Representantes da Steve Jobs School e AltSchool defendem tecnologia e autonomia no processo de aprendizagem

17434671_1368967759790611_4044177265132597109_oPersonalizar o ensino e tecnologia foram os dois temas mais debatidos no painel Quando a tecnologia transforma a escola e a aprendizagem na tarde do Transformar 2017 – A Educação em Evolução, na terça-feira passada (04 de abril) na região da Barra Funda na zona oeste de São Paulo. Participaram dessa mesa: Maurice de Hond, criador da Steve Jobs School da Holanda, e Mohannad El- Khairy, conselheiro da Alt School, dos Estados Unidos.

O primeiro a falar foi Mohannad que mostrou por meio de gráficos como eles conseguiram envolver mais os alunos no processo de aprendizagem usando a tecnologia. Explicou que um fluxo é para cada aluno e envolve agenda com cronograma e tablets. Apresentou a plataforma Playlist, desenvolvida internamente, e pretende contribuir com o processo de aprendizagem. Ele defendeu o lema: quanto mais personalizado o ensino, maior a qualidade da educação.

palco-azul_mohaO conselheiro falou que essa plataforma é cada vez mais utilizada como prontuário médico, uma identidade digital do estudante, customizado para cada um. “Há muita pesquisa com os professores e pais dos alunos. Essa lista de reprodução envolve conteúdo e fluxo de trabalho e possui uma exibição dinâmica”.

A escola possui parcerias com startups, segundo Mohannad. Ele ainda comentou que a escola ainda está no início do desenvolvimento e possuem currículo próprio com parcerias em diferentes escalas. “A tecnologia para educação é importante pensar na personificação em grande escala”, defendeu.

O palestrante ainda disse que a plataforma agnóstica modelo pode ser um centro de gravidade para o ecossistema da educação progressiva. Os principais serviços seriam: grande variedade de escolas e diversidade de provedores de serviços. A principal tecnologia é oferecer fornecedores do ambiente de conteúdo, tecnologia e pesquisa. Também ressalta a necessidade de uma descentralização para operações financeiras.

Ele ainda comentou que ainda não existe uma plataforma central com todas as tecnologias educacionais do mundo todo, que permitisse que todas as crianças pudessem desenvolver seu potencial. Pediu ao público para imagina esse cenário daqui 10 anos, como seria.

Confiança e autonomia

palco-azul_mauriceMaurice de Hond, da Steve Jobs School, contou primeiro sua observação nos desenhos da sua última filha. “Ela estudava na mesma escola que a irmã mais velha. A estruturava continuava a mesma. Pensei: minha filha tem que ser preparada por uma escola já pensando em 2030 com inovação e transformação”, afirmou e ressaltou que essa escola estava formando sua filha ao passado e não ao futuro.

Sua formação é em geografia humana na Universidade de Amsterdã, aprendeu a programar computadores. Já trabalhou em empresas de marketing, tecnologia da informação e telecomunicações. No final dos anos 1980, deu início ao Micro Computerclub Nederland, um grande projeto para introduzir o computador (Commodore 64 e ZX Spetrum) nos lares holandeses com software educacional embarcado. Em 1995, escreveu o livro “Dankzij de snelheid van het licht” (Graças à velocidade da luz) sobre o futuro da internet. No ano de 2009, teve uma filha (Daphne) e, inspirado pelos aplicativos educacionais que ela brincava no iPhone/iPad, ele lançou, em 2012, a fundação da O4NT, responsável pela Steve Jobs School. A rede de 30 escolas estimula o aluno a descobrir seus talentos e a desenvolver habilidades importantes para o mundo de amanhã.

Maurice comentou que o sistema educacional continua o mesmo que há 30 anos. Para isso, ele ajudou a criar um grupo de educadores para pensar na escola ideal. “O objetivo da escola é preparar ao futuro com tecnologia de hoje voltada para as possibilidades e níveis educacionais”, afirmou.

Ele ainda falou que o novo modelo de escola inclui plano de desenvolvimento pessoal colocando no centro o professor mentor, com classes organizadas pelo nível do estudante; os professores dão instituições como especialistas dos assuntos; escolas 24 horas por dia e sete dias por semana; Chrome book individual; aulas direcionais para crianças do mesmo nível; durante o dia são atendidos fora da escola, fora da sua turma. “Cada criança tem um dispositivo que pode usar em casa, trabalhar de lá”.

O holandês ainda comentou que os professores têm mais tempo para preparar suas aulas. Eles recebem toda orientação necessária. Os programas e aplicativos são do mercado. Os alunos podem usá-lo em seu próprio ritmo. Essas plataformas tecnológicas ficam para os professores, pais e alunos e são baseadas no estágio e plano de desenvolvimento pessoal do estudante, o School Plan. Todos os currículos escolares estão integrantes com os pais e podem fazer upload do que acharem interessante. Os pais também ministram workshops.

Maurice ainda ressaltou que o Ipad é uma ferramenta bem utilizada. Há muita confiança nos alunos. “Quando confiamos recebemos muito mais em troca”, afirmou. Contou ainda que conseguem monitorar o site em que acessam. Ele ainda defende a necessidade de melhorar o ensino individualizado em larga escala com atividades em grupo, socioemocionais baseada na formação.

Disse ainda que no dia anterior à palestra, 20 professores de Amsterdã foram trabalhar na Steve Jobs School. “Tem que gostar da proposta da escola, confiar no aluno, do contato frequente com os pais a cada sete semanas. Eles se sentem reconquistando a profissão. Da base para o topo. Às vezes os governos não tem uma mente tão aberta”, disse.

Serviço:

Site do evento: http://transformareducacao.org.br/
Steve Jobs School: http://stevejobsschool.nl/
AltSchool: https://www.altschool.com/


Data de publicação: 10/04/2017