Pesquisa mostra o que os jovens pensam da escola e como gostariam que ela fosse

14445109_1191178110902911_8563994352278303829_oA escola é peça fundamental na construção do caráter de um ser humano. É ela quem ajuda o indivíduo a entender e formar sua visão sobre o mundo. Mas será que ela está apta a proporcionar tudo isso e lidar com o potencial de quem a frequenta? Pensando em responder essa questão e discutir melhorias na qualidade do ensino brasileiro, o Porvir, iniciativa de comunicação e mobilização social que mapeia e compartilha referências sobre inovações educacionais, lançou em 22 de setembro, a pesquisa Nossa Escola em (Re)Construção em debate no Facebook.

A partir de um método de escuta, foi feita uma consultoria por todo o Brasil para ouvir do jovem qual é o modelo de escola que ele deseja, e trazer à tona uma reflexão sobre a sua atuação dentro desse espaço. O questionário abordou temas como o uso da tecnologia dentro e fora da sala de aula, postura dos professores e organização curricular.

Para uma melhor organização, o processo de formulação e implementação da pesquisa foi dividido em quatro etapas. Foram elas: oficina com o conselho orientador, com grupo de atuação, elaboração do questionário e trabalho de campo.

14355041_1192337247453664_4458173400014865151_nO conselho orientador era composto por grupo de nove profissionais com experiência em processos de escuta sobre educação. O grupo de atuação por 25 adolescentes e jovens, de 13 a 21 anos, de diferentes perfis e regiões do país. A elaboração e trabalho de campo ficaram por conta da Porvir, Rede Conhecimento Social – organização sem fins lucrativos que promove a construção participativa de conhecimento, além do conselho orientador e grupo de atuação. Ao todo, foram coletadas 132.000 respostas.

Além disso, foi lançado um vídeo com depoimentos de quatro estudantes sobre como é a escola dos sonhos deles. O material está disponível no Youtube.

O resultado ilustra que o sistema de educação precisa ser repensado. Não são os adultos que dizem isso, e sim os secundaristas. Ninguém melhor do que eles para mostrar o que há de positivo e negativo em algo que faz parte do seu cotidiano.

Somente um a cada dez alunos está satisfeito com o material pedagógico utilizado dentro da sua escola. Oito em cada dez acredita que falta comunicação entre o aluno e os diretores, coordenadores e professores. Cinco de dez diz que a estrutura deixa a desejar.

Os pedidos são simples e giram em torno de alguns pontos principais: debates, diálogo, ambientes mais acolhedores e respeito. “Não tem como gostar da escola se dentro dela o aluno não pode ser ele mesmo”, disse o jovem Rodrigo, recém-formado no ensino médio e um dos entrevistados.

Os estudantes foram críticos ao responder as perguntas. Em contrapartida, 70% dos mesmos tem um vínculo de afeto com o ambiente escolar. Encontrar os amigos e conversar com alguns funcionários foram as justificativas dadas sobre o índice altíssimo.

Quando questionado sobre a ocupação das escolas estaduais (2015), Rodrigo, que participava do debate ao vivo, disse: “nós ocupamos as escolas porque gostamos dela e queremos ver mudanças. Se nós não gostássemos, não teríamos feito nada”.

Os alunos explicam que sentem vontade de contar para os professores suas experiências fora da escola. Grades, portões altos e janelas trancadas incomodam e, de acordo com os jovens, remetem à uma espécie de prisão.

Outro ponto levantado foi que as aulas ensinam coisas muito distantes de suas realidades. A importância de ouvir a comunidade, quais são suas necessidades e como a escola pode ajuda-la, também é uma preocupação.

Ao final da transmissão, internautas puderam enviar perguntas. Uma dúvida muito frequente era com relação à biblioteca, o que pensam dela e se ela faz parte da formação do aluno. A resposta dos três participantes do debate foi a mesma: sim, as bibliotecas são um espaço híbrido de formação. Disseram que a leitura é essencial, mas a evolução também, portanto é importante inovar a dinâmica de funcionamento desse ambiente.

Rodrigo terminou dizendo que todos os lugares, de uma forma diferente, podem ser considerados ambientes de aprendizado, por isso não se deve ficar preso em salas de aula.


Serviço: A gravação está disponível no Facebook do Porvir e o relatório no site: http://porvir.org/nossaescola/


Data original da publicação: 03/10/2016
Texto original: Gabriela Lira Bertolo

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