Inclusão: da sala de aula ao mercado de trabalho

Na última sexta-feira, diferentes profissionais do Senac São Paulo falaram sobre as experiências em sala de aula, biblioteca e outros espaços da instituição.

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Estande do Senac São Paulo contava com livros da área, funcionários de recursos humanos da instituição e profissionais com deficiência para esclarecer dúvidas. (crédito da imagem: Andreza Matsumoto/SenacSãoPaulo)

Inclusão de pessoas com deficiências no ambiente educativo foi o eixo central das palestras na tarde do segundo dia no estande do Senac São Paulo na Feira Internacional de Tecnologias em Reabilitação, Inclusão e Acessibilidade – Reatech 2019, que ocorreu entre os dias 13 e 16 de junho, no São Paulo Expo Exhibition & Convention Center. Com o tema A Inclusão Deixa a Vida Colorida, o evento é um dos principais do segmento na América Latina.

Com o tema Inclusão de Pessoas com Deficiência Intelectual para o Mundo do Trabalho, a docente Luciana Midori Kadomoto Bezerra, psicóloga com pós-graduação em Educação Inclusiva e Deficiência Intelectual pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e militante pela inclusão e desenvolvimento da pessoa com deficiência desde 2004, contextualizou a falta de informações e práticas para incluir pessoas com esse tipo de deficiência e enfatizou a importância de uma metodologia para acompanhar o dia a dia.

“É fundamental se colocar no lugar deles. Precisamos unir as competências com as habilidades do profissional”. Ressaltou ainda sobre a importância de criar estratégias ao processo de aprendizagem e treinamento voltado para o desenvolvimento do jovem no ambiente de trabalho. Para isso, ela comentou a presença do tutor no grupo de trabalho, que pode ser viabilizado por meio dos consultores do emprego apoiado da Associação Nacional do Emprego Apoiado: “Os consultores são aqueles que irão alinhar as atividades, conforme a pessoa com deficiência vai aprendendo uma atividade dentro da sua função dentro da organização”.

Um dos desafios apontados pela psicóloga foi o baixo índice de alfabetização desse público. “Os profissionais da instituição sabem o que estão fazendo por mais que não seja alfabetizado o aluno”, respondeu Luciana e defendeu o trabalho em equipe e bem alinhado para bons resultados na prática.

Ensino superior

A segunda palestra foi focada em um case: Conhecimento e Inclusão no Centro Universitário Senac – Santo Amaro. A apresentação abordou como ocorre a educação inclusiva no ensino superior, suas práticas, estratégias e soluções para atender alunos com deficiência, além do Espaço Acessibilidade. Para falar sobre esse tema, estiveram presentes: Camila Franzin Trajano, pós-graduada em Educação Corporativa pelo Centro Universitário Senac – SP, graduada em Pedagogia pela Faculdade Metropolitanas Unidas (FMU) e responsável pelo Espaço Acessibilidade do campus; e Daniela Montesano, mestre em Psicologia pelo Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (IP -USP), graduada em Psicologia pela PUC-SP e coordena o Serviço de Acessibilidade e Apoio Psicopedagógico no campus desde 2011.

Daniela mostrou que a estrutura envolve apoio ao aluno em recursos de acessibilidade, adaptações pedagógicas e arquitetônicas, e procedimentos educacionais. Ainda oferece o apoio ao estudante via Serviço de Acessibilidade e Apoio Psicopedagógico (SAAP), que serve para acompanhar o aluno em sua formação acadêmica e atende em: atuação psicopedagógico, psicológico e orientação profissional. No vestibular, por exemplo, o estudante informa o tipo de deficiência e a instituição procura atender as famílias e os materiais necessários para ele realizar a prova. Antes dele ingressar ao curso, pode conversar com a equipe coordenadora do curso para informar o tipo de atendimento que precisa.

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Daniela mostra as ações da Semana da Cidadania no Centro Universitário Senac – Santo Amaro. (crédito da imagem: Susana Sarmiento)

Camila explicou o que é produzido de material inclusivo no Espaço Acessibilidade locado na biblioteca do campus. Impressora braile, acervo acessível, máquina fusor que faz relevo, mapas táteis, brinquedos, programas acessíveis e lupa eletrônica estão disponíveis para toda a comunidade, não somente alunos e funcionários.

