Prêmio ECO AMCHAM tem aumento de 25% nas inscrições

Premiação completa 35 anos de trajetória na área socioambiental e reconhece ações de atores da área privada.

Prêmio ECO Amcham tem aumento de 25% de aumento nas inscrições
Premiação completa 35 anos de existência ( crédito da imagem: Susana Sarmiento)

“O impossível não existe”, afirma a coordenadora de sustentabilidade da AMCHAM São Paulo durante a abertura da cerimônia do Prêmio ECO AMCHAM que completa 35 anos de trajetória. Neste ano 83 empresas inscreveram 102 trabalhos. “25% maior que da edição anterior. Temos aqui casos de inovação e práticas sustentáveis foram as características mais marcantes”, observa Hélio Magalhães, presidente do Conselho de Administração da AMCHAM e presidente do Citi Brasil.

O presidente do conselho ainda chama atenção para a oportunidade do Brasil sediar a COP-25, um dos principais eventos de sustentabilidade mundial em 2019. “Esperamos que o país esteja melhor para fazer negócio e setor privado mais fortalecido”.

No total foram 50 jurados para a iniciativa. Cada trabalho foi avaliado por três jurados. A premiação possui duas modalidades: processo e produtos e serviços.

Houve um painel com a ex-ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, sobre clima e pós debates da 21ª Conferência das Partes, conhecido como COP21, em que possui como objetivo central de fortalecer a resposta global para a ameaça da mudança do clima e de reforçar a capacidade dos países para lidar com esses impactos. Em sua análise, ela vê como grande oportunidade ao Brasil sediar esse grande evento. “Ainda temos a sensação de que fazemos menos do que podemos. Não é um papo de ambientalistas. Nós estamos falando de novos rumos de fazer negócios. Vivemos tempos de incerteza, de como vai projetar aquilo, o futuro será refeito”.

A ex-ministra comenta ainda as dificuldades para implementar projetos de logística reversa, porque ainda precisa ser melhorada a área jurídica para se adaptar com essa legislação da Política Nacional de Resíduos Sólidos. “Ainda estamos vivendo um momento de economia circular e novos negócios, que precisamos ajustar e atender no momento”, preocupa-se. Ela ainda lembra que 60% da extração da madeira é ainda ilegal. “Essa conexão entre causa e efeito cada vez mais entrará no setor de negócios e da própria sociedade civil”.

Prêmio ECO Amcham tem aumento de 25% de aumento nas inscrições
A ex-ministra comenta ainda as dificuldades para implementar projetos de logística reversa ( Crédito da imagem: Susana Sarmiento)

Izabella ainda sugere pensar em como discutir o desenvolvimento e preservar os biomas da Amazônia, do Cerrado e da Mata Atlântica. “Nos próximos 20 anos irão mudar muitas coisas. Precisamos conduzir nosso país para uma economia de novo carbono”.

Ainda chama atenção para a agenda energética. Ela sugere produção de energia fóssil e gás natural. Recorda que o Brasil fechou três acordos bilaterais: acordo com China na área de energia renovável e reciclagem, com Estados Unidos sobre energia renovável e clima e com Alemanha na área de energia também e uso da terra.

Ela comenta ainda que nos encontros em Paris pontuaram sobre os fundos para viabilizar a produção de baixa carbono. “Brasil é um dos países com mais condições para entrar nesse movimento. E temos que nos perguntar: Quais são as grandes rotas? Quais são as ferramentas?”

A ex-ministra ainda diz que o governo tende a ser mais provocado pela sociedade. “Todos nas mesas de negócios mundiais estão falando que o Brasil precisa voltar para o mundo. O ministro do meio ambiente é um cargo estratégico na discussão ambiental. Esse profissional também tem a capacidades de estar à frente, independente do governo. Os estudos científicos falam que, se nós não mudarmos, não terão recursos para atender todos no mundo”.

Izabella ainda ressalta que os empresários terão que incluir em seus negócios os acordos internacionais firmados, como as metas dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável e Acordo de Paris. “Novas estratégias serão desenhadas pós 2020. Temos que assumir uma postura de protagonistas com soluções e parcerias regionalizadas. O mundo quer o Brasil sentado nas mesas de negócios e o país é considerado um dos líderes de baixo carbono”. Dessa forma, ela defende que as soluções estruturantes podem ser desenvolvidas pelos empresários, que irão impactar os próximos 20 anos e com ações lideradas por mulheres.

Debate

Prêmio ECO Amcham tem aumento de 25% de aumento nas inscrições
Debate defende protagonismo e competitividade das empresas (Crédito da imagem: Susana Sarmiento)

Qual papel as empresas podem assumir? Essa foi a primeira questão para abrir o debate entre Sônia Favoretto, diretora de imprensa e sustentabilidade da BM&FBOVESPA, e José Penido, presidente do conselho de administração da Fibria. O primeiro a responder foi José em que pontua o papel das políticas públicas para implementar valor do carbono para sua comercialização. “Isso vai depender do protagonismo da sociedade e da empresa”. Também diz da importância do diálogo entre indivíduos e empresas. Sonia também fala sobre o papel de políticas públicas. “Trabalhamos juntos para propor soluções, as empresas têm fechado essa agenda”.

A mediadora Deborah Vieitas, CEO da Amcham, perguntou sobre a criação do valor compartilhado. Penido respondeu sobre a expansão de 20 stakeholders e hoje ligam as empresas com seus propósitos de sistema de transformação mundial. “Evoluir com a empresa com compartilhamento de valor”. Já Sônia fala do momento da operação da Polícia Federal Lava-Jato. “Estamos discutindo ética no mercado de capitais. O mercado é reflexo de uma situação de marco do Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE)”. Ela ainda comenta sobre o recorte de 30 empresas que compõem benchamarking de sustentabilidade.

