Publicação explica brincadeiras para crianças de diferentes faixas etárias e colabora para o movimento de humanização da saúde

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Publicação aborda atividades lúdicas que contribuem para a criatividade das crianças

Contar histórias sempre é um momento propício para estimular a imaginação e o lado criativo. Com o objetivo de orientar os pais, os educadores e as pessoas interessadas nessa arte, a Associação Viva e Deixe Viver e o Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo (IPq) produziram e disponibilizam o Manual de Atividades Lúdicas. Trata-se de um guia em que mostra as diferentes opções de brincadeiras para cada faixa etária.

O fundador da entidade, Valdir Cimino, explicou que em 2006 a equipe da Associação iniciou a contação de histórias dentro do Ambulatório de Psiquiatria Infantil do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. “Não tínhamos visão de como desenvolver esse tipo de trabalho para crianças com transtornos mentais. Foi necessário primeiro entender as patologias para ver o que poderia ser feito”, contou.

A equipe da entidade trabalhou durante um ano nessa área no Hospital das Clínicas, porém pela dificuldade em entender as mudanças de comportamento dos pacientes surgiu a necessidade de entender o contexto todo da criança, sua família e suas necessidades. A partir daí, um grupo de profissionais de saúde do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo desenvolveu uma pesquisa chamada O brincar como atividade terapêutica nos tratamentos psiquiátricos de crianças e adolescentes.

O objetivo principal dessa pesquisa qualitativa e quantitativa feita com os cuidadores dos pacientes em atendimento psiquiátrico no Ambulatório e Hospital Dia Infantil do Serviço de Psiquiatria da Infância e Adolescência foi compreender o processo do brincar deles.

“Queríamos entender de onde essa criança veio, o que ela entende por brincadeiras. Nós nos surpreendemos com as respostas”. A mãe foi apontada como principal informante, representadas em 89% dos casos. No total, foram 65 crianças e adolescentes, sendo 70% do sexo masculino e 30% do feminino. Ela também é principal cuidadora. Em nenhum caso o pai apareceu como principal cuidador. “Essa decisão de conversar com a mãe foi bem interessante, por ter sido um trabalho de resgate de sua memória, de sua história. Abordamos brincadeiras de sua infância, suas experiências durante e após durante a escola”, afirmou.

Importante destacar que esse estudo foi aplicado em três fases. A primeira foi o desenvolvimento da pesquisa mista. Depois dessa etapa, Valdir contou que a equipe responsável viu a necessidade de mostrar aos funcionários do Instituto quem é essa mãe. Para isso, foi realizada uma grande amostragem que estimulou inclusive os funcionários a lembrarem suas brincadeiras de infância e analisarem como eles vêem o brincar dentro da instituição.

No próximo ano, será desenvolvida a terceira fase, com o estudo do comportamento dessa criança. Essa etapa também levantará alguns objetivos, após implantação da brinquedoteca terapêutica do IPq: investigar o processo do brincar de crianças e adolescentes em tratamento psiquiátrico; avaliar o interesse pelo brincar e pela contação de histórias de pais e acompanhantes; observar o brincar destes pacientes; identificar as patologias do brincar para facilitar os processos de interação dos pacientes com os brinquedos; e propor intervenções na brinquedoteca do hospital ou em casa (terapia filial), com foco nas necessidades específicas dos pacientes, por meio do brincar e da contação de histórias.

O Manual de Atividades Lúdicas tem um papel de atender a família, paciente atendido do IPQ e todas as crianças. A publicação apresenta como brincar é essencial ao desenvolvimento humano, sugere atividades, quando e como optar a atividade, as categorias de brinquedos adequadas para cada fase de desenvolvimento e o livro como brinquedo. “É muito importante observar e conversar com a criança. Deixá-la sentir e descobrir o brinquedo. Hoje é bem comum, nesses tempos modernos, os pais incluírem várias atividades na agenda das crianças. Por outro lado, os pais sentem muita dificuldade para brincar no dia a dia”, afirma.

Valdir informou ainda que essa publicação será distribuída no Conselho Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente, nas escolas públicas e hospitais. “Acho que todos os educadores precisam desse tipo de ajuda. O professor precisa hoje de ferramentas para poder fazer essa integração”, opina.

No próximo ano, a entidade completa 15 anos. É uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP) responsável por treinar e capacitar voluntários para se tornarem contadores de histórias em hospitais a crianças e adolescentes internados. Atualmente atua em 83 hospitais do País, sendo 30 apenas do Estado de São Paulo.

Serviço:

Clique aqui para acessar o Manual de Atividades Lúdicas. Acesse outros estudos feitos pela entidade.