Camila e Daniela apresentaram o que o campus oferece para casos de deficiência visual, auditiva e intelectual. Na visual, o aluno pode contar com: acesso à internet por meio de programas de acessibilidade, uso de computador em sala com programas específico, auxílios ópticos em sala e avaliações (lupa, por exemplo), materiais ampliados ou em braile, permissão de gravação das aulas, ledor (pessoa para ler o material para o aluno), transcritor (pessoa para escrever o conteúdo), atendimento educacional especializado para disciplina específica como reforço da aprendizagem e dupla docência.

Na auditiva, oferece: tradutor e intérprete de Libras durante as aulas, na orientação das regras das provas, testes, processo seletivo e na realização e revisão de avaliações, complementando a avaliação expressa em texto escrito; ledor e/ou transcritor; orientação aos professores a adotar flexibilidade na correção das provas escritas valorizando o conteúdo semântico; estímulo ao aprendizado de língua portuguesa; orientação aos professores com acesso à literatura e informações sobre especificidade linguística da pessoa com deficiência auditiva; materiais de apoio com textos, PPTs e outros recursos usados na sala com antecedência; e oferta do curso de Libras para os alunos como disciplina optativa. Na intelectual, pode ser utilizado: acompanhamento de mediador em sala de aula, ledor e/ou transcritor, materiais de apoio como textos, PPTs, ou outros recursos utilizados em sala são disponibilizados com antecedência para estudo prévio, tempo ampliado para a realização de provas, dupla docência, plano especial da matriz curricular e/ou prazo diferenciado para a conclusão das atividades acadêmicas, elaborados pelo estudante, coordenador, SAAP e homologado pelo colegiado respectivo, certificação intermediária, entre outras práticas.

O campus ainda possui um Comitê de Inclusão e Diversidade com ações acadêmicas e administrativas. “Não é porque a pessoa é cega, ela sabe braile. Ou surda e se comunica por Libras. Cada caso é um caso. Por isso, fazemos a entrevista antes para entender justamente as necessidades de cada aluno”, pontuou Daniela.

Stangram: experiência com estêncil

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Oficina de Estêncil no estante do Senac São Paulo. (crédito da imagem: Susana Sarmiento)

O artista urbano Augusto Pereira de Paula ministrou oficina de estêncil com formas geométricas do antigo quebra-cabeça chinês Tangram. Augusto atua como oficineiro de grafite em escolas e projetos sociais no Vale do Ribeira (SP) e integrante da equipe da biblioteca no Senac Registro. Sua oficina lotou e cada participante fez de dois a três desenhos. No total, foram cerca de 25 pinturas, coloridas e de diferentes formatos.

Um Designer em Quatro Rodas

Paulo Barreto é designer, arquiteto, pintor e desenhista. Cadeirante, o professor do CAS trouxe um panorama de três projetos que desenvolveu a partir de 2010 para a rampa de acesso ao metrô na última palestra do dia. No ano de 2016, ele e sua equipe descobriram um novo conceito de rampa para atender a todos, envolvendo um estudo de altura com plataforma. Depois os estudos foram para as rodinhas da cadeira de rodas para ajudar na mobilidade mais suave. Sua equipe ainda desenvolveu uma estrutura de madeira para acomodar cadeira em um carro pequeno.

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Professor Paulo mostra a proposta de construção de cada projeto de sua equipe. (crédito da imagem: Susana Sarmiento)

Nas últimas imagens, o designer mostrou um novo conceito com rodas dianteiras dobráveis para servir como amortecedor nas caçadas muito irregulares. Elas absorvem o impacto para evitar o famoso tranco. Esse modelo é feito em silicone e fibra de vidro em 3D. Depois mostrou experiências de rodas em fibra de carbono e, por fim, protótipo em polipropileno. No final, Paulo mostrou a cadeira chamada LCC, com designer moderno e com as soluções adotadas para melhor mobilidade e conta com uma caixa embaixo do assento.

Reatech

Organizada e promovida pela Cipa Fiera Milano, a iniciativa reúne expositores de diversos segmentos, como agências de emprego, fabricantes de cadeiras de rodas, veículos adaptados para pessoas com deficiência física, entre outros. O Senac São Paulo participou da feira, com diferentes atividades gratuitas ao público no estande da instituição e nos seminários Reasem, Reashow e Reamed.

Acesse aqui para conhecer o evento: https://reatechbrasil.com.br/16/

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