Pesquisa mostra maior carga mental das mulheres

No Dia Internacional da Mulher (08/03), organização lança estudo para mostrar dados de igualdade de gênero, violência contra a mulher e aprendizados.

Ilustração com rostos de mulheres de diferentes etnias capa co estudo: Viver em São Paulo - Mulher.
Apenas tirar o lixo e fazer a manutenção da casa são as tarefas apontadas como realizadas majoritariamente pelos homens – 58% e 78% respectivamente. (crédito da imagem: divulgação)

As mulheres executam, planejam e organizam, tomam decisões sobre as tarefas do dia a dia, como cuidados médicos dos filhos, o que será preparado nas refeições, quando e como deve ser feita a limpeza da casa, cuidado diário com os filhos, horários dos filhos na escola e em outros compromissos, lista de compras no dia a dia, cuidados médicos com idosos ou outros adultos, quando e como lavar a louça, cuidados com os animais domésticos, organização da casa e tirar o lixo de casa, e o que precisa de manutenção na casa. Essas são atividades da lista longa de muitas mulheres retratadas na quarta edição da pesquisa Viver em São Paulo – Mulher, realizada pela Rede Nossa São Paulo e pelo IPEC – Inteligência em Pesquisa e Consultoria, empresa originada do IBOPE Inteligência.

Lançado ontem (Dia Internacional da Mulher), o levantamento reúne dados sobre a percepção da população paulistana acerca de questões como violência de gênero, divisão de tarefas, entre outras.

As entrevistas foram feitas on-line entre 05 de dezembro de 2020 e 04 de janeiro de 2021, com 800 pessoas consultadas. Houve um recorte especial de 425 entrevistas com respondentes de 16 anos ou mais do sexo feminino que participam da pesquisa Viver em São Paulo completa. 54% mulheres e 46% homens. A estrutura da pesquisa está organizada em igualdade de gênero, violência contra a mulher e aprendizados.

Em todas as situações questionadas, as mulheres apresentam patamar de concordância superior ao dos homens, reforçando a percepção de que a carga mental delas é elevada. Por exemplo, 70% das mulheres falaram que são responsáveis por fazer com que as coisas aconteçam no dia a dia da minha casa, 67% afirmaram que todos os dias tem em mente uma lista muito grande de afazeres domésticos e relacionados com a família e 63% delas concordaram que se sentem sobrecarregadas com todas as tarefas que tem para realizar no dia a dia.

Elas sentem medo com frequência de serem vítimas de algum tipo de violência nos espaços públicos. Já os homens se preocupam mais com roubo e furto.

Entre os dados da violência de gênero, para 83% da população paulistana, o assédio sexual e a violência contra a mulher aumentaram. As mulheres têm mais medo dos diferentes tipos de violência que podem sofrer em espaços públicos do que os homens: 72% das mulheres têm medo de roubo, enquanto 54% dos homens afirmam o mesmo. As mulheres também têm mais medo de assédio sexual (59%), estupro (60%) do que os homens (15% e 14% respectivamente).

Para paulistanas e paulistanos, aumentar as penas contra crimes de violência contra a mulheres segue como a ação prioritária para combater a violência doméstica e familiar, sendo apontada por 53%. Enquanto 42% mencionam como medida prioritária ampliar serviços de proteção a mulheres em situação de violência em todas as regiões da cidade e 36% apontam criar novas leis de proteção à mulher.

Transporte público segue sendo apontado como o local no qual as paulistanas acreditam correr mais risco de assédio (52%); seguido de rua, com 20% das menções. Relacionado com essa questão, 47% das mulheres afirmam já ter sofrido assédio no transporte público. Ainda, 36% dizem ter passado por alguma “abordagem desrespeitosa”; 31% sofreram assédio dentro do ambiente de trabalho; e 19% dentro do ambiente familiar.

Aplicativos de celular são apontados como o meio em que as mulheres se sentiriam mais à vontade para denunciar assédio ou violência, sendo citado por 40% das paulistanas. Telefone em centrais de atendimentos são mencionados por 19%.

A pesquisa está disponível no site da Rede Nossa São Paulo: https://bit.ly/2PI2neh