91% das empresas estão fazendo isso e 93% delas da carteira do ISE fazem avaliação periódica no conselho na agenda e agora com mais dois dados: 24% dessas companhias incorporam no processo de solução, já a agenda socioambiental tem 49% usaram como ferramenta de engajamento com o preço interno.

E qual perspectiva das metas brasileiras no Acordo do Paris? Penido comenta sobre a formulação delas relacionadas com a terra. “Às vezes parte do princípio das 17 premissas, temos o Livre Verde, em que pontua que não precisa do desmatamento de suas áreas”. Ele também ressalta a importância da ferramenta Cadastro Rural Ambiental, em que contribui com plano de gasto ambiental e irá ter efeito interessante e não virá do governo ao exigir financiamento das questões de agroflorestais. “Nesse item vamos colher resultados práticos”.

José ainda fala sobre articulação que mostra 12 milhões de hectares para a recuperação de áreas de reserva legal e a preservação e ressalta a necessidade de investimento econômico. “Quando falo de florestas, falo de água. Quanto mais água, mais verde, madeira para proteção e criação de energia”. Ainda sinaliza que, em 2050, não teria mais a geração de energia só voltada por uma fonte, mas diversificada em: hidrelétricas, biomassa, solar, eólica e fóssil. Ele cita dois grandes nomes para o setor privado: competitividade e protagonismo.

Sonia também conclui que é fundamental o protagonismo do setor privado. “Nós somos o maior produtor de alimentos e isso nos permite fazer transformações de baixo carbono”.

Foram 36 projetos vencedores nas duas modalidades.13 empresas foram premiadas como iniciativas mais inovadoras neste ano. Na categoria empresas de grande porte, a modalidade práticas de sustrentabilidade – processo, as dez premiadas foram: Celulose Irani, Flextronics, Duratex, C&A, Fibria, Celulose, CPFL, Energias Renováveis, Monsanto, Banco Santander e 3M. Clique aqui para conhecer melhor seus projetos.

Além de empresas, a premiação também reconhece startups, pequenas e médias organizações. Essas inscrições aumentaram muito. Na categoria produtos ou serviços, foram 14 vencedores: 11 startups e três PMEs. Leia aqui o resumo desses cases vencedores: 

Aluna do Senac São Paulo premiada  

Prêmio ECO Amcham tem aumento de 25% de aumento nas inscrições
Felipe, fundador da Centralize Carbono, recebe prêmio na categoria produtos ou serviços. (Crédito da imagem: Susana Sarmiento)

Amanda D. Freitas, ex-aluna do curso de pós-graduação Sistemas de Gestão Integrados da Qualidade, Meio Ambiente, Segurança e Saúde no Trabalho e Responsabilidade Social (SGI)  no Senac Francisco Matarazzo, integra a empresa Neutralize Carbono (NC), vencedora da categoria produtos ou serviços pela metodologia chamada Neutralize utilizada para neutralização de carbono para eventos.

A empresa criou uma metodologia para realizar inventários e neutralizar emissões de gases de efeito estufa (GEE) em eventos. Esse cálculo pode ser utilizado em feiras, congressos, palestras, eventos esportivos, exposições e mega eventos. Eles quantificam quanto de emissão um evento gera, tanto de forma direta, quando indiretamente. Com esses dados, conseguem tomar uma decisão para reduzir esse impacto. No total, eles foram mais de 200 mil toneladas de CO2 neutralizadas pela NC. É o equivalente de um ano de emissões de quase 30 mil brasileiros em um ano.

Amanda explica que essa metodologia reúne todas as necessidades para assegurar as compensações de emissões de GEE. Foram criadas duas premissas: exclusivas e não exclusivas. As exclusivas são aquelas para quantificar dentro do evento. Já as não entram na conta da emissão.

Amanda e Felipe Bottini, fundador da NC, contam que já foram cerca de 10 eventos que usam essa metodologia. Eles revelam que o procedimento para essa experiência envolveu vários especialistas. No início, foi feito uma consulta aberta para receber contribuições desses profissionais durante seis meses.

“Nosso primeiro cliente com essa metodologia é antigo. Eles, de fato, acreditam em nosso potencial e trata-se de uma metodologia que está crescendo. Ela está aberta e queremos que todos usem. Não queremos só vender nossa consultoria. Queremos mais pessoas usando, porque quanto mais, melhor para conseguir fazer mais eventos, para comparar as emissões e ver quem de fato está preocupado”.

Silene Bueno De Godoy Purificacao, professora coordenadora de pós-graduação do Senac São Paulo, explica que os cursos de pós-graduação da instituição buscam especializar profissionais das mais diversas áreas, para atuar com responsabilidade socioambiental, contribuindo para a melhoria do desempenho global das organizações, especialmente considerando o meio ambiente como bem econômico e sujeito a mecanismos de mercado, fornecendo subsídios para a análise da origem dos problemas ambientais e seus impactos na saúde e no bem-estar das populações. “O processo de ensino-aprendizagem se realiza com metodologias ativas, motivando os alunos a uma reflexão crítico-valorativa, sob enfoques humanísticos, éticos e jurídicos, levando-os a identificar e apresentar soluções para as questões referentes à gestão ambiental para a sustentabilidade”, afirma.

Ela afirma que a capacitação a ajudou para conhecer melhor os processos, os sistemas de gestão e como gerenciar os projetos no dia a dia. “Foi muito bom para compreender a questão de prazos, mecanismos de negociação, o fluxo de comunicação. Isso me desenvolveu bastante na pós-graduação”.