Relatório da Unesco aponta dados globais sobre o acesso à educação

O acesso à educação é considerado um direito fundamental a qualquer cidadão, segundo a Declaração Universal dos Direitos Humanos. No entanto, cinquenta e sete milhões de crianças estavam fora da escola em 2011. Um terço dos estudantes em idade de cursar a educação primária não estão aprendendo o básico. Em países de renda baixa e média baixa, um quarto dos jovens não conseguem ler uma frase inteira. Esses e outros dados foram apontados pela Unesco, no Relatório de Monitoramento Global de Educação para Todos 2013-2014.

A publicação, desenvolvida pela Unesco, analisa o cumprimento, até 2015, de seis metas educacionais estabelecidas na Conferência Mundial de Educação, em 2000. Entre elas estão: ampliar e aperfeiçoar os cuidados e educação para primeira infância; assegurar o acesso ao ensino primário gratuito, obrigatório e de boa qualidade; garantir que sejam atendidas as necessidades de aprendizado de todos os jovens e adultos; alcançar uma melhoria de 50% nos níveis de alfabetização de adultos; eliminar as disparidades de gênero no ensino primário e secundário, alcançando igualdade de gêneros na educação; e melhorar todos os aspectos da qualidade da educação.

Com menos de dois anos para encerrar o prazo de cumprimento dos objetivos da Educação para Todos, o panorama global entra em contraste com as metas. Apesar de algumas melhoras expressivas, o número de crianças sem acesso à educação na primeira infância ainda é grande. Além de prejudicar no desenvolvimento durante a fase pré-primária, as 250 milhões de crianças ao redor do mundo que não estão aprendendo sequer o básico resultam em uma perda de $129 bilhões de dólares por ano aos governos. De acordo com a publicação, cerca de 37 países estão perdendo o montante que investiram na educação primária, porque as crianças não estão aprendendo com a baixa qualidade de ensino. Uma educação igualitária e de qualidade para todos seria capaz de elevar o produto interno bruto per capita de um país em até 23% em um período de 40 anos.

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A qualidade do ensino também tem refletido nas taxas de analfabetismo. Aproximadamente 175 milhões de jovens em países de baixa renda não sabem ler. Segundo resultados apontadas no relatório, mulheres jovens de países pobres em desenvolvimento podem não alcançar a alfabetização universal até 2072. As estimativas ainda apontam para a tendência de meninas de famílias mais pobres na África Subsaariana alcançarem o primeiro nível do ensino secundário no próximo século.

Os países de alta renda também não escapam das tendências globais. Na Nova Zelândia, apenas dois terços dos alunos de baixa renda conseguem atingir os padrões mínimos de aproveitamento entre a 4ª e 8ª série. Pouco mais de 60% dos imigrantes na França não atingem patamares mínimos de leitura.

Nem tudo está perdido

Para elevar a qualidade da educação, a publicação aponta alguns caminhos a serem seguidos por governos. Uma das alternativas seria fornecer o número suficiente de professores treinados e concentrar políticas públicas para professores. O relatório também chama a atenção para a necessidade das escolas tratarem questões sobre violência e discriminação por gênero.

Serviço:

Relatório de Monitoramento Global de Educação para Todos 2013-2014: http://bit.ly/1kd1ClA