Representantes de iniciativas de inovação no ambiente público compartilham suas experiências

Idealizadoras do blog Cientista que Virou Mãe foi grande vencedor do Social Good Brasil Lab 2015

 

Em um ambiente burocrático e estruturado, órgãos públicos também estão desenvolvendo práticas que estimulam o empreendedorismo e a inovação. Algumas delas se apresentaram no primeiro dia do Seminário Social Good Brasil (12 de novembro), no Centro Integrado de Cultura, em Florianópolis (SC).

Nesse painel, participaram: Joice Toyota, da Vetor Brasil; Cristiano Ferri, do Laboratório Hacker da Câmara dos Deputados; e Roberto Agune, coordenador da Unidade de Inovação da Subsecretaria de Parcerias e Inovação da Secretaria de Governo do Estado de São Paulo, o iGov. O moderador é André Tamura, idealizador de WeGov.

“Nós precisamos desconstruir a ideia de que o governo não faz nada”, pontuou o moderador da mesa. Para defender essa questão, o primeiro a falar foi Agune, que comentou sobre a existência de profissionais qualificados no setor público e ainda defendeu que as mudanças só são feitas pressão da sociedade. “Não basta ter projetos bons de dentro para fora. Os governos têm que se apropriarem para mudar”, afirmou.
Para o coordenador do iGov, é necessário ter claro três princípios: governo não é indivíduo, criar condições para se apropriar e desenvolver novos modelos de negócios e hiperlocal.

Joice falou sobre uma das principais dificuldades de trabalhar no governo é considerar os números altos de recursos e pessoas. Dessa forma, as oportunidades são interessantes. “Acho que consigo conversar com esses dois lados. Muita gente ainda fala que é muito burocrático e corrupto”.

A jovem comentou sobre a criação da consultoria Vetor Brasil, que conecta jovens profissionais para trabalhar em projetos grandes públicos. Ainda falou que há sim muitos jovens interessados em atuar nesse segmento, já que foram 10 mil inscritos e só 35 foram selecionados. “Muitos querem trabalhar e se relacionar no governo. há novas portas para todas as pessoas e tem muita gente e muito espaço para atuarem”, pontuou.

Cristiano Ferri explicou sobre o processo de institucionalização de um laboratório hacker de inovação dentro da Câmara dos Deputados, chamado LabHack. Primeiro ele perguntou ao público se todos conheciam o significado de hacker e a maioria já sabia. “É a pessoa que conhece tão bem do sistema que é capaz de descontruir para fazer coisas boas. Isso é a tecnologia do século XXI”, afirmou.

Após as mobilizações de junho de 2013, Cristiano comentou que pensaram em realizar uma atividade diferente: uma maratona hacker. Em um salão branco, 50 meninos de várias partes do Brasil tiveram acesso a distintos bancos de dados. A partir daí surgiu a ideia de criar o Laboratório Hacker da Câmara dos Deputados. “Nós trabalhamos com três pontos: burocracia, sociedade e políticos. A Câmara acolheu esse projeto”, contou
Cristiano que lembrou que isso foi após algumas discussões sobre o que é hacker e como ele poderia contribuir para esse espaço. “É um espaço de experimentação que nem sabia como começar. Por isso defendo formas mais abertas e inovadoras”, explicou.

Ao contrário da proposta do movimento hacker, Cristiano também compartilhou que o ambiente público possui processos demorados e burocráticos, como as licitações. “Você demora muito tempo para contratar uma grande empresa e depois alguns anos para desenvolverem o projeto, depois um ano para formarem a equipe para trabalharem com a plataforma. Esse processo é ainda muito pesado”, sinalizou.

Já Agune ainda ressaltou sobre o concurso Pitch Gov que levantou 35 desafios em um mês e 304 startups se inscrevera até 17 de novembro e irão ainda se apresentar para o governo. “É possível sim inovar, pressionando a ação do governo”, comentou.

Para Cristiano, inovar em órgãos públicos é correr um alto risco e ao mesmo tempo fomento à inovação. Ele contou sobre o ônibus hacker, que estimulava e criava jogos dos processos legislativos e facilitava crianças, adolescentes e jovens entenderem essa estrutura. “É um tipo de jogo que você imprimi essas cartas e todos podem jogar, muito interessante para quem está estudando”. Também lembrou que pela Lei de Acesso, desde 2011 os dados do governo estão abertos. “Há uma grande dificuldade sobre apresentar os gastos, que alguns representantes públicos defendem ser informações sigilosas e isso é público, é da sociedade. Precisa ser aberto e disponibilizado”.


Confira aqui os conteúdos dos debates no blog do Seminário Social Good Brasil 2015: http://socialgoodbrasil.org.br/postagens/blog

Confira os sites das iniciativas:
Vetor Brasil: http://www.vetorbrasil.com
WeGov: http://wegov.net.br/
iGov: http://igovsp.net/sp/
Laboratório Hacker: http://labhackercd.net/

Confira aqui cobertura completa do evento.


Data original de publicação: 19/11/2015