Representantes de organizações explicam casos de inovação em fundraising

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Bruno falou da mudança de estrutura da Avina

Inovar o formato para contribuir no processo de captação de recursos foi um dos principais lemas da palestra Inovações em fundraising: novos modelos para um mundo em transformação na manhã do último dia da oitava edição do Festival ABCR no Centro de Convenções Rebouças em São Paulo. Participaram deste painel: Bruno Benjamin, gerente de alianças estratégicas da Fundação Avina; e Andé Wongtschowski, economista e gerente de operações da WTT Ventures.

“Inovar tem que ser para sustentar, para novas ideias, novas formas de se fazer. A ideia principal é de caminhar junto com a organização, fundamental que isso fique bem claro, com a mudança de contexto”, reforçou Bruno. O representante da Avina explicou a mudança de atuação da organização, em que mudou sua própria estrutura para ajudar na inovação. “A Avina por muito tempo foi uma grande investidora diretamente de projetos e passou a ser uma organização de aliança. Impacta a partir de suas alianças geradas”, ressaltou.

Também mostrou o antes e depois da Avina. Antes a organização tinha mobilizadores de recursos mantenedores e com parcerias pontuais com fundações e empresas. Hoje há ainda mobilização de recursos por mantenedores e uma diversificação de atuação por meio convocatória, parcerias estratégicas, audiências diversas, grandes doadores individuais (que podem ser novos doadores) e crowdfunding.

Após essa mudança de atuação, a organização também alterou sua estrutura de tecnologia, mais moderna e sem estrutura hierárquica. A Avina possui 85 colaboradores em toda América Latina, sendo 10 aqui no Brasil e sempre com a ideia de fazer junto. As reuniões são todas virtuais. Em seu ecossistema, a organização possui cinco mil parceiros.

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André explicou a estrutura de captação de recursos e investimentos da WTT Ventures

Segundo Bruno, essa mudança está baseada na inovação social, tecnológica e em negócios. As agendas de trabalho são relacionadas com os seguintes temas: acesso à água, energia, migrações, mudanças climáticas, bioma amazônico, entre outros. Por meio de parceria e articulação com organizações locais, a Avina consegue executar as suas ações. “Está sendo estudado para a Avina trazer o Progresso Social de cada município. A ideia é que esse recurso seja utilizado pelo gestor na sua administração para decisões dentro da sua região”, revelou.

Já o economista André explicou inicialmente o trabalho da WTT, em que busca identificar inovações tecnológicas com amplo potencial de impacto social e ambiental, acelerar o seu desenvolvimento e fazer as articulações necessárias para criar novos negócios que levem essas tecnologias ao mercado. As áreas temáticas são: energia renováveis (biocombustíveis e eficiência energética), água – purificação para consumo e tratamento de efluentes.

As estratégias de financiamento são: memberships fees (taxas anuais pagas por investidores institucionais), doações (doações de instituições e fundações filantrópicas, escritórios familiares e indivíduos de alta renda); recursos não reembolsáveis de fomento à inovação (recursos públicos e privados à fomento à inovação) e participação em novos negócios e propriedade intelectual – participação direito (acionista) ou indireta (como beneficiário) nos negócios criados.

André compartilhou ainda que o instrumento financeiro estruturado como uma doação que pode ser convertida em participação, de acordo com termos previamente definidos. Já o veículo de investimento interessante para financiar projetos possuem as seguintes características: perspectivas de criação de impactos sociais e ambiental significativos; oportunidade de negócios e lucratividade atraentes e dificuldade em definir valuation no momento do aporte. Para ilustrar, ele compartilhou com o público uma tabela de concessão conversível, em que traz a avaliação de participação de investidores por porcentagem, o valor das parcelas dos investimentos e o retorno implícito. “A estratégia de captação não é estatística. Primeiro procuramos evoluir com a evolução do modelo organizacional (objetivos) e depois crescer de acordo com o contexto”, afirmou o gerente de operações da WTT Ventures.

8º Festival ABCR

Entre os dias 4 e 6 de maio, ocorreu um evento voltado para captação de recursos a organizações da sociedade civil no no Centro de Convenções Rebouças em São Paulo. Participaram deste encontro profissionais da área de captação e mobilização de recursos de organizações da sociedade civil; gestores de associações e fundações; acadêmicos, estudantes, pesquisadores e demais interessados em compreender a situação atual e as tendências desse segmento.


Serviço:

Acesse o site do evento: http://festivalabcr.org.br/


Foto: Priscila Furuli Fotografia

Data original da publicação: 11/05/2016