Pesquisa Viver em São Paulo: a cidade que queremos

No debate de lançamento do estudo, vereadoras de bancada coletiva participaram e pontuaram dados essenciais para construção de políticas públicas.

Ilustração com homens empurrando peças para montar prédio e dedo colocando peças.
Foram consultadas 800 pessoas entre os dias 5 e 21 de setembro de 2020 residentes na cidade de São Paulo. (crédito da imagem: divulgação)

Quais são os principais problemas a serem enfrentados pela próxima gestão municipal? O que contribui para manter ou aumentar as desigualdades na cidade? Essas são algumas perguntas lançadas na nova pesquisa Viver em SP: a cidade que queremos, realizada pela Rede Nossa São Paulo em parceria com o Ibope Inteligência.

O objetivo da pesquisa é mapear a opinião da população paulistana sobre temas como a renda básica; combate às desigualdades e o fortalecimento da democracia. Realizada em ano de eleições municipais, a ideia é que a pesquisa contribua para a elaboração do #PlanoDeMetas da próxima gestão.

Carolina Guimarães, da RNSP, fala que na pandemia ficou evidente a economia do cuidado, que pensa no coletivo e traz benefícios não mensuráveis. “Um peso muito para as mulheres. Também vemos que a cidade é construída por muitos agentes, seja público, privada e de organizações da sociedade civil. Fala-se muito do coletivo e privado, é importante pensarmos nessas conexões”.

Na cidade que a população paulistana quer, ela garante uma educação de qualidade para todas as crianças (43% das menções) e tem serviços de saúde bem distribuídos por toda a cidade (42% das menções). Essa cidade também oferece abrigo e oportunidades para a população em situação de rua é citada por 29% das pessoas entrevistadas; e que garante uma renda mensal mínima a todos os cidadãos e todas as cidadãs por 25%.

Também 18% mencionam uma cidade que tem menos poluição e procura utilizar fontes de energia mais limpas; 18% que possibilita o uso de diferentes meios de transporte com qualidade e preço acessível; 17% que oferece no meu bairro a maior parte dos serviços de que necessito; e 16% que permite que eu não precise me deslocar por mais de meia hora para ir trabalhar

Capa do estudo A Cidade Que Quaremos e foto do trânsito no fundo e título da pesquisa acima. Abaixo logo da Rede Nossa São Paulo.;
77% são a favor de uma renda básica para toda população de São Paulo. (crédito da imagem: divulgação)

Uma cidade desigual e violenta é a imagem predominante sobre São Paulo – 46% apontam como desigual e 42% como violenta. Já 29% veem como diversa e que está sempre mudando; e 24% como uma cidade que oferece oportunidade para todos. Enquanto 23% afirmam ser uma cidade que discrimina e 21% que é insensível às pessoas e que privilegia os negócios, 19% afirmam ser rica e inovadora e 12% cidade exemplo para o Brasil.

Cresce a proporção de paulistanos a favor de uma renda básica para toda a população de São Paulo: 77% são a favor (em 2018, eram 55%). Já 15% são contra. Cobrar mais impostos das pessoas mais ricas (38%) ou usar dinheiro de fundos municipais já existentes (36%) são as duas formais mais citadas para financiar a renda básica, independentemente da opinião sobre o benefício. O vereador Eduardo Suplicy defendeu essa política tão importante para combater a desigualdade.

A desigualdade social também foi assunto questionado. Para diminuir as desigualdades na cidade de São Paulo, 26% entendem que combater a corrupção dos agentes públicos é o que mais contribui. Ademais, 16% mencionam trazer mais transparência à gestão pública e outros 16% citam priorizar a aplicação de recursos públicos nas periferias. Mas para 14% não adianta focar nas desigualdades, temos que melhorar a condição de vida de todos na cidade; e, também para 14%, uma maior participação da população na decisão sobre o uso dos recursos públicos é o que mais pode contribuir.

A população paulistana aponta melhorar a qualidade da educação, a segurança pública e ampliar e melhorar o atendimento nos postos de saúde como os três principais problemas a serem enfrentados pela próxima gestão, sendo citados por 47%, 42% e 37% respectivamente.

Para a cidade ter um futuro mais sustentável, 16% mencionaram a concentração de oportunidades na região central, 15% a falta de responsabilização do setor privado, 13% o baixo investimento público e privado em atividades econômicos menos poluidoras, 11% a poluição causada pelo transporte coletivo e privado e 11%o baixo investimento em reciclagem e coleta seletiva.

As vereadoras Silvia e Natalia Chaves, da Bancada Feminista do PSOL, participaram do debate hoje pela manhã e ressaltou a preocupação da população com educação pública de qualidade. Silvia, professora da educação infantil, chamou atenção que hoje cerca de 10 mil crianças estão na fila de espera para terem creche. Esse índice tem caído pela expansão na rede conveniada. Uma das pautas desta banca é defender serviços e equipamentos públicos de qualidade na cidade de São Paulo de forma igualitária a todos os cidadãos em todos os bairros.

Outros temas na defesa da Bancada Feminista são: boas UBS a todos os bairros da cidade, poluição e fontes de energia, parques e áreas verdes, restrição de agrotóxicos e mais produção orgânica em parceria com as cooperativas de agricultores.

Acesse o estudo na íntegra no site da RNSP: https://bit.ly/3r6UA87