Publicação aborda a educação integral para a sustentabilidade

CapadoLivroEducacaoSustentabilidadeNecaSetubalPensar na formação integral do cidadão para o século XXI foi um dos principais estímulos para a criação da publicação Educação e Sustentabilidade – Princípios e Valores para a Formação de Educadores, de Maria Alice Setubal, pela Editora Peirópolis. Lançado em 17 de junho, o livro pretende contribuir na teoria e prática a formação de sustentabilidade nos diferentes espaços educativos a crianças, adolescentes e jovens.

Para mostrar os diferentes segmentos, o livro é dividido nos seguintes temas: educação e sustentabilidade; equidade, justiça social e cultura de paz; diálogo e diversidade; como formar cidadãos do século XXI e novas formas de aprender e de ensinar. Em 192 páginas, a publicação é resultado das rodas de conversas e debates do projeto Educar na Cidade, coordenador pelo Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (Cenpec), que tinha como objetivo refletir e produzir conhecimento sobre os princípios e valores para a educação do século XXI: sustentabilidade, equidade, diversidade cultural, educação para a paz, participação e cidadania e novas formas de educar e aprender.

A autora é presidente da Fundação Tide Setubal e do Centro de Estudos e Pesquisa em Educação, Cultura e Ação Comunitária (Cenpec). Maria Alice compartilhou que a publicação é resultado do material coletado e sistematizado das seis rodas de conversas entre diferentes especialistas e as comunidades envolvidas, além de entrevistas feita com organizações da zona leste que atuam com essas questões direta e indiretamente.

No primeiro capítulo Educação e Sustentabilidade, o leitor vai encontrar uma contextualização sobre sustentabilidade e os principais momentos políticos que marcaram esse movimento. Há ainda uma explicação dos conceitos de sustentabilidade: ambiental, social, econômica, política e cultural. Cita ainda alguns projetos da área de educação em que valoriza práticas ambientais. Dessa forma, há uma explicação sobre como seria uma escola sustentável, mostrando as propostas do pedagogo Moacir Gadotti baseada em seis referenciais: segurança alimentar, energia e tecnologia limpa, interação humana, economia local, água e sustentabilidade. Ainda oferece práticas educativas alinhadas com esse conceito, coletivos que oferecem diferentes projetos e trabalhos de organizações comunitárias. “A educação da sustentabilidade ainda fica muito restrita na educação ambiental. A sustentabilidade, como eu entendo, é muito amplo, em que articula vários outros conceitos”.

Já o segundo Equidade, justiça social e cultura de paz traz logo no início dados de três pesquisas: Retrato das desigualdades de gênero e raça, realizado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), de 2011; Síntese de Indicadores Sociais – uma análise das condições de vida da população brasileira, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, de 2012; e O direito de aprender: potencializar avanços e reduzir desigualdade, do Unicef, de 2009. Essas publicações mostram as desigualdades sociais que existem no país: de cada cem crianças em famílias não vulneráveis, oitenta vão completar o ensino fundamental na idade correta, já as crianças de famílias vulneráveis, a situação muda para de cada cem crianças, somente cinco vão se formar no ensino fundamental na idade adequada.

Além dos dados, a autora ainda inclui a política de cotas, políticas educacionais do Ceará, as práticas das redes de ensino público estadual e municipal de Teresina. Ainda no ambiente das escolas, o capítulo também aborda a violência. Para ilustrar essa situação, foi citada a pesquisa Violência das escolas: o olhar dos professores, realizada pelo Sindicato dos Professores do Ensino Oficial de São Paulo, em 2013: quatro em cada 10 educadores (44%) já sofreram algum tipo de violência nesse espaço; e a principal queixa é a agressão verbal (39%), mas 5% deles já foram vítimas de violência física. Apresentou ainda o trabalho de uma organização em uma comunidade da zona leste da capital paulista que dialoga muito com a população local que contribui para uma convivência mais pacífica. Programa do Centro de Defesa da Criança e do Adolescente (Cedeca) Sapopemba também foi explicado por desenvolver atividades culturais e artísticas com crianças e adolescentes naquela região.

É interessante observar que todos os capítulos o leitor irá encontrar almanaque (explicação de conceitos e expressões da área abordada), diálogos com o território (práticas da comunidade), conhecimentos entrelaçados (dicas de livros, documentários, filmes, sites, blogs, cartilhas, documentos e fan pages), conexões culturais e saberes populares (experiências e iniciativas populares) e referências bibliográficas (nome completo dos livros de autores citados no capítulo).

Segundo Maria Alice, a ideia da publicação é que sirva de apoio para quem está formando crianças e jovens, ou seja, educadores sociais, professores e outros profissionais que atuam em pastorais e coletivos. “Buscamos um formato mais amplo dentro da educação, especialmente na educação integral. Todas essas questões estão conectadas em seu aspecto físico, cognitivo, estético e emocional. No último capítulo, há um pressuposto de ensinar novas formas de aprender, uma escola aberta ao território inserindo essas questões mais atuais”.

A autora ainda ressaltou que é importante refletir como pode e deve fazer com que esses temas sejam discutidos no currículo formal da escola. “Agora é hora de trabalhar a cidadania. O professor precisa conseguir interagir com seus alunos num diálogo, mais participativo e buscar esses temas para dentro da sala de aula. Por outro lado, esses profissionais não foram formados, sentem medo e não sabem como lidar com essas questões. Dessa forma, o livro pretende dar apoio nesse processo”.

A presidente da Fundação Tide Setubal comentou sobre o plano nacional de educação, em que reúne as metas e os objetivos dessa área. “Temos que resolver todos esses problemas e precisa do apoio da sociedade”, afirmou. Ela ainda ressaltou que a formação da criança é para agora. Em sua visão, é necessário fazer duas coisas ao mesmo tempo: resolver as precariedades e melhorar a aprendizagem com os valores do século XXI.

Serviço:

Título: Educação e Sustentabilidade – Princípios e Valores para a Formação de Educadores
Autora: Maria Alice Setubal
Número de páginas: 192
Valor sugerido: R$ 42


Crédito do texto: Susana Sarmiento