Pesquisa resume legados da pandemia na educação brasileira

Levantamento mostra que 51% dos responsáveis dizem participar mais da educação dos estudantes hoje do que antes da pandemia.

Banner com foto de duas meninas escrevendo em sala de aula e do lado esquerdo texto: 51% das famílias dizem particiar mais da educação dos estudantes na pandemia - mesmo com limitações e dividindo o tempo com trabalho e tarefas em casa, os responsáveis pelos alunos estão procurando apoio o aprendizado remoto. Fonte: Pesquisa Datafolha, outubro 2020.
42% falam que sentem falta da refeição que os estudantes faziam na escola, porque pesa no orçamento. A renda familiar diminuiu em 42%. (crédito da imagem: divulgação)

Pesquisa foi encomendada pela Fundação Lemann, Itaú Social e Imaginable Futures, realizada com 1.021 pais ou responsáveis de estudantes das redes públicas municipais e estaduais do país, e mostra os desafios da educação atual, como o aumento da desmotivação dos estudantes, que subiu de 46% em maio para 54% em setembro, e as dificuldades de estabelecer uma rotina de aprendizagem em casa, que passou de 58% em maio para 65% em setembro.

A consulta entrevistou crianças e adolescentes com idade entre 6 e 18 anos, no período de 16 de setembro a 2 de outubro.

71% valorizam mais o professor e 64% consideram que as aulas remotas são eficientes no aprendizado dos estudantes. Em setembro, 92% dos estudantes brasileiros receberam atividades para fazer em casa, contra 74% em maio deste ano.

O levantamento apontou que 54% das famílias têm em casa pessoas do grupo de risco para o coronavírus. Já 82% não tiveram contato com a Covid-19 e 18% foram contaminados pela doença. 44% estão em situação social de isolamento flexível e 36% têm vivido o isolamento de modo rigoroso.

Por fim, para 42% a falta da refeição que os estudantes faziam na escola pesa no orçamento. A renda familiar diminuiu em 42%. Já 38% recebem ou têm alguém em casa que recebe Bolsa Família, e 59% o auxílio emergencial.

O estudo é a quarta onda da pesquisa realizada com amostra de abrangência nacional, com objetivos de identificar se os estudantes dos ciclos fundamental e médio estão recebendo, acessando e realizando as atividades de aprendizado remoto durante a pandemia no Brasil; mapear as dificuldades enfrentadas pelos estudantes em relação ao acesso, rotinas e motivação; e identificar percepções dos responsáveis sobre a qualidade do apoio das escolas, evolução nos estudos, possibilidades de abandono, assim como os desafios no acompanhamento da rotina de aprendizagem em casa. As pesquisas anteriores foram realizadas nos meses de maio, junho e julho.

O estudo Educação não presencial na perspectiva dos estudantes e suas famílias apontou que 51% dos responsáveis consideram que estão participando mais da educação dos estudantes, no período da pandemia. Este índice sobe para 58% na região Sul e 57% no Centro-Oeste. Também aumenta para 58% entre os responsáveis com maior escolaridade, contra 47% entre os que têm nível fundamental. E 72% concordam com a afirmação de que estão com mais responsabilidade pela educação dos estudantes durante a pandemia, do que antes dela.

Outro efeito importante da pandemia para a educação é que a maioria (64%) também considera que as aulas não presenciais foram eficientes no aprendizado aos estudantes, enquanto 36% afirmam que não foram eficientes.

Confira aqui no site da Fundação Lemann mais informações da pesquisa: https://bit.ly/2J5h201