Alunos do Senac produzem city tour inclusivo e sustentável

Alunos do técnico em Administração, do Senac São José dos Campos, desenvolvem projeto com três eixos: tecnologia, sustentabilidade e inclusão.

Foto de um grupo de pessoas sentadas em um pátio.
Alunos e integrantes da Diretoria de Turismo na síntese do projeto. (crédito da imagem: Jair Gustavo de Mello Torres)

São José dos Campos está entre as 30 cidades mais inteligentes do país, segundo o ranking Connected Smart Cities 2019. Alinhado com esse tema de Cidades Inteligentes, estudantes do curso técnico em Administração do Senac São José dos Campos realizaram como trabalho final um projeto de city tour, um passeio turístico com quatro opções de roteiros na cidade. Essa ação foi realizada do início de setembro até início de novembro.
Esse projeto conta com apoio da Secretaria de Inovação e Desenvolvimento Econômico e da Secretaria de Mobilidade Urbana e Departamento de Turismo, da Prefeitura Municipal de São José dos Campos.

Alinhado com o tripé de tecnologia, sustentabilidade e inclusão, o projeto oferece aplicativo com os roteiros disponíveis no city tour com fotos, informações, vídeos e mapa no formato Google Maps dos roteiros; formulário de cadastro e avaliação dos passeios via QR Code no ônibus, proposta de uso de biodiesel nos ônibus (os alunos calcularam a pegada ecológica de todos os roteiros, calculando o total de CO2 produzido) e entrega aos participantes dos passeios sementes de hortaliças. Já na parte de inclusão: vídeos em Libras sobre os locais visitados em cada um dos roteiros para disponibilização em aplicativo, mapa tátil para pessoas com deficiência visual desses espaços, livretos em braile dos materiais impressos do passeio e do Conselho Municipal de Turismo. Os alunos entregaram um livreto impresso em libras para a diretora de turismo.

A ação proporcionou ao viajante uma experiência completa de cada novo destino ao integrá-lo com a comunidade local, considerando o desenvolvimento sustentável (ambiental, econômico e social) da região, por meio de tecnologias e soluções digitais inovadoras.

O docente de Gestão e Negócios Jair Gustavo de Mello Torres esclareceu que já trabalha com o tema Cidade Educadora em suas aulas e projetos, relacionado com as metas dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODSs). No ano passado, ele realizou um projeto de mobilidade no bairro da cidade com estudantes dos cursos técnicos em Administração e Logística.

Preparo do projeto

Foto de professor dando palestra em sala de aula.
Pesquisador Luca Mammoli apresenta mapas táteis feitos na UNB. (crédito da imagem: Jair Gustavo de Mello Torres)

A proposta do projeto foi acordada entre alunos, docente e diretoria do turismo da cidade. Jair explica que uma cidade inteligente é: “formada por pessoas inteligentes, ou seja, precisamos preparar nosso aluno para fazer parte dessa nova realidade, desse novo ecossistema. É importante que nosso aluno tenha desenvolvido competências para essa nova realidade”.

Para isso, os estudantes tiveram que coletar dados e informações necessários para a elaboração do projeto; acompanhar a execução das atividades previstas nos planos de ação, monitorando os indicadores; sistematizar os dados levantados para a produção dos relatórios; seguir a tramitação das informações para viabilizar a comunicação entre os stakeholderes e em conformidade com as ações e prazos estabelecidos.

Foto de alunos visitando área externa do MAB com aviões na pista.
Alunos durante o city tour do MAB. (crédito: Jair Gustavo de Mello)

Os alunos visitaram o Memorial Aeroespacial Brasileiro (MAB), do Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial e tem o objetivo de preservar a história da indústria aeroespacial do país, e o Parque Vicentina Aranha, localizado no centro da cidade e é um patrimônio histórico tombado, no início de setembro. Fotografaram, coletaram dados e entrevistaram pessoas nesses locais, além de city tour em ônibus climatizado com guias de turismo.

Após essas atividades, os alunos se dividiram em grupos para o desenvolvimento de soluções. Eles usaram o Project Management Body of Knowledge (PMBOK), uma das ferramentas de gestão de projetos. Também foi utilizada a metodologia Living Lab (laboratório vivo) – uma metodologia móvel de inovação em que enfatiza a cocriação de projetos com as partes envolvidas e testes em ambientes reais de uso.

Carolina Polli, 19 anos, aluna do ensino médio, compartilha que o projeto possibilitou aplicar na prática toda a teoria que foi ensinada durante as aulas. “As pesquisas possibilitaram descobrir coisas desconhecidas de locais frequentados diariamente. A sustentabilidade foi o tema de melhoria do meu grupo. É interessante conhecer a cidade que eu moro há 19 anos e muito gratificante saber que o que propomos foi bem aceito e pode ser realmente aplicado”.

Daiane Carvalho, 20 anos e aluna do ensino médio, participou do grupo de inclusão no projeto. Ela chama atenção para a visão de turismo nesse trabalho: “não se baseia apenas em lazer, mas em um leque de conhecimento, cultura, costumes diversos e experiências únicas vividas pelos turistas”. Ela explica ainda que a preocupação foi de que todos tivessem atitude empática com o outro. “O outro não é igual a você, mas precisa vivenciar as mesmas experiências, por isso, acessibilidade se torna obrigatória em todos os quesitos, seja no turismo, no acesso à cultura e no dia a dia”.

Foto de mapa tátil de uma das área da UNB.
Mapa tátil produzido na UNB. (crédito: Jair Gutavo de Mello Torres)

Ainda ocorreu uma conversa com o geógrafo Luca Mammoli, pesquisador da Universidade de Brasília (UNB), intermediado pelo Clube de Ciências do Senac São José dos Campos. O estudioso desenvolveu o primeiro mapa tátil tridimensional da UNB. Esse recurso de acessibilidade para estudantes cegos ou com baixa visão abrange parte da área norte do campus Darcy Ribeiro em Brasília. Feitos em impressora 3D, os alunos conheceram o processo de elaboração e exemplos físicos desses mapas.

“O city tour pela cidade foi o ponto de partida. Muitos deles, apesar de viverem em São José dos Campos há muitos anos, não conheciam alguns pontos visitados nem sob essa perspectiva apresentada. O eixo de inclusão foi o que mais despertou curiosidade e engajamento dos alunos, gerando o maior número de propostas de soluções”, observa o docente Jair.

Foto de jovens atravessando faixa de pedestres na entrada do Parque Vicentina Aranha.
City tour no Parque Vicentina Aranha. (crédito: Jair Gustavo de Mello Torres)

Em 5 de novembro, os estudantes apresentaram os resultados para o Departamento de Turismo de São José dos Campos, com a presença da diretora Aline Arantes, o estagiário Fábio e a guia do city tour Elaine Cristina dos Santos.

Os alunos continuarão o projeto junto com a Diretoria de Turismo para a finalização e integração do aplicativo e a elaboração do mapa tátil.