Políticas públicas na educação na pandemia: dilemas e desafios

O penúltimo debate do Fórum Internacional de Educadores focou o tema sobre o direito universal à educação de qualidade e o pleno desenvolvimento dos estudantes.

Ilustração com pessoas salvando arquivos em armazenamento em nuvens, em trabalho em equipe remota.
A educação é marcada por antes e depois da pandemia para criação de novas políticas, segundo pesquisadores. (crédito da imagem: iracosma/AdobeStock)

Como garantir o acesso à educação e reduzir os impactos dessas mudanças no processo de ensino-aprendizagem, no contexto da pandemia? Essa foi a questão central do debate da última sexta-feira (07/08) no Fórum Internacional de Educadores, organizado pelo Senac São Paulo, com o tema: Políticas públicas: desafios e dilemas num contexto pandêmico. Participaram: Gabriela Pimentel, pós-doutora pela Universidade Católica do Salvador (UCSal) e doutora em Educação pela Universidade Católica de Brasília (UCB), doutorado Sanduiche na Universidade de Lisboa, mestre em Educação pela UCB e especialista em Gestão de Sistemas Educacionais pela PUC-MG e em Planejamento e Gestão de Cursos de Educação a Distância pela Uneb; e Wilson Krette Júnior, graduado em Comunicação Social, com habilitação em Jornalismo (1997), especialista em Gestão Educacional (2002), mestre em Letras (2006), doutor em Educação, Arte e História da Cultura (2013), há mais de 15 anos exerce o cargo de gestor educacional no Senac São Paulo, atualmente nas Unidades Senac Lapa Scipião e Senac Lapa Faustolo.

O encontro contou com mediação de Márcia Cristina Fragelli, pedagoga, especialista em Gestão Escolar e Recursos Humanos, Psicopedagogia e Educação Especial, mestre e doutoranda em educação, coordenadora educacional no Senac São Paulo, pesquisadora e autora de livros na área educacional.

Gabriela questionou como a educação brasileira será organizada nos próximos anos, de que forma será o ordenamento jurídico em situação de pandemia. Ainda reforçou que a pandemia marcará todos os segmentos da educação, seja na proposição de política, na implementação do currículo, na formação do professor e a realidade do uso da tecnologia e do aparato virtual. “Toda essa instabilidade criou um desequilíbrio até formulação das políticas”. Também diferenciou a política de governo, que dura de quatro a oito anos, depende do gestor e seu partido político, da política estatal que possui sustentação de legislação. Comentou ainda que está ocorrendo discussões no BNCC.

“Gosto de pensar políticas nos ausentes, como diz o livro de Boaventura de Sousa Santos, que trabalha a sociologia dos ausentes, que são grupos políticos minoritários inclusive nós mulheres estamos lá”, pontuou. A pesquisadora ainda afirmou que as políticas precisam dar visibilidade aos invisíveis. “Como fazer nesse momento a casa se tornar escola se você tem três filhos e um computador. Ou caso tenha um smartphone e cinco pessoas precisam ter acesso a conteúdos? Temos problemas na educação há anos e as políticas tentam reduzir. Mas agora se concretizou de forma mais intensa e drástica”.

Em sua análise, Gabriela comentou que é necessário pensar em políticas mais efetivas e defendeu a mudança na LDB diante do contexto da pandemia. “Temos crianças e jovens sem aula e de que forma vamos garantir o direito à educação. A política às vezes não acompanha a realidade da sociedade”.

A pesquisadora também falou sobre a marginalização que o ensino técnico passa pela avaliação da academia: “Os países europeus valorizam e é um tipo de ensino recomendado pela OCDE. A educação profissional mostra um caminho viável e depois direciona para a universidade. A gente ainda tem um ranço no império de valorização das profissões clássicas”.

No último Censo da Educação Profissional, a professora também observou o predomínio de mulheres e atenta para que as políticas públicas considerem esses atuais contextos, que são desafios para a proposição de políticas. “No BNCC, a política não é só implementada, mas interpretada. Reflete a nova ação. A escola dá sustentabilidade das nossas políticas, ela é o fim, a base da escola”.

A rede estadual da Bahia está sem plano de retorno das atividades. O calendário foi alterado várias vezes. Já o Senac da Bahia fez plano de retorno com plataforma digital, que pode ser acessado do computador e smartphone para atender 190 turmas nos municípios do Estado da Bahia que a instituição possui sede. Ela ainda comentou a necessidade de uma mudança drástica para a educação, o professor que não é mais o centro do conhecimento.

Wilson reforçou a necessidade de valorização sobre o que feito no ensino técnico. Comentou sobre as ações de sua unidade com cursos profissionais da área de audiovisual e antes da pandemia já havia ocorrendo alterações nas práticas pedagógicas alinhadas com as demandas do mercado de trabalho. “A pandemia jogou luz em alguns aspectos que pensávamos que estavam resolvidos e não estavam”, afirmou.

Com a proposta educacional do Senac São Paulo, Wilson falou da construção da proposta pedagógica da unidade em que coordena, que envolveu alunos, professores e funcionários. A equipe construiu em etapas essa proposta e colocaram intencionalidade. “Focamos em menos papel, até para legitimar e ajudar a trabalhar nessa perspectiva e trazer todos para roda em vários formatos. Quando você fala de uma dialógica, ela precisa ser refletida na sala de aula”, pontuou e o gerente avisou sobre a oferta de ensino médio no próximo ano nas duas unidades que coordena.

O gerente defendeu necessidade de estar a frente de questões inovadoras e criativas. “A gente precisa assistir boas séries e bons filmes, boa poesia. Vários movimentos culturais começaram a fazer suas experimentações de transmissão remota. O aluno começa a fazer outras competências”.

Sobre cidadania digital, Gabriela comentou que é um assunto fundamental para o digital. Para o uso da tecnologia, o indivíduo tem direitos e deveres. O BNCC traz material para preparar como agir corretamente dentro do ambiente digital. “As pessoas criam perfis pessoais e muita gente gosta de publicar suas viagens e perde sua privacidade. É importante prever um pouco e ter cuidado com isso tudo e passa pela questão da cidadania”.

Já Wilson reforçou a necessidade da escola sempre buscar a multiplicidade, a diversidade em sua formação. Já a pesquisadora Gabriela ressaltou a necessidade no campo virtual e remoto ser bem valorizado na educação e no contexto do professor.

Assista aqui o debate na íntegra: https://bit.ly/2DNdbCf