Relatório do Bando Mundial mostra crise na educação na América Latina e no Caribe

O levantamento defende a união dos governos para ações urgentes para reverter essa situação.

Imagem da capa do estudo com crianças usando uniformes e mascaradas. Texto abaixo: Agindo Agora para Proteger o Capital Humano de Nossas Crianças.
Existe a possibilidade de aumento do abandono escolar em pelo menos 15 por cento devido à pandemia. (crédito da imagem: divulgação)

Após o fechamento massivo de escolas em fevereiro de 2021, cerca de 120 milhões de crianças em idade escolar já haviam perdido ou estavam correndo o risco de perder um ano letivo completo de educação presencial, com graves impactos educacionais, de acordo com o relatório Agir agora para proteger o capital humano de nossas crianças: Os custos e a Resposta ao Impacto da pandemia da COVID- no Setor de Educação na América Latina e no Caribe, produzido pelo Bando Mundial.

A pobreza de aprendizagem, definida como o percentual de crianças com 10 anos de idade que é incapaz de ler e entender um texto simples, pode ter aumentado em mais de 20 por cento, passando de 51 por cento para 62,5 por cento. Isso poderia ser equivalente a adicionar cerca de 7,6 milhões de crianças em idade escolar do ensino fundamental com “pobreza de aprendizagem” na região.

O relatório reforça para os governos a agirem imediatamente para reverter essa situação. Os países precisam se preparar para a reabertura segura e efetiva de suas escolas em nível nacional, com os recursos e ferramentas necessários para assegurar que elas possam reabrir sem dificuldades.

As políticas devem se concentrar em garantir que todas as crianças em idade escolar tenham acesso às escolas reabertas e em criar as condições para o aprendizado combinado e efetivo (misto de aulas presenciais e remotas nas mesmas escolas), o que se tornará o novo normal nos próximos meses. Em nível regional, menos de 43 por cento das escolas primárias e menos de 62 por cento das escolas secundárias têm acesso à Internet para fins educacionais.

No longo prazo, a meta é criar sistemas educacionais mais inclusivos, eficazes e resilientes. Há diversos exemplos de programas que poderiam ser institucionalizados e replicados na região. Podemos citar, por exemplo, os sistemas de alerta precoce que ajudam a identificar os estudantes em risco de abandono escolar implementados no Peru, na Guatemala e no Chile. Da mesma forma, o gerenciamento da educação e os sistemas de informação estão apresentando resultados promissores na Colômbia e no Uruguai. As tecnologias de aprendizagem adaptativa usadas no Equador e na República Dominicana ajudaram a oferecer instrução nos níveis certos.

De acordo com o relatório, após 10 meses do fechamento das escolas (todo o ano acadêmico), 71 por cento dos estudantes do ensino fundamental II podem não mais ser capazes de compreender um texto de tamanho moderado. Antes da pandemia, falava-se em 55 por cento. Esse percentual pode aumentar para 77 por cento se as escolas permanecerem fechadas por mais três meses. Essas perdas não são as mesmas para todos os setores, elas afetam principalmente o quintil de renda mais baixo – o que poderia ter ampliado a já elevada lacuna socioeconômica em matéria de resultados na área de educação em 12 por cento.

No futuro, as enormes perdas de aprendizagem, de capital humano e de produtividade podem se traduzir em um declínio no potencial de ganhos agregados para a região de US$1,7 trilhão, ou aproximadamente 10 por cento das receitas totais da linha de base.
Além desses impactos negativos, há a possibilidade de aumento do abandono escolar em pelo menos 15 por cento devido à pandemia, bem como a interrupção dos serviços que muitas crianças recebem nas escolas da região, incluindo refeições para 10 milhões de estudantes. Esses são exemplos claros do impacto substancial do fechamento das escolas na saúde física, mental e emocional dos estudantes.

Acesse no site do Banco Mundial o relatório na íntegra: