Relatório Mundial sobre Drogas 2015 traz dados sobre uso drogas, impactos na saúde, mercado e fornecimento e saídas alternativas

ultnot-interna-relatoriodrogasOs homens são três vezes propensos ao uso de maconha, cocaína e anfetamina, já as mulheres são as mais voltadas ao usar incorretamente opioides de prescrição e tranquilizantes. Calcula-se que um total de 246 milhões de pessoas, um pouco mais do que 5% da população mundial com idade entre 15 e 64 anos, tenha feito uso de drogas ilícitas em 2013. Cerca de 27 milhões de pessoas fazem uso problemático de drogas, sendo que metade é formado por pessoas que usam drogas injetáveis. Esses são alguns dados do Relatório Mundial sobre Drogas de 2015, do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crimes (UNODC), divulgado na última sexta-feira (26 de junho), na sede da entidade, em Viena (Áustria).

O Relatório Mundial sobre Drogas inclui dados, levantados em conjunto com o Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (UNAIDS), a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Banco Mundial, sobre a prevalência do HIV entre PUDI. Em alguns países, mulheres que injetam drogas são mais vulneráveis a infecções por HIV do que os homens, e a prevalência do HIV pode ser maior entre as mulheres que injetam drogas do que entre suas contrapartes masculinas. O número de novas infecções por HIV entre PUDI diminuiu aproximadamente 10% entre 2010 e 2013: de uma estimativa de 110 mil para 98 mil.

Entretanto, o Relatório Mundial sobre Drogas também indica que muitos fatores de risco, incluindo a transmissão de doenças infecciosas como o HIV e a hepatite C e a incidência de overdose por drogas, fazem com que o índice de mortes entre PUDI seja 15 vezes maior do que no resto da população.

Enquanto os dados indicam que o uso de opioides (heroína e ópio) continua estável em nível mundial e que o uso de cocaína diminuiu globalmente, o uso de maconha e o uso não medicinal de opioides farmacêuticos continuam crescendo. Evidências sugerem que mais pessoas estão sofrendo consequências decorrentes do uso da maconha, e que ela pode se tornar mais prejudicial, como refletido pela alta proporção de pessoas procurando tratamento pela primeira vez em várias regiões do mundo.

A demanda por tratamento também aumentou para tipos de estimulantes baseados em anfetamina (ATS, na sigla em inglês) – incluindo metanfetamina e MDMA ou “Ecstasy” – e para novas substâncias psicoativas (NSP), também conhecidas como “drogas legais”.
Em torno de 32,4 milhões de pessoas – ou 0,7% da população adulta do mundo – usam opioides farmacêuticos e opiáceos como a heroína e o ópio. Em 2014, o potencial de produção mundial de ópio alcançou 7.554 toneladas – o segundo maior nível desde a década de 1930, principalmente devido ao aumento significativo do cultivo no Afeganistão, o principal país produtor. A apreensão global de heroína, por sua vez, aumentou em 8%, enquanto a apreensão de morfina ilícita diminuiu em 26% de 2012 a 2013.

O Relatório Mundial sobre Drogas de 2015 também observa uma mudança na dinâmica das rotas usadas para contrabando de opiácios, com a heroína afegã alcançando novos mercados. Apreensões recentes sugerem que, talvez, tenha se tornado mais comum para grandes carregamentos da heroína afegã serem contrabandeados através do Oceano Índico para o leste e o sul africano. Países africanos ocidentais continuam a servir de áreas de transbordo para o contrabando de cocaína através do Atlântico para a Europa, e países do leste europeu estão emergindo como uma área de trânsito e como um destino dessa droga.

O Relatório Mundial sobre Drogas desse ano indica que o cultivo da planta de coca continuou diminuindo em 2013, alcançado o menor nível desde 1990. Com a prevalência de 0,4% na população adulta global, o uso de cocaína continua alto na Europa Ocidental e Central, na América do Norte e na Oceania (Austrália), ainda que dados recentes demonstrem uma tendência global de declínio.

Serviço:

Confira aqui a íntegra do Relatório Mundial sobre Drogas, em inglês: http://goo.gl/RRYSRt

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