Projeto sensibiliza pessoas brancas para educação antirracista

Educadora publica reflexões e diálogos para incentivar atitudes inclusivas e mais responsáveis no combate ao racismo.

Ilustração com Capa da publicação Ei, você, cara pálida! - Se assim como eu, você também se propõe a ser antirracista, vamos agir juntos? Agora? @priscilasantos769
A programação do próximo mês é homenagear os professores, apresentando atitudes antirracistas nas situações em sala de aula e na escola (crédito da imagem: Nailane Almeida)

“Sempre publiquei as falas de Pedro Augusto, meu filho de cinco anos, e uma das leituras do livro do Emicida, Amoras, em uma página sobre Zumbi dos Palmares, comentei que ele protegia os negros e as pessoas fugitivas, já que outras pessoas as perseguiam. Ele virou e me perguntou: e você é de qual time? Você é branca. Naquele momento, a minha ficha caiu”, conta Priscila dos Santos, educadora, contadora de histórias. A partir daí ela decidiu criar um projeto para dialogar com pessoas brancas sobre racismo. A fase de sensibilização teve oito publicações chamado Ei, você, cara pálida! abordando a educação antirracista em suas redes sociais (Facebook e Instagram).

Priscila conta com a curadoria de Eliad Dias dos Santos, teóloga e ativista na defesa de direitos, na escolha e supervisão dos assuntos, reflexões, vídeos indicados e textos publicados. Neste mês de setembro, a dupla está organizada para fazer quatro publicações, uma por semana, sobre o tema: Enegrecendo nossas referências. “A ideia central sempre é instigar esse olhar, principalmente na educação das crianças brancas”, pontua Priscila.

A iniciativa começou em maio deste ano, mas foi lançada mesmo em 09 de julho, dia do aniversário de Pedro Augusto. A partir daí todas as quintas são feitas postagens para falar sobre esses temas tão pertinentes nos dias de hoje. “A intenção é conversar com pessoas brancas. Precisamos mudar realidade juntos”, defende a educadora.

A equipe é formada por mulheres negras (Eliad na curadoria, Monica na revisão e Nailane designer), exceto Priscila. “Esses olhares nos auxiliam para não sermos levianas e contribui para a reflexão da pessoa branca”, esclarece a educadora.

Eliad explica que a iniciativa dialoga com o racismo do cotidiano. Dessa forma, os exemplos do dia a dia tocam a todos. “Não adianta falar sobre o que está longe. Por que o caso de George Floyd chamou tanta atenção aqui? Pela questão da polícia. Isso também nos toca profundamente no Brasil. Sabemos que a polícia trata de um jeito as pessoas das periferias e de outra forma a população de bairros ricos. Falamos de situações para o leitor perceber quando entra num restaurante e vê quantas pessoas negras estão ali, trabalhando e que são clientes. Observar o dia a dia é a melhor forma e mais educativa”.

Priscila complementa que as publicações pretendem colocar o branco no lugar que ele nunca se vê, de um jeito leve e claro. “Sempre vou pelo viés da criança. No final de cada postagem, tem um apelo para criança e o futuro que queremos para ela: naturalizar o que é diverso”.

Priscila e Eliad compartilharam que pretendem promover cursos e conversas com famílias sobre o tema e professores de escolas públicas e privadas. O livro intitulado Deixa eu te conta apresenta as falas de Pedro Augusto e Mariana (filha de Flavio, que também é um grande parceiro neste projeto) já está a caminho para ser publicado, cujo ganho subsidiará as iniciativas do projeto. Baseada nessas conversas e encontros, planejam ainda publicar um livro sobre educação antirracista com foco nas famílias. “Você não precisa ser mãe para ter essas atitudes. Elas são diárias. Ter essa postura diferente é uma questão inclusiva”, defende a educadora.

Para conhecer a iniciativa, os interessados podem baixar aqui o PDF: http://bit.ly/EbookEiVoceCaraPalida