Plataformas de educação tentam contribuir no processo de aprendizagem

esp-topo-socialgoodbrEspecialistas de diferentes institutos e organizações falaram sobre o papel das novas tecnologias e mídias que podem ajudar no processo de aprendizagem. Para ilustrar as diferentes ações, Mila Gonçalves, da Fundação Telefônica; Tatiana Klix, do Porvir, do Instituto Inspirare; Alais Ávila, do Instituto C&A; e Flávia Goulart, da Fundação Lemann; participaram da conversa sobre Tecnologia e Impacto: O Caso da Educação, na tarde do segundo dia (06/11) do Seminário Social Good Brasil 2014, no Centro Integrado de Cultura, em Florianópolis (SC).

A mediadora comentou que ainda há poucas iniciativas de educação inscritos no concurso do Social Good Brasil. “No último Relatório do Fórum Econômico mundial, com 144 nações que inseriram a cultura digital para melhorar sua educação, o Brasil aparece na posição 67º, apesar de ser conhecido como a sétima economia mundial”.

É importante esclarecer que o Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (em inglês, Programme for Internacional Student Assessment), conhecido como Pisa, é uma iniciativa internacional de avaliação comparada, aplicada a estudantes na faixa dos 15 anos, idade em que se pressupõe o término da escolaridade básica obrigatória na maioria dos países. Desenvolvido e coordenado pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), em cada país participante há uma coordenação nacional. No Brasil, o Pisa é coordenado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).

Mila já mostrou uma visão otimista, já que o País apresenta avanços. Ela comentou sobre o Global Education em que reúne países para discutir educação 3.0 e os seus desafios e as autoridades de países tops na avaliação PISA pontuaram a necessidade de uma revisão. “Isso escutei da ministra de educação da Austrália e da própria Coréia. Nós sabemos que o PISA não avalia as competências pessoas, como autonomia, criatividade, entre outros fatores importantes. Por exemplo, muitos alunos da Coréia têm baixa autoestima, mas bons resultados na avaliação. Temos que olhar essas experiências. E, claro, temos ainda muito para fazer”.

Já a editora do Porvir, comentou sobre um documento desenvolvido pelo Instituto Inspirare para dar recomendações a redes públicas interessadas implementar tecnologias. Ela pontuou ainda essas ferramentas sob dois aspectos: qualidade e equidade.

Em relação à qualidade, possibilidade acesso à informação, aproximação da linguagem do aluno, possibilidades de expressão, experimentação e autoria, avaliação em tempo real, mais tempo para planejamento e projetos e práticas pedagógicas, professor mediador. sobre equidade, foram levantadas as seguintes questões: democratização do acesso à informação, ampliação das redes e capital social, apoio na formação e reparação das aulas, alunos podem aprender em seu ritmo, alunos acompanhando individualmente, inclusão de alunos deficientes e interação. Tudo isso colabora na formação do professor.

“Essas ferramentas gratuitas podem ser instrumentos que democratizem a formação do docente. Outro papel da tecnologia é de incluir por facilitarem aprendizagem de pessoas com e sem deficiência”, defendeu Tatiana.

A representante do Instituto C&A explicou de que forma se organizou o setor de gestão do conhecimento, com o acervo institucional. Observando vários projetos de educação, pontuou que o ponto frágil está na formação do professor. “Ele está muito resistente à quantidade de informações”, ressaltou.

Com esse cenário, Alais falou que o investimento do instituto foi destinado para colaborar com a formação do docente e na educação infantil. Outro ponto frágil foi sobre a fragmentação da visão de educação, considerando a área social e sua prática. “Só podemos inovar na mentalidade, independente de artefatos e máquinas, se nossa mentalidade não estiver tão arraigada no velho que não faz sentido”, refletiu.

Alais ainda comentou sobre uma plataforma inaugurada em outubro e achou interessante que tiveram três mil acessos à noite. “Acredito que tenham sido os professores que entraram para desenvolverem seus planos de aula, de forma interativa e repercutirá na melhoria da qualidade de ensino em grande escala”, disse.

Flávia, da Fundação Lemann, mostrou os dados do Prova Brasil, em que comprovam que o aluno ainda tem dificuldade para operações matemáticas, como multiplicar, dividir e operar com frações e equações. “Nosso desafio é resgatar os alunos que já apresentam defasagem, elevar o nível da educação em duas etapas”. Para isso, ela apresentou a plataforma de matemática, a Khan Academy. Até hoje, estão contabilizados 1,4 milhões de usuários únicos no Brasil, atendendo mil municípios, 50 mil alunos acompanhados pelo projetos e três mil professores e coordenadores formados.

Segundo Flávia, os relatos de professores e dados das escolas mostraram que as turmas que usam essa plataforma melhoraram até três pontos nas notas. “Conseguimos resgatar e ter médias satisfatórias, não só melhoria cognitiva, socioemocional. Alunos que falavam que eram burros e estão conseguindo aprender, com esforço deles”, contou.

Ela ainda apresentou de forma bem rápida a plataforma Programaê, que tenta aproximar a programação do dia a adia de crianças e jovens no Brasil, oferecendo ferramentas on-line e gratuitas para ensinar essa linguagem. Resultado de uma parceria entre a Fudação Lemann e a Fundação Telefônica, a ideia é incluir a programação em todo País na rede pública de ensino, contribuindo com esse estudante para enfrentar os desafios do mercado de trabalho, desenvolver o seu raciocínio lógico e conectado com o mundo real. Clique aqui: http://www.programae.org.br/#programae

Evento

Nos dias 5 e 6 de novembro, empreendedores, pesquisadores e interessados pelo tema irão se reunir nos painéis e oficinas oferecidos no Seminário Social Good Brasil 2014, no Centro Integral de Cultura, em Florianópolis (SC). O tema dessa edição é Protagonismo + Inovação Social: A nova ferramenta de mudança é você. A ideia desse encontro, que defende o uso de tecnologias e novas mídias para inovação, é trazer práticas e atores de ações sobre campanhas digitais, de economia criativa e colaborativa, empreendedorismo e start-up, organizações sociais inovadoras e cidadania digital e engajamento cívico.

Serviço:

Blog do Social Good Brasil 2014: http://socialgoodbrasil.org.br/2014/


Crédito do texto: Susana Sarmiento