Publicação valoriza o potencial do voluntariado digital no mundo

13139Em dezembro do ano passado, a Fundação Telefônica Vivo lançou o livro Voluntariado Digital, com a intenção de entender o comportamento da população do mundo conectado, quais são as novas oportunidades de transformação social e medir o crescimento da cultura on-line e o potencial do voluntariado digital.

Segundo o gerente de inovação social e voluntariado da Fundação Telefônica Vivo, Luís Fernando Guggenberger: “O objetivo dessa publicação é estudar as formas como as pessoas usam as tecnologias junto da área social. A Fundação Telefônica Vivo possui um programa estruturado de voluntariado e como essa é a nossa área de atuação faz todo sentido nós alinharmos o nosso programa com os usos das novas tecnologias”, explicou.

O trabalho de pesquisa levou um ano e meio para ser concluído e foi conduzido pela consultora e palestrante internacional em voluntariado corporativo, Mónica Beatriz Galiano. Ao todo foram entrevistados 18 especialistas nacionais e internacionais em encontros, que aconteceram em seis países e com 200 participantes em grupos de discussões sobre o tema.

O voluntariado pode ter vários significados na vida tanto das pessoas que contribuem para alguma causa, quanto para aquelas que recebem. A autora do estudo, quando questionada sobre a importância do voluntariado em sua vida, afirmou que essa é uma chance sem precedentes. “Abriram-se horizontes inimagináveis para mim, pois tive que pesquisar como a nossa sociedade se comporta, quando é intermediada pelas mais variadas tecnologias. Foi uma grande surpresa, eu encontrei muito mais do que esperava achar”, compartilhou a especialista Mónica Beatriz.

A finalidade do projeto era estudar quais são as tendências e as oportunidades que existem na área do voluntariado abordando a mobilidade e a conectividade, duas vertentes que podem ser viabilizadoras de ações sociais a distância.

A obra explica como as iniciativas voluntárias podem afetar positivamente o potencial do voluntariado digital, além de trazer cases nacionais e internacionais, que exemplificam práticas solidárias com grande impacto que são realizadas no mundo por meio das novas tecnologias.

A pesquisadora falou como essas ações podem contribuir para um mundo mais solidário. “Ser voluntario é entender que o mundo não está ao redor do seu próprio umbigo, que ele é feito de problemas que afetam os outros e eu sou capaz de contribuir de alguma maneira para melhorar a vida de outra pessoa. Essa é uma possibilidade de ir ao encontro do outro. Acho isso transformador”, acrescentou Galiano.

A publicação está disponível para download no site da Fundação Telefônica Vivo. Possui 128 páginas dividida em quatro capítulos e um glossário. O leitor pode optar por ler os tópicos que mais lhe interessar de modo não linear.

De acordo com Luís Fernando, a obra auxilia na ampliação de novos horizontes ao leitor. “Essa publicação contribui trazendo uma nova visão sobre o voluntariado. Para as empresas interessadas em montar um programa de voluntariado corporativo, explica ainda o planejamento de uma ação assim e observa uma série de novas ferramentas que hoje estão sendo utilizadas. Também faz com que nós pensemos em um novo modelo de investimento social privado”, contextualizou.

Foram mapeadas 100 iniciativas ao redor do mundo, separadas em cinco eixos diferentes como: conexão, mobilidade, grau de Informação, sensibilidade às causas “Multi” (multitarefas, multicausas, multipessoas e multiculturas). Para selecionar as plataformas, foi necessário a colaboração de fóruns sobre o assunto, além de uma série de entrevistas com profissionais da área e publicações complementares, comentou Luiz.

Mónica falou sobre alguns países que mais se destacam por ações voluntárias. “De acordo com a minha experiência no quesito ações voluntárias, os anglo-saxões, a Inglaterra, Estados Unidos, Ásia, Correia, Japão, Índia, que inclusive é uma sociedade na qual a solidariedade é uma forma de viver, são muito solidários. Na América Latina, se destacam Brasil, Argentina e Colômbia, essas localidades são as mais criativas, pois se dedicam a coisas que normalmente não seriam notadas”, observou.

Conteúdo

O primeiro tópico Sociedade conectada a vida em rede traz artigos de especialistas da área sobre a revolução da informação, a hiperconectidade, os meios de comunicação e a vida em rede.

O próximo capítulo Tecnologias: os ciborgues somos nós explica sobre como as ferramentas de busca na internet interferem na nossa vida, faz uma reflexão sobre realidade virtual, explica o conceito de ciborgue e apresenta uma matéria sobre onde fica a internet.

Mónica também falou sobre algumas das ações voluntárias na América Latina que mais lhe chamou atenção. “Ocorreu uma inundação na Argentina e um grupo de pessoas se voluntariou para buscar os animais que foram perdidos no meio da enchente. Eles marcavam através das redes sociais encontros para levar os animais perdidos para a praça, assim seus donos tinham chance de buscá-los. Outro fato que merece ser lembrado pela simplicidade e pelo alto impacto foi o que aconteceu na Nova Zelândia, em 2011,quando houve um terremoto e um grupo de jovens queria colaborar com as vítimas dessa catástrofe. Então, eles se organizaram com várias bandas de rock para fazer um concerto, no qual o ingresso era 10 horas de trabalho voluntário praticado. Isso foi um grande sucesso”, relembrou a pesquisadora.

Mobilidade, uma questão contemporânea fala sobre quem são os nativos digitais, como as diferenças culturais afetam o uso dos dispositivos móveis, os números sobre o uso de telefones celulares e as tendências nas preferências dos usuários, além de algumas plataformas que auxiliam os usuários a monitorarem o desempenho governamental como, por exemplo, a Map kibera, a Safecast, e o Cidade Democrática.

Em Solidariedade e voluntariado na era digital, a ideia é apresentar um panorama de quem são os voluntariados, os mediadores da solidariedade, os tipos de voluntariado, um histórico, alguns mitos sobre o voluntariado on-line e o ciberativismo na América Latina. Também traz reflexões finais de alguns autores sobre o tema.

“Nós estamos no primeiro degrau da compreensão do quanto a tecnologia pode moldar a nossa sociedade. Nós não imaginamos a quantidade de formas possíveis que a tecnologia vai nos proporcionar para que possamos ajudar outras pessoas. Eu peço que as pessoas fiquem atentas às oportunidades, pois hoje em dia é possível mudar o mundo a um clique por vez”, concluiu Mónica Galiano.

Serviço:

Site da Fundação Telefônica: http://www.fundacaotelefonica.org.br/home/
A publicação está disponível no link: http://goo.gl/smDUJG
Título: Voluntariado Digital
Organizadora: Mónica Beatriz Galiano
Número de páginas: 130
Distribuição gratuita

Site do Cidade Democrática: http://www.cidadedemocratica.org.br/
Site do Safecast: http://blog.safecast.org/
Site do Map Kibera: http://mapkibera.org/


Texto Adriana Santana

Data original de publicação: 06/02/2015