidas”, disse.

O material apresentado por ambos na palestra está disponível no link http://www.seminariogestaoescolar.org.br/site/2016/#materiais e o seminário completo está disponível na página do Instituto Unibanco.


Data original da publicação: 19/09/2016
Texto original: Gabriela Lira Bertolo