Representantes da Coréia do Sul e Japão compartilham ações da sociedade em defesa da água

Ativista e pesquisador de recursos hídricos defendem a gestão compartilhada e governança para sociedade sustentável.

Representantes da Coréia do Sul e Japão compartilham ações da sociedade em defesa da água
Crédito da imagem: Susana Sarmiento

Mobilização de organizações da sociedade civil em prol da defesa de preservação de bacias hidrográficas em regiões da China e Japão. A sala 18 estava lotada na manhã do terceiro dia (21 de março) do 8º Fórum Mundial da Água no Centro de Convenções Ulisses Guimarães em Brasília (DF). A atividade foi iniciada com a apresentação de um vídeo sobre sustentabilidade do meio rural, destacando o papel do pagamento por serviços ambientais para contribuir com o movimento de melhoria de recursos ambientais para produzir mais alimentos, menos aquecimento global, mais vegetação e mais qualidade de vida para a população.

Com o título Ações de base comunitária – gestão das águas e governança de bacias hidrográficas, o primeiro a falar foi um ativista coreano que abordou os pontos prioridades da água em algo global. Ele comentou que há três tipos de crises de água e mostrou que nosso maior problema do futuro será crise desse recurso. Por ser um bem comum, ela oferece oportunidades de cooperação. “90% dos desastres são causados pela água e reconhecemos a importância de soluções comuns para a cooperação mundial para atingir o desenvolvimento sustentável do quadro da Agenda 2030. Todos nós temos a ver com esse desafio”.

Ele ainda defendeu que o manejo desse recurso vital é gestão de conflito de interesses, inevitável não ter disputas por ela. “Temos visto isso de forma repetida e nos diferentes problemas. Então, a governança da água é pré-requisito para combater isso”. O palestrante explicou que até os anos 1980 a prioridade do governo era a melhoria da qualidade da água e desde anos 2000 foi criado um plano para integrar os recursos hídricos com manejo de bacias integradas.

“Há 20 anos tivemos problemas numa cidade chamada Chuncheon e uma ONG local pediu para remover os piscicultores da região. Na época não tínhamos uma governança concreta e funcionava dentro do processo de inclusão. Tivemos um papel importante sobre a represa bem conhecida pela água limpa”, contou.

Outro caso exemplificado foi na barragem de Soyang-gang em que possui três lagos artificiais e mostrou uma foto com uma parte da água esverdeada. “Eles estavam com diversos piscicultores encorajados e apoiados pelo governo. Eles estavam por todo lado nessa região. Ainda havia problemas de bactérias tóxicas. Houve problemas severos entre piscicultores e autoridades locais”.

Para resolver a situação descrita, o coreano contou que foram organizados alguns fóruns com várias atividades. Finalmente os piscicultores foram removidos e houve a melhoria da qualidade de água e aumento da sustentabilidade e saneamento. “Nessa época o governo construiu novas demandas. Havia muita oposição e fizemos algumas campanhas para construção da barragem. Esse é um caso bem especial, porque você tinha a água turva flutuando em cima da água limpa. Isso ficou por alguns meses e o governo central fez um plano de 10 anos e investiu 200 milhões de dólares para combater ainda a erosão do solo”.

Outro relato foi na cidade coreana Gangneung, em que ele passou um ano e meio por ter visto uma poluição num dos principais rios. “Eu vi a poluição e fui protestar nos órgãos oficiais e promovi uma campanha com a sociedade civil. Depois saímos pelas cidades contra a poluição. O governo local restaurou o rio e ficou mais limpo”. Após compartilhar os três casos, o coreano falou da organização Chuncheon Global Water Forum (CGWF), formada por especialistas, ativistas e ambientalistas e realiza um fórum sobre água anual em que discute a democracia pela água, segurança hídrica e conflitos. A ideia principal é reunir conhecimento sobre a água, institucionalizar para a governança das bacias e contribuir para gestão hídrica.

Para falar da situação do Japão foi convidado o pesquisador Kotaro Takemura. Ele iniciou com uma contextualização história e social do seu país, dos anos feudais até os anos mais contemporâneos, em que já aparecia um compartilhamento de bacias muito forte. Apresentou a imagem de uma das principais lideranças no compartilhamento de água, Shingen Takeda. Havia a preocupação de dividir a água para produção de arroz entre as diferentes vilas.

“Nós temos uma nascente dividida em três vilas. Existem muitos monumentos do mundo e aqui é o da água (mostrando uma imagem com uma construção da divisão desse recurso). Essa tecnologia foi espalhada em vários locais, sem conflito em cada cidade”.

O pesquisador ainda comentou sobre o aumento populacional do país e a falta de água para atender todos. Já a partir de 2017 o crescimento populacional começou a cair. “O poder do governo agora está diminuindo entre idade e administração de forma vertical. As pessoas estão caindo nas lacunas. Nós temos inúmeras leis de recursos hídricos: aos rios, à água potável, ao desenvolvimento do solo, água profunda, água contaminada, entre outros”. Ele sugeriu uma forma de resolver essa questão das lacunas é que as empresas privadas e organizações da sociedade civil poderiam fazer pontes para atender esses jovens profissionais que não são captados pelos órgãos oficiais a construírem uma sociedade sustentável.

Acesse o site do evento: http://www.worldwaterforum8.org/

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