Plataforma vende produtos de ONGs

Pono55 é uma ferramenta para divulgar e vender produtos de organizações e projetos da sociedade civil.

Reprodução/Facebook

Imagine encontrar produtos de organizações reunidos numa plataforma de vendas on-line? Saias, pulseiras, camisetas, cadernos e itens de decoração de casa contribuem diretamente para o grupo de organizações da sociedade civil. Esse é o trabalho da Pono 55 lançada na metade do ano passado, pela jovem advogada Jéssica Garcia, que numa conversa com o namorado, Riccardo Souza Aranha, desenharam o negócio e decidiram desenvolvê-lo.

A jovem sempre fez trabalho voluntário e consumiu produtos e serviços de organizações da sociedade civil e também fazia doações. “Comentei com meu namorado numa conversa: eu queria ir num local onde só tivesse produtos de ONGs e ele respondeu: Por que você não faz isso?”. Com esse impulso e apoio, Jéssica abandonou sua carreira em abril para focar na plataforma. Seu namorado se tornou investidor do site e responsável pela parte administrativa do empreendimento.

Antes de lançar a Pono 55, a jovem desenvolveu uma pesquisa chamada comércio solidário: 154 pessoas responderam as questões. Durante um mês, deixou o questionário disponível on-line para entender qual a visão das pessoas sobre os produtos dessas organizações e o trabalho desses atores. Os resultados do levantamento mostraram que era um mercado a ser explorado. “61% das pessoas que responderam nunca tinham comprado nada delas e 72% comprariam se achassem um local que comercializasse”.

Paralelamente com a pesquisa a jovem conversou com os gestores de organizações para conhecer de perto o processo de captação de recursos. “Muitas organizações ainda são estruturadas com trabalho voluntário e elas não costumam ter lojas virtuais, porque precisam tirar fotos e ir aos Correios. Essas são algumas das dificuldades delas”.

Jéssica explica que ela avalia tudo o que a organização oferece em produtos e se possuem o perfil de itens de vendas. “Muitos produtos não têm apelo, é uma caneca de um projeto específico, ou camiseta com logo da organização. Eles confeccionam para a venda, mas não possuem variação de produtos. Por isso fazemos essa análise e compramos por atacado e vendemos por varejo”, esclarece. Algumas organizações deixaram objetos em consignação com eles.

A Pono55 oferece uma página para explicar a atuação de cada organização parceira. Atualmente possuem seis organizações parceiras: Cruzando Histórias, Damas de Caridade, Endeleza International, Hai África, Projetc Três, Reviva.

A empreendedora elencou os critérios na escolha da organização: 1º) possuir impacto social; 2º) transparência; 3º) hoje o cálculo das vendas de quanto fica para a plataforma e os recursos destinados para a organização não estão disponíveis na internet, mas em breve ocorrerá isso; e 4º) o produto precisa ter apelo de venda.

Eles ainda possuem um perfil no Instagram, com 1176 seguidores e uma página no Facebook (@pono55). Os produtos mais comercializados foram as saias e enfeites como as zebras e girafinhas, as pulseiras e saias com tecidos africanos.

“O mais gratificante em nosso trabalho é ver o resultado da na ação. No Project Três, eles conseguiram contribuir para a capacitação de oito mulheres. No Cruzando Histórias, ajudou na abertura de 80 vagas”, exemplifica. A jovem ainda compartilha que nesses seis meses de funcionamento da plataforma, já foram repassados R$ 10 mil reais para as organizações parceiras. Os próximos passos estão focados no planejamento mais aprofundado em comunicação.

Reprodução Facebook

E como contribui para as ONGs?

O projeto social nasceu da vontade de duas jovens Beatriz Dinis e Mariana Fischer em ajudar pessoas a encontrarem um emprego, mas de um jeito diferenciado pela valorização das histórias de vidas desses candidatos. “Eu criei a plataforma após um momento de reflexão depois de assistir uma matéria sobre desemprego na televisão. Temos hoje uma equipe de voluntários e não são necessariamente da área de recursos humanos, elas são de áreas bem diversas, especificamente comunicação”, contextualiza Bia.

Ela comenta que diretamente já conseguiram incluir no mercado de trabalho  70 pessoas. A iniciativa trabalha com resgate de valores desses indivíduos que ficaram desempregados em São Paulo. Oferece oficina de autoconhecimento aliada com técnicas de retorno profissional, como encontros de trocas de experiências.

A plataforma já contribuiu para encaminhar à organização em torno de R$ 1.500,00, que possibilitou a abertura de 80 vagas nas oficinas de desenvolvimento profissional e pessoal.

“A plataforma é a melhor coisa que existe, porque não temos tempo para nos dedicar à vendas on-line. Dá muito trabalho. Eu, como responsável pela organização, preciso focar na parte comercial. A Pono55 me possibilita uma garantia de venda. Algumas coisas estou testando em consignação”, comenta.

Bia ainda fala que a plataforma não destina apenas para vender seus produtos, mas divulgar a causa do projeto. “Todo post ela conta a história do projeto, o que ele faz, como está atuando. Ela explica que está ajudando esse produto e como irá contribuir lá na ponta. Ela é uma loja que leva mensagem do projeto. Se eu não tivesse Pono, não teria uma loja on-line ativa. Não tem condições de bancar isso”, confessa.

Zé Seleme, CEO da Endeleza International, conta que ingressou na Pono55 no final do segundo semestre do ano passado, entre outubro e novembro. Diz que a ferramenta contribui com dicas e sugestões para melhorar os seus produtos e até como divulgarem a própria organização. “Uma sala vendida ajuda diretamente na alimentação durante um mês e meio para um aluno no curso”, afirma e compartilha que Jéssica já auxiliou até para o modelo de negócio da Endeleza. Já conseguiram vender na Pono55 cerca de 25 saias.

Acesse a plataforma: https://www.pono55.com.br/

Cruzando Histórias: http://www.cruzandohistorias.com.br/

Endeleza International: https://www.endeleza.org/

 

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