Pesquisa Públicos de Cultura traz dados para traçar o comportamento de consumo e produção cultural

ultnot-interna-publicosculturaAtividades em casa, de lazer e religiosas e visitas amigos e parentes são as principais respostas quando as pessoas são questionadas sobre o que fazem nas horas livres durante os finais de semana. Agora, se não tivessem que se preocupar com o tempo, dinheiro, ou permissão de alguém, as pessoas já afirmam que gostaria de viajar, ficar com a família, cuidar de si mesmo e descansar ou não fazer nada. Essas são as principais respostas de duas questões da Pesquisa Públicos de Cultura, realizada pelo Sesc e pela Fundação Perseu Abramo.

Lançada no início de abril, a pesquisa traz dados para conhecer os hábitos e gostos culturais dos brasileiros, os motivos que influenciam suas escolhas ou mesmo compreender as condições de acesso e as formas de usufruir a cultura.

Esta publicação pode interessar a produtores, gestores, pessoas envolvidas com as manifestações e expressões culturais. A ideia é mostrar tendências em universos comparáveis, para tentar compreender e agir diante do descompasso entre oferta crescente de atividades culturais frente à baixa frequência de públicos. Dessa forma, o estudo focou seu levantamento em áreas urbanizadas.

Quem são

Segundo a pesquisa, a maioria das pessoas declarou ser de cor branca ou parda, não está estudando e é composta por completarem o ensino médio, ou superior, seguida dos que possuem o ensino fundamental incompleto. A maior parte também trabalha, porém também é significativa a porcentagem de inativos – sendo que a maioria é formada por aposentados e pessoas donas de casa e desempregados, que são mais de quatro em cada 10 entrevistados estavam em uma dessas situações. Mais de sete em cada 10 pessoas pesquisadas atuam no ramo de serviços (45%) ou do comércio (29%).

A renda mensal domiciliar per capita de mais da metade dos entrevistados ficou em torno de R$ 290 e R$ 1.018,00. É importante ressaltar a proporção de pessoas que estão nos altos estratos médios (20%) e nos estratos altos (16%), sendo que a maior concentração populacional está no sul e sudeste do País.

Sobre a escolaridade, quase nove em cada 10 pessoas pesquisadas tiveram algum tipo de mobilidade geracional em relação ao perfil de escolaridade da família, sendo que a maioria (73%) é composta por pessoas que ascenderam e conquistaram maiores níveis de escolaridade que seus pais. A maior parcela é casada (54%) e é seguidora de alguma religião, com destaque para a católica (57%) e a evangélica (28%).

Cultura e gostos

É interessante pontuar que 89% nunca foram a um concerto de ópera ou música clássica em sala de espetáculo e 83% em qualquer outro local; 75% nunca foram a espetáculos de dança ou balé no teatro; 71% nunca estiveram em exposições de pintura, escultura e outras artes em museus ou outros locais e 70% nunca foram a uma exposição de fotografia. Além disso, outras atividades, como ver uma peça de teatro em qualquer local (61%), a uma peça no teatro (57%) e a um show de música em uma sala de espetáculo foram outras atividades, cuja maioria dos entrevistados afirmou nunca ter realizado.

A maioria dos entrevistados respondeu que já realizou as seguintes atividades: assistir a um filme em casa ou outro lugar diferente do cinema (91%), dançar em bailes e baladas (80%), ir ao cinema (78%) e ao circo (72%), ler um livro por prazer (69%), assistir a um show de música em casa ou outro local diferente de casas de espetáculos (69%) e a dia a bibliotecas (58%). A maior parte dos entrevistados realiza essas atividades com amigos e/ou com cônjuge/companheiro(a).

A primeira atividade cultural também foi questão da pesquisa. A maioria respondeu da seguinte forma: o circo (29%), o cinema (16%) e o teatro (11%). Esse contato ainda ocorreu na primeira infância, até no máximo 10 anos de idade, porém há uma porcentagem não desprezível de pessoas que realizaram essas atividades já na adolescência ou na fase adulta.

Em relação à produção de alguma atividade cultural, a proporção é pequena das pessoas que afirmam quer produzem alguma ação nesse segmento: cerca de 15% cantam e 13% dançam, individualmente ou em grupo; 10% tocam algum instrumento, 7% fazem fotografias, 5% fazem algum tipo de pintura, escultura ou desenho e somente 4% fazem algum tipo de escrita criativa ou compõem músicas.

Já entre os gostos, muitos responderam gostar de observar os principais elementos culturais e artísticos da cidade, tais como parques (89%), arquitetura em geral (73%), luzes artísticas e decorativas (70%), monumentos e estátuas (68%), propaganda e publicidade (54%) e grafites/murais (49%). Sobre os gêneros de teatro, o preferido, com grande distância, é a comédia, bem como os principais tipos de apresentação que gostam de ver são o circo, as comédias stand up e os teatros de bonecos. É importante ressaltar que 26% dos entrevistados afirmam que não gostam de exposições artísticas e outros 26% que não sabem ou nunca foram a uma.

A maior parte das pessoas (58%) não leu nenhum livro nos últimos seis meses e os que leram possuem uma média de apenas 1,2 livros lidos nesse período. O segundo tipo de livro lido mais citado, depois de romance, foi a Bíblia. No que concerne à TV, 62% afirmam assistir apenas aos canais abertos e 28% tanto a TV aberta quanto a por assinatura. Os principais produtos culturais vistos na TV são as novelas (54%), filmes (52%) e os jornais de notícias (44%). Entre os filmes prediletos, estão os de aventura (39%), comédia (38%) e romance (29%), com preferência pelo cinema americano (45%) e menos pelo nacional (33%). Cerca de 65% das pessoas vêem filmes nacionais de vez em quando, enquanto 22% sempre e 14% disseram nunca assistí-los.

Serviço:

Confira a pesquisa na íntegra aqui.

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