Plataforma colaborativa reúne jornalismo cidadão a tecnologia cartográfica para melhor qualidade de vida

Lançado no mês passado, o Projeto Mapas Coletivos é um serviço de geografia interativa. Em parceria com a Associação O Eco e a Rede Nossa São Paulo, a ferramenta foi criada pelos jornalistas Gustavo Faleiros e Juliana Mori numa tentativa de inovar no campo de mídias e com o objetivo de gerar novos indicadores para as cidades do Brasil. A iniciativa usa o método do mutirão de coleta de informações e melhorar a qualidade de vida da população. Esse serviço une cidadania e cartografia digital.

Qualquer um pode colaborar, basta o interessado fazer o cadastro. Faleiros nota que, a princípio, o Mapas Coletivos seria apenas para jornalistas: “percebemos, no entanto, a importância do público numa ação desse tipo”. O usuário pode, por exemplo, criar uma camada no mapa da cidade de São Paulo marcando apenas os estabelecimentos que possuem sistema de coleta seletiva. Ou, ainda, de atrações específicas para determinado tipo de público. Há um mês lançado, o criador destaca o número de acessos da plataforma (cinco mil), e ressalta: “a repercussão não está sendo incrível, mas bastante boa”. O jornalista espera crescimento nos próximos meses.

Com 25 mapas já postados, entre eles um que lista onde se pode recarregar o Bilhete Único, conhecido cartão de vale transporte da capital paulista, e outro com a localização de hubs, os espaços de trabalho compartilhados, o projeto é aberto a qualquer tipo de manifestação que envolva mobilidade, qualidade, acessibilidade, cultura, educação e saúde.

A subseção Narrativas, embora ainda um pouco vazia, pretende ser uma extensão das postagens na galeria de mapas. “É uma tentativa jornalística de contar as histórias por trás dos mapas”, diz Faleiros. “O foco dessa parte do site é entrevistar as pessoas por trás de mapas interessantes”, completa.

Outro destaque é a aba Minha SP, que conta com um mapa da Rua Rocha, no bairro paulistano do Bixiga. Rogério Leite, colaborador responsável por esse conteúdo, é morador do local e registrou os imóveis tombados por lá, com a preocupação sobre a especulação imobiliária na região da cidade. No texto, argumenta que “a verticalização no Centro de São Paulo já foi muito além do racional”. A postagem de Leite pode ser acessada em http://bit.ly/AAJB6E .

Da concepção da ideia ao lançamento, passaram-se dois anos. Além de Juliana Mori, o staff do serviço conta com a ajuda do LabMacambira, um grupo de desenvolvedores locados em São Carlos, no interior de São Paulo. “Temos também o apoio de uma equipe de jornalistas do site parceiro O Eco, já com oito anos de estrada, do qual também sou diretor”, conta Faleiros. “O próximo passo é terminar o aplicativo para celulares”, conta, dos EUA, onde está em viagem de negócios – e da qual não deu mais detalhes, apenas que “tem a ver com o projeto, mas de maneira mais ampla”. Mapas Coletivos ganhou o prêmio do Instituto Claro e concorreu com outros mais de mil projetos com viés sustentável.

Serviço:

Mapas Coletivos: www.mapascoletivos.com.br