Presidente da Fundação Ford ressalta honestidade nas relações

12932866_1323854890961864_4232231519572641584_n“A nossa função é ouvir nossos parceiros com humildade. Quais são as prioridades deles? É ter uma sociedade civil forte e vibrante. Muitos de nós usam o impacto social como se fosse um contratado nosso. O nosso papel é dar voz para as pessoas que em geral são deixadas de lado e apoiar suas ideias”, afirmou Darren Walker, presidente da Fundação Ford, na conferência especial Filantropia e Desigualdades, promovida na 9ª edição do Congresso GIFE na Fecomercio no centro de São Paulo. A mediadora foi Laura Greenhalgh, responsável pela Arq. Futuro, uma plataforma de conteúdo voltada para o debate público sobre o futuro das nossas cidades.

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Darren à esquerda e Laura à direita

Darren contou que em 1952 na África do Sul, mesmo com novas leis e ainda com o regime de apartheid, ele participou de um processo de investimento de engajamento e direcionou doações para esse país durante 40 anos. “Se nós tivéssemos feito avaliação do programa, teria métricas e falar o que levaríamos. Era a coisa certa a fazer para se preocupar mais com justiça e métrica quantificável”, disse.

Laura questionou a importância de capacitação das instituições e como isso poderia ser transferido. Para o presidente da Fundação Ford, essas organizações são voláteis e é importante focar no produto do projeto. “Há métricas bem claras. É importante focar mais nas realizações. No final das contas, existe um ecossistema muito forte e tem que entender tudo isso, investir nisso porque dará retorno”, previu.

Laura comentou sobre sua entrevista publicada em janeiro deste ano no New Yorker e perguntou sobre a consulta de avaliação que ele promoveu na organização após um ano com sua gestão. “Qualquer pessoa que trabalha numa posição alta se torna atraente… você mesmo pode acreditar nisso, elas não lhe dizem a verdade”. Para estimular um diálogo franco com seus colaboradores, Darren escreveu um texto sobre isso a todos os funcionários da organização e nos primeiros meses depois criou um comitê de governança. No primeiro formato, só havia colocado gerentes. Uma funcionária com cargo mais baixo reclamou de ser um grupo fechado e pedia a entrada de pessoas de outros níveis hierárquicos. Ele entendeu a pertinência da crítica e mudou o formato após essa sugestão. “Isso mostrava o meu elitismo”, ressaltou.

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“Quando se tira a esperança das pessoas, vem raiva, frustração, todas as coisas disfuncionais e negatividades que vemos crescendo cada vez mais”, afirmou Darren

O palestrante internacional ainda comentou que as classes mais altas estão ganhando muito dinheiro e têm o papel sim de contribuir as condições de vida dos mais pobres.
“Eu sei bem como é ter e não ter dinheiro. Aqueles de nós que possuem privilégios e com segurança financeira como estão usando os privilégios. Estamos rompendo nossos privilégios? Tenho esperança de muitas pessoas privilegiadas estarem interessadas em termos a democracia com mais pessoas vivendo com dignidade”, afirmou enfatizando que muitas coisas costumam dar certo para quem vive dessa forma e nessas condições e exemplificou com a quantidade de pessoas sem teto que ficam nos parques e ninguém para cuidá-las.

Na opinião de Darren, as classes mais altas estão produzindo a mesma exclusão do analógico para o virtual. É necessário reconhecer os direitos civis digitais. Ele ainda chamou atenção para a juventude de 16 a 29 anos de idade, já que representa 65% da população de muitos países e estão se transformando. “Não sabemos como estão os jovens nos diferentes países”, ressaltou.

Darren também comentou que é importante aguçar as pessoas para sua imaginação criativa. Apesar de ter origem pobre, ele sempre teve contato com bons livros doados por uma família muito rica, que também dava roupas, brinquedos e revistas. “Não podia ir ao museu naquela época, mas fui capaz de transportar esse conteúdo para minha vida diária e pensar sobre coisas imaginárias, que me permitiram sonhar. E as pessoas que vivem à margem da sociedade precisam dessa imaginação criativa. Os pobres necessitam também alimentar sua alma”, defendeu.

O presidente da Fundação Ford também reforçou aos participantes do evento para não se desanimarem com a situação econômica e política que vive o Brasil. “O Brasil vai se sair bem e tem todos os ingredientes para conseguir revolver pelo processo democrático. Eu tenho esperança. Esse foi o mote na Guerra Civil dos Estados Unidos e a democracia prevaleceu”.


Serviço:

Confira o site do evento: http://congressogife.org.br/2016/
Veja aqui cobertura dos debates: http://gife.org.br/

Confira cobertura completa:

Investidores, especialistas e representantes de organizações da sociedade civil se reuniram na plenária final para verem as propostas finais da área de investimento social privado

Em atividade prática, participantes falaram de desafios, atividades do dia a dia e diálogo entre atores do investimento social privado e organizações

Para garantir um jornalismo independente, é necessário ter independência financeira e diferentes modelos de negócios

Debate fala sobre papel e atuação de aplicativos e plataformas que contribuem na inovação da política

Qualificação do debate político e fortalecimento de diálogo entre atores foram os pontos principais na abertura do 9º Congresso GIFE


Fotos: Divulgação

Data original da publicação: 05/04/2016