Pesquisa Sem Parar: O trabalho e a vida das mulheres na pandemia

Realizada pela SOF Sempreviva Organização Feminista e pela Gênero e Número, o levantamento traz dados e relatos anônimos coletados com mais de 2.600 mulheres.

Capa da pesquisa Sem Parar: O trabalho e a vida das mulheres na pandemia com ilustrações de mulheres trabalhando serviços domésticos.
No site da pesquisa, está disponível as análises de dados, os artigos, entrevistas, uma reportagem e um relatório completo. (crédito da imagem: divulgação)

Impactos do contexto de isolamento social na crise da saúde para a vida das mulheres, considerando desigualdades de raça e área de residência, foi o eixo central da pesquisa Sem Parar: O trabalho e a vida das mulheres na pandemia. Produzido pela SOF Sempreviva Organização Feminista e pela Gênero e Número, o estudo também traz para o centro do debate o cuidado.

Essa organização do cuidado está estruturada especialmente na exploração do trabalho de mulheres negras e no trabalho não remunerado delas. 50% das mulheres brasileiras passaram a cuidar de alguém na pandemia.

Os eixos desse levantamento foram os efeitos da crise da saúde e do isolamento social sobre o trabalho, a renda das mulheres e a sustentação financeira, contemplando o trabalho doméstico e de cuidado realizado de forma não remunerado no interior dos domicílios.

Os resultados mostram que as dinâmicas de vida e de trabalho das mulheres se contrapõem ao discurso de que a economia não pode parar, mobilizado para se opor às recomendações de isolamento social. Os trabalhos necessários para a sustentabilidade da vida não pararam – não podem parar. Pelo contrário, foram intensificados na pandemia. A pesquisa indica como as desigualdades raciais e de renda marcam a vida e o trabalho das mulheres na crise do novo coronavírus, assim como a diversidade de experiências de mulheres rurais e urbanas.

72% afirmaram que aumentou a necessidade de monitoramento e companhia – Entre as mulheres responsáveis pelo cuidado de crianças, idosos ou pessoas com deficiência, quase ¾ fizeram essa afirmação. Essa é uma dimensão do cuidado muitas vezes invisibilizada, pois não se trata de uma atividade específica como é o auxílio na alimentação, por exemplo.

41% das mulheres que seguiram trabalhando durante a pandemia com manutenção de salários afirmaram trabalhar mais na quarentena. A maior parcela delas é branca, urbana, concluiu o nível superior e está na faixa dos 30 anos. Uma camada privilegiada, sem dúvida. Mas a crise sanitária sacudiu as estruturas em todas as casas de mulheres trabalhadoras. Entre as que responderam que estavam trabalhando mais do que antes da quarentena, 55% delas são brancas e 44% são negras. As relações entre trabalho e atividades domésticas se imbricaram, e se antes pagar por serviços era a solução possível, a pandemia mostra que solução será a não-divisão sexual do trabalho. Elas trabalham mais, porque as tarefas ainda não são distribuídas de forma equânime no ambiente doméstico.

Acesse aqui para conhecer o estudo na íntegra no site da SOF:
http://mulheresnapandemia.sof.org.br/