Plataforma traz diferentes histórias para inspirar

Gabriel Brakin, da Participant Media, fala da produção de filmes, curtas e animações como estratégicos para ajudar a divulgar causas socioambientais importantes.

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Luana e Gabriel comentam como as produções aodiovisuais podem contribuir em causas sociais. (crédito da imagem: divulgação)

Contar casos de sucesso, dados e estatísticas da área, trajetórias de inspiração, compartilhar o que funciona e não dá certo. Essas algumas das funções da plataforma Narrativas. Além do lançamento da plataforma, o painel Comunicação como centro da mudança e lançamento da rede Narrativas ocorreu na tarde no segundo dia da 10ª edição do Congresso GIFE na Fecomercio no centro de São Paulo.

A plataforma nasceu há um ano com representantes de diferentes organizações para gerar conexões e ter uma rede forte e bacana. “Estamos num momento de compartilhar valores, inspirar e nos posicionar. O silêncio e a ausência não têm mais espaço. A nossa ideia é que esse debate de comunicação nos ajude a construir um local estratégico para enfrentar quais são as nossas causas e o que nos move”, contextualizou Carolina Pasquali, diretora de comunicação do Instituto Alana.

Para debater como a comunicação pode ser fundamental nesse processo, participaram desse debate: Luana Lobo, sócia diretora da Flow – distribuidora cultural de impacto, sócia da Maria Farinha Filmes (MFF) e co-idealizadora da plataforma VIDEOCAMP; e Gabriel Brakin, conselheiro geral e vice-presidente executivo de negócios da Participant Media, responsável pela supervisão e investimento dos filmes e conteúdos digitais e de televisão.
Luana explicou como a Maria Farinha Filmes começou com suas produções e ressaltou que é interessante pensar no caminho estratégico o quanto a comunicação bem feita pode influenciar o dia a dia das pessoas. “Como o grande comunicador de massa do cinema hollywoodiano faz? Como desenvolver isso com as novas gerações? A maioria constrói imaginário de desconstrução. Entender da aonde surgiu essa visão de luta e por isso aparece um ambiente hostil e quais as estratégias utilizadas para isso?”

Para esclarecer essas questões, Gabriel explicou que a empresa que atua existe há 14 anos e por algum período ganhou dinheiro com suas produções e depois decidiu tentar transformar o mundo num lugar melhor. Dessa forma, eles se dedicaram a filmes sobre natureza, paz, sustentabilidade, e histórias com poder para isso acontecer. Sua empresa já produziu mais de 80 filmes, que conseguiu ganhar mais de 2 bilhões de dólares e diversos prêmios. “Nós somos primeiramente narradores de história. Não estamos na vanguarda. São histórias que entretém e movem as pessoas e elas precisam ter interesse para promover mudanças e se sintam instigadas para isso. Nós apenas canalizamos todos esses assuntos. Nosso conteúdo é entretenimento para estabelecer parcerias para empoderá-las”.

Gabriel esclareceu que já trabalhou com diferentes formatos dependendo da forma como vão engajar e conseguir atingir o público. “É importante ter conteúdo constante. Não se trata apenas de um evento. Não apenas criar um diálogo grande e repetir de forma consistente a mesma mensagem para que ela seja internalizada. Faz parte de um modelo econômico para criar um negócio sustentável”.

O vice-presidente executivo de negócios da Participant Media também compartilhou com o público que filmes de roteiro é um produto mais amplo e eles se esforçam para que tenha muito entretenimento. “Muitas pessoas foram convertidas e temos que pensar nisso. Não apenas pensar numa causa específica. Às vezes queremos incluir mensagens que não está lá no filme”. Apresentou o trailer do filme de ficção chamado Extraordinário, que atingiu um público bem grande, com inclusão social e a importância de celebrar as diferenças entre as pessoas. Atingiu um público bem grande e ganhou muito dinheiro.

“Nós precisamos dessas vitórias rápidas, uma vantagem para investir de forma consistente para conseguir um bom retorno e possamos continuar investindo nos outros. Isso faz parte do trabalho das empresas. Também precisamos investir na distribuição, avançar e melhorar o impacto dos nossos filmes”, afirmou e ainda comentou que as produções podem variar de 90 minutos a duas horas. Também esclareceu que os filmes para esclarecer costumam ser mais longos, com o objetivo de inspirar as pessoas e não atingem tanto público assim. “Essas empresas são globais. Netflix, por exemplo, está investindo pesado mesmo nesse tipo de filme e gerando novas oportunidades de documentários”.

O americano também compartilhou o trailer do documentário sobre a jovem Malala Yousafzai, adolescente paquistanesa que foi baleada por defender a educação feminina. Aos 17 anos, foi reconhecida com prêmio Nobel. Para produzir essa obra, Gabriel contou que fizeram parcerias com National Geographic e Fox. Foi um filme inspiracional. “Malala possui uma organização para levantar fundos e levar adiante pessoas que fizeram doações em diferentes partes do mundo. Vi que havia um vínculo direto para reconectar o filme para aonde estava indo o dinheiro”, explicou e ainda mostrou outras produções direcionadas para televisão, como uma série formada por 10 episódios. Ele mostrou uma série sobre educação pública nos Estados Unidos em que traz problemas do dia a dia tanto dos educadores, quanto dos estudantes e suas famílias. “Decidimos optar por uma maneira de autorreflexão e buscar uma solução. É bastante inspirador pensar nos problemas e ajudamos contando suas histórias para que possam inspirar mais pessoas”. Também disse que esses conteúdos mais curtos podem ajudar a abordar assuntos atuais e com diferentes públicos.

Luana ressaltou a importância de pensar no formato da produção, porque isso impacta na audiência. Ela citou como exemplo o Começo da Vida, que contou com várias organizações parceiras que ajudaram a dar mais visibilidade. “É importante pensar como podemos trabalhar com mais de uma causa e organizações envolvidas”.

Gabriel ainda comentou sobre os filmes de realidade virtual e exemplificou com um vídeo de um grupo de professores e alunos que apareciam depois de um tempo agradecendo todo carinho e responsabilidade. A série chama-se Soulpancake. Outra produção aborda jovens inventores e depois de dois anos observaram o número alto de jovens interessados por ciências. “É interessante observar como a comunicação pode impactar”.

Outro filme citado foi Uma Mulher Fantástica, em que conta a história de uma mulher transgênero e seu parceiro morre e ela passa por situações de assédio e preconceito. “Ela fica em dúvida se vai ou não ao velório. É algo que não pensaríamos, mas é uma história universal e percebe que isso está errado e deveríamos estar pensando sobre isso. A gente quer se focar nessa questão específica para aumentar a conscientização”. Ele disse até do impacto que um filme pode ajudar nas leis e nas políticas públicas.

O palestrante americano ainda disse que sempre quiseram levar conteúdos a outros países e estão trabalhando com algumas produções daqui como um braço de distribuição de multiplataforma. “Agora numa parceria temos alguns documentários e oficialmente já definimos e temos algumas campanhas com as ONGs e empresas brasileiras e instituições governamentais para tentar escalar a distribuição. Queremos levar para várias do mundo. Este ano lançamos o Believe.Film Festival”, anunciou e ainda defendeu as campanhas híbridas a lugares abertos e conversas de todo mundo com essas mensagens de todo mundo. O primeiro lançamento inicia em agosto.

Conheça aqui a plataforma Narrativas: https://narrativas.org.br/
Para ver os demais debates do evento, acesse o site: https://congressogife.org.br/2018/