Pesquisa: Um Retrato da Doação no Brasil

Estudo traz os principais dados como a população doa, para quem, quais setores e o valor de doação e outras informações relevantes.

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“A formula é investir em ações de comunicação para que elas falem numa linguagem mais atraente”, sugere Andrea Wolffenbuttel, diretora de comunicação do Idis. (crédito da imagem: divulgação)

70% da população fez alguma doação em dinheiro e 52% doou para organizações sociais. Nesses 70% estão também aqueles que deram esmola, pagaram dízimo, ou deram dinheiro a parentes e amigos, casos que não são doações para organizações sociais. A maioria doa porque se sente bem. Essas foram alguns dos resultados da pesquisa Um Retrato da Doação no Brasil, realizada pela Charities Aid Foundation e aqui no Brasil é representada pelo Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social (IDIS).

A CAF é uma organização britânica dedicada ao investimento social privado e apoia doadores (indivíduos, grandes doadores e empresas) a obter o maior impacto possível a partir da sua doação. A pesquisa foi lançada no início deste mês e foram consultadas 1.022 pessoas acima de 18 anos moradores em cidades e com acesso à internet. A consulta foi feita pela YouGov a pedido da CAF, entre 02 de agosto e 31 de agosto de 2018.

A maioria dos entrevistados considera que o impacto das organizações sociais no Brasil é positivo para as comunidades locais, para o Brasil como um todo e em outros países. O fator ter mais dinheiro foi o mais citado pelos entrevistados como estímulo para as pessoas doarem mais tempo, bens ou dinheiro nos próximos 12 meses (57%).

Andrea Wolffenbuttel, diretora de comunicação do Idis, comenta que os dados se repetem e é motivo de orgulho ter um pouco da cultura da doação aqui no país: “Um pouco mais e um pouco menos da metade da população doa para as organizações pelo menos uma vez por ano. Isso é bem relevante, quando a gente começa a enxergar a cultura de doação aqui”.

A diretora ainda enfatiza dois ambientes: um em que as pessoas percebem sim o trabalho de impacto das organizações da sociedade civil e outro que elas desconfiam como o dinheiro está sendo implementado. “Temos que lembrar que esse nível de desconfiança é generalizado e envolve outros setores também, como as empresas privadas. Tem uma pesquisa chamada Edelman Trust Barometer 2018 (Barômetro da Confiança, em tradução livre), realizada pela Edelman, uma rede de comunicação, em que mostra a relação de confiança das pessoas com diversas instituições do mundo todo. Ela mostra o governo, a imprensa e até organizações sociais. E lá apresenta que no mundo todo há sim um grande nível de desconfiança. Trata-se de um contexto geral e mundial”, compartilha.

A comunicadora ainda atentou na pesquisa há um dado interessante sobre o engajamento. Mais da metade das pessoas participou de pelo menos uma atividade cívica: 41% assinaram uma petição, 19% participaram de uma manifestação, 18% participaram de uma consulta pública, 9% aderiram a um grupo de pressão ou movimento social, 5% aderiram a partido político. 40% não souberam responder. Os mais jovens, com idade entre 18 e 34 anos, representam o grupo etário com maior tendência a participar de uma manifestação nos últimos 12 meses com um quarto (24%) tendo respondido positivamente. Esses jovens também se mostraram mais dispostos a aderir a um grupo de pressão ou movimento social: 13% contra 7% dos acima de 45 anos de idade.

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“Apesar dessa desconfiança, a maioria das pessoas enxerga o trabalho das organizações sociais como algo positivo. Isso foi uma boa notícia. Não deve ser tão difícil reverter essa desconfiança”, sinaliza com otimismo Andrea, do Idis. (crédito da imagem: divulgação)

As causas preferidas são: 52% organizações religiosas, 38% com crianças e 31% ajuda aos pobres. E como as pessoas doam? 68% com dinheiro, 23% comprando um bilhete de rifa, 19% caixinha de doação em lojas/supermercados, 16% on-line via conta bancária/cartão de crédito, 12% via uma plataforma digital, 11% pelo telefone via conta bancária/cartão de crédito, entre outros.

O valor doado caiu 20%, de R$ 250 para R$ 200 (por ano). “Não reduziu o percentual de pessoas que doaram, muito provavelmente o valor total de doação”, alertou a comunicadora.

Andrea ainda atentou que um dos principais problemas das organizações sociais é trabalharem com pouco recursos e causas urgentes. “Quando ela tem recursos, o que ela irá aplicar? Melhorar o site dela para ficar legal e as pessoas entenderem o trabalho dela ou aplicar na causa? O coração do gestor costuma tender para a causa que eles atendem na organização, mesmo sendo uma medida imediatista”. Esse é um dos dilemas vivenciado por esses atores, como ela comentou.

Acesse a pesquisa aqui: https://goo.gl/q5YMEv

*Notícia atualizada no dia 06/03/2019.