Recomeço: minidocumentário traz histórias de 10 refugiadas no Brasil

A iniciativa traz vozes de mulheres de diferentes nacionalidades que defendem a importância do trabalho para sua independência.

DOCUMENTARIO-RECOMECO-MULHERES

10 mulheres de diferentes nacionalidades compartilharam desafios desde que saíram de seus países de origem e como está sua vida aqui no Brasil. Todas essas histórias estão no minidocumentário Recomeços: sobre Mulheres, Refúgio e Trabalho, que conta os resultados do projeto Empoderando Refugiadas, uma iniciativa da Rede Brasil do Pacto Global da Nações Unidas (ONU), a Agência da ONU para Refugiados (Acnur) e ONU Mulheres. A produção traz relatos delas, mostrando a causa da saída delas de seus países de origem, dificuldades para encontrar empregos e a valorização do emprego como uma oportunidade de recomeçar a vida em outro país.

Segundo o último relatório Tendências Globais do ACNUR, o número de refugiados já supera a 20 milhões. Já o Comitê Nacional para os Refugiados (Conare), no Brasil, 9.552 pessoas, de 82 nacionalidades diferentes, já tiveram sua condição de refugiadas reconhecida. Em 2016, 32% das pessoas que solicitaram refúgio no país eram mulheres.

O objetivo da iniciativa é aumentar o acesso de mulheres refugiadas  ao emprego formal no Brasil por meio da sensibilização de empresas. Também promove encontros mensais de formação e aconselhamento sobre direitos, planejamento profissional, financeiro e de empreendedorismo.

Todas as entrevistadas ressaltaram a importância de trabalho para conseguirem independência financeira para terem qualidade de vida no Brasil. As causas de saída são diversas, algumas por questões de sobrevivência, outras para terem mais liberdade de serem o que querem ser, como Lara, de Moçambique, que saiu porque é homossexual. “Eu sai do meu país por causa da minha orientação sexual. Foi por uma questão de emprego, segurança, de privacidade e bem estar. Lá o mercado de emprego não é aberto a homossexuais. Eu sei da minha competência, mas não consegui exercer lá por não ter oportunidades”, contou a africana que hoje é assistente de recursos humanos na empresa Plano Digital. Sua chefa elogiou sua postura no dia a dia e seu orgulho de ser africana. No dia a dia, Lara cadastra refugiados a procura de empregos. “Muitos saíram sem nada de seus países, apenas com a roupa do corpo e hoje estão começando aqui. São pessoas com graduação e até pós-graduação e quando chegam aqui trabalham em funções de outras áreas, porque eles entendem essa transição de um país a outro”, revelou.

Paola Carosella, cozinheira, empresária e chef de cozinha, também participou do vídeo e defendeu a diversidade. “Olhe para as cidades cosmopolitas, como esse intercâmbio de cores, de músicas, de sabores, de formas de andar, de formas de se dirigir ao outro, de estética, de formas de se apresentar. Ela enriquece culturalmente. Nova York, Paris, Londres, por exemplo, são as capitais da gastronomia e são bem cosmopolitas. Eu não fiz nenhuma ação beneficente. Eu apenas contratei uma pessoa por ela ser talentosa e, por acaso, ela é negra, mulher e refugiada”.

Um representante do Instituto Lojas Renner explicou um programa que é oferecido é formação a refugiados para que eles possam ser integrados no mercado de trabalho brasileiros.

Outra pessoa de empresa foi Renata Decoussau, creative strategist no Facebook Brasil. Ela contou que quando soube da iniciativa de empoderar refugiadas. Logo se identificou com a história de Razan, uma jovem árabe, porque também em um momento de um negócio da vida dela também passou por dificuldades. Essa refugiada possui página no Facebook para comercializar suas comidas árabes que comercializa. “Durante seis semanas ela veio aqui para nosso escritório e tivemos contato muito próximo. Pudemos apresentar diversos aspectos da tecnologia contribuir com o negócio dela, e é interessante também observar como os homens também começam a participar”, disse Renata.

Já Mamie, da República Democrática do Congo, estagiária de audiovisual, ressaltou a importância do equilíbrio das contas. “Quando a mulher trabalha, ela se sente independente”. Outra africana refugiada também comentou que primeira vez que ela possui conta em banco e cartão de crédito. “Eu tenho meu dinheiro para fazer minhas coisas”, ressaltou. Já outra mulher refugiada também comentou: “Aqui tem lei para mulher. Não pode jogá-la, nem batê-la”. Já a jovem árabe também se recordou: “Antes eu não podia ter amigos, ele mexia no meu telefone. Agora eu posso tudo. Ele não mexe mais em meu telefone. Eu estou livre”.

Todas falaram da saudade que sentem de suas famílias, de seus países, como eram suas vidas. Também possuem boas recordações. Essas mulheres defendem ainda a importância de dar uma imagem diferente ao refugiado. “Não só queremos receber ajuda, queremos crescer como seres humanos”.

Entre ano passado e este ano, mais de 80 mulheres participaram dos workshops do empoderando refugiadas sobre questões de mercado de trabalho, direitos e cultura brasileira, saúde e bem-estar e empreendedorismo. Cerca de 40 receberam aconselhamento de carreira e sessões de coaching. Mais de 350 pessoas participaram das atividades de sensibilização do projeto. Mais de 20 conseguiram trabalho graças aos encaminhamentos do projeto. E cerca de 200 representantes de empresas participaram dos eventos de sensibilização.

A iniciativa possui duas frentes com a intenção de aumentar o acesso das mulhres refugiadas ao emprego formal no Brasil. A primeira é conscientizá-las sobre seus direitos e fornecer habilidades e ferramentas para a independência e empoderamento econômico. Ao longo da iniciativa, elas participam de encontros mensais sobre temas como planejamento financeiro e profissional, direitos como refugiadas, mulheres e trabalhadores e habilidades práticas para melhorar o português e o empreendedorismo feminino. Já a segunda frente do projeto diz respeito para conscientização e sensibilização das empresas que podem contratar as refugiadas. Os parceiros estratégicos são: Caritas Arquidiocesana de São Paulo, o Consulado da Mulher, a Fox Time Recursos Humanos, o ISAE, o Migraflix e o Programa de Apoio para a Recolocação dos Refugiados (PARR). Além disso, conta na segunda edição com as seguintes empresas parceiras: Carrefour, EMDOC, Facebook, Lojas Renner e Sodexo.


Acesse aqui o minidocumentário: https://www.youtube.com/watch?v=_5-O3hMBt5I

Fellipe Abreu / Rede Brasil do Pacto Global – Crédito da imagem