Produção cultural e intelectual de negros na Conferência Ethos 2018

Designer, ilustrador e editor comentam suas trajetórias e ressaltam importância de negros no mercado e na produção de obras literárias e de arte.

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Diferentes profissional mostram como suas produções colaboram para diversidade sociocultural. (crédito da imagem: Susana Sarmiento)

O que estão produzindo? Como estão produzindo? E quais os principais desafios hoje em dia? Essas foram as principais questões respondidas por designer multimídia, cartunista e editora negros para um dos painéis na tarde do primeiro dia da Conferência Ethos 2018 (25/09), na Expo Barra Funda em São Paulo.

Rejane Romano, coordenadora de comunicação do Instituto Ethos, comentou com público o que ela pensou quando recebeu o convite para mediar a mesa A valorização da produção cultural e intelectual de negros e negras e a visibilidade como parte da solução: 1º) veio o conceito e fenômeno de etnocídio e 2º) a trajetória do Instituto Ethos em levantar dados para estudos relacionados com a inclusão de afrodescendentes, como o Perfil Social, Racial e de Gênero das 500 maiores empresas do Brasil e suas ações afirmativas.

“Os dados mostram que quanto maior o cargo hierárquico, nós, negros, vamos demorar 150 anos para ter igualdade. Estamos evoluindo em que passos? E de que forma?” Rejane foi a mediadora dessa conversa com: Vagner Amaro, co-fundador e editora da Editora Malé; Junião, cartunista e ilustrador; e Ogá Mendonça, designer multimídia.

Vagner compartilhou seu contato com as histórias de literatura negra e observou muitos os escritores negros do século XIX e depois um grande intervalo até surgir o nome de Abdias Nascimento com obras para peças de teatro na época da ditadura militar aqui no Brasil. Em 1977 só foram publicados três romances de autores negros. “Nesse momento, observei que precisava buscar essa biodiversidade cultural. Ter editoras de resistência, que busquem pela transformação social e precisa crescer muito para mudar essa situação”, alertou o palestrante e ainda avisou que há autores bem preparados que só necessitam de recursos.

A Editora Malê foi criada em 2005 por Vagner, bibliotecário de formação e bom leitor, já se atentava que não havia autores negros, porque os livros não chegavam nas bibliotecas. “A ideia é criar editora para ganhar visibilidade a esses autores e poderia fazer caminho inverso. Tudo para enriquecer o imaginário, empoderar e focar em outros autores”.

Junião, formado em Artes Visuais, comentou como foi influenciado por sua família por valorizar a arte e a cultura negra. Sempre foi estimulado a desenhar e continuou até jovem com essa prática. Foi para universidade e conseguiu emprego num jornal. A partir daí ele se tornou ilustrador e se mudou de Campinas para São Paulo. Atua com jornalismo ilustrado desde 1994. Já produziu em grandes veículos, sites, aplicativos e mercados editoriais. Atualmente atua na Ponte Jornalismo (https://ponte.org/) “Na empresa, não se valoriza produção cultural e eu preciso respirar”, afirmou Junião sobre sua produção em veículos.

Já Ogá Mendonça, designer e multimídia, disse que o movimento atual de ocupação do espaço está ocorrendo por meio de hackeamento. “Eu uso da minha empatia para conquistar os espaços aonde percorro”, comentou sobre o processo natural de networking que depende em algumas situações de carisma e luta.

Seu pai foi contador e ele se lembrou como foi estimulado a ler e desenhar. Fez formação técnica em Artes Gráficas no SENAI. Com 16 anos, conseguiu ter contato com a equipe de redação da extinta revista Carícia, da Editora Abril, e viu o que queria para sua vida profissional: designer gráfico. Depois da Editora Abril, trabalhou na Editora Globo.
Atualmente atua em projetos como freelance. “Esse jeito de mostrar o nosso trabalho mudou e está cada vez mais fácil divulgar nas redes sociais”, opinou sobre a comunicação de peças em plataformas digitais.

Nos dias 25 e 26 de setembro, Instituto Ethos promoveu diálogos sobre direitos humanos, integridade, meio ambiente, tecnologia, compliance, gestão sustentáveis, empresas e negócios, empreendedorismo e economia. Foram seis palcos simultâneos com diferentes temas no Expo Barra Funda, além de mostrar a trajetória da organização desde sua fundação.

Veja aqui o que ocorreu na Conferência Ethos 2018 – 20 anos: https://www.conferenciaethos.org/saopaulo