Pesquisa mostra como crianças e adolescentes avaliam a qualidade de vida na cidade de São Paulo

13869Jovens e crianças falam o que observam e como avaliam diferentes equipamentos públicos de saúde, da cultura, da educação e de outras áreas. Entender como vivem esse público na cidade de São Paulo é um dos principais objetivos da pesquisa inédita do Indicadores de Referência de Bem-Estar no Município (IRBEM) Criança e Adolescente, com apoio e parceria do Instituto Alana e do Instituto C&A, lançado ontem pela manhã, no auditório do Sesc Consolação, no centro de São Paulo.

O estudo foi idealizado há dois anos pelo grupo de trabalho criança e adolescente da Rede Nossa São Paulo, integrado pelas seguintes organizações: UNICEF, Instituto Paulo Montenegro, Visão Mundial, Instituto Alana, SESC, Viração Educomunicação, Instituto C&A e IBOPE Inteligência. A ideia é ampliar a importância dos temas da infância e adolescência na cidade e, neste sentido, desenvolver uma versão do IRBEM específica para ouvir esse público, que possui idade entre 10 e 17 anos, sobre a qualidade de vida na cidade e impactar nas políticas públicas municipais.

13868
Ranieri Pontes comentou que a pesquisa é a realização de sonho de dois anos

Desde 2010 a organização desenvolve a pesquisa IRBEM, que possui o objetivo de coletar um conjunto de indicadores para a sociedade, governos, empresas e instituições conheçam as condições e os modos de vida dos cidadãos, para que as ações públicas e privadas foquem o bem estar as pessoas.

Foram feitas 805 entrevistas, entre 13 e 30 de junho deste ano, no município de São Paulo foram consultadas crianças e jovens das seguintes regiões: centro (105), norte (104), leste 1 (105), leste 2 (133), sul 1 (105), sul 2 (147) e oeste (106).

Márcia Cavallari, do Ibope Inteligência, apresentou os principais dados. O público consultado é formado por 52% do sexo masculino e 48% feminino, com faixa etária de: 45% de 15 a 17 anos, 33% de 12 a 14 anos e 21% de 10 a 11 anos. A renda familiar dos entrevistados foram: até dois salários mínimos 57%, entre dois e cinco 22%, 7% com mais de cinco e não responderam 14%. A maioria é da classe C1 (37%), seguido B2 (29%) e C2 (22%). Sobre o grau de instrução, 35% do ensino médio, 34% do 8 e 9º ano e 31% até o sétimo ano.

Entre os entrevistados, 92% têm acesso postos de saúde, UBS, AMAs, 87% a espaços de lazer, como quadras ou campos de futebol ou praças ou postas de skate ou parquinhos, 71% a hospital/pronto-socorro e 35% tem acesso a cinema. 71% dos consultados usam transporte público e 76% usam a internet no telefone celular/Iphone/smartphone, 52% no computador em casa, 11% no tablet/Ipad e 1% no vídeo game.

Foram 13 áreas e 53 aspectos para traçar um diagnóstico sobre a qualidade de vida das crianças e adolescentes na cidade de São Paulo. No ranking de satisfação geral com as áreas relacionadas sobre a qualidade de vida no município de São Paulo, apareceram: primeiro acesso à internet com 7,9, depois educação com 7,3, em seguida relações humanas com 7,1, moradia/habitação 6,8, e por último, segurança e proteção, 5,1.

13867
Jovens questionam gestores públicos e pedem internet livre em espaços públicos da periferia

Na área de educação, se destacou o conhecimento dos seus professores sobre as coisas que eles te ensinam (8,0), em segundo a ajuda de familiares ou pessoas que cuidam de você na hora de estudar e de fazer as lições de casa (7,8) e as condições que você tem para estudar em casa (7,7). A média geral dessa área é de 7,3.

Na questão de relações humanas, os itens mais bem pontuados foram: a relação que tem com a sua família, as pessoas que cuidam de você (8,6), a relação que você tem com os seus amigos e colegas na escola (8,3) e a relação que você tem com os seus amigos e colegas no dia a dia (8,2). A média geral da área ficou com nota 7,1.

Na questão da moradia/habitação, a satisfação média está com 6,8. O item que recebeu nota maior foi para as condições da casa onde você vive (8,0). Em segundo, ficou a distribuição de água na sua casa (6,8) e, por último, a oportunidade de todas as pessoas terem um lugar para morar (5,5).

A pesquisa ainda apresenta os aspectos considerados de maior nível de satisfação: relações humanas – a relação que você tem com a sua família, as pessoas que cuidam de você (8,6), relações humanas – a relação que você tem com os seus amigos e colegas na escola (8,3), relações humanas – a relação que você tem com os seus amigos e colegas no dia a dia (8,2) e educação – o conhecimento dos seus professores sobre as coisas que eles te ensinam (8,0).

Entre os aspectos com menor nível de satisfação, se destacaram: relações humanas – o modo como as pessoas se relacionam na cidade (5,4); relações humanas – o respeito às pessoas de diferentes cores, religiões, culturas e povos (5,4); transporte/trânsito/mobilidade – o respeito aos pedestres (5,1) e aparência e estética – a conservação das ruas, calçadas, praças e parques da cidade (4,8). O Índice de Bem Estar da cidade de São Paulo ficou em 6,2, de acordo com a opinião das crianças e adolescentes.

Também foram questionados sobre as sensações de inseguranças na capital paulista: assalto/roubo liderou com 61%, depois violência em geral 56%, tráfico de drogas com 33%, sair à noite com 21%.

Outro item importante durante o levantamento foi sobre as atividades feitas durante a semana, fora do horário escolar, as diferenças de gênero ficam expressivas, já que para as meninas, a primeira atividade é ajudar nos serviços de casa (29%), seguida por assistir TV/DVD (26%). Os meninos responderam: jogar bola (38%) e assistir TV/DVD (14%).

Ranieri Pontes, pedagogo e gestor de organizações do terceiro setor e militante da área de direitos da criança e adolescente e integrante do grupo de trabalho da Rede Nossa São Paulo, pontuou que esse tema não é transversal, já que 2,3 milhões de cidadãos paulistanos possuem menos de 19 anos. Ele ainda comentou que a pesquisa é um sonho de aproximadamente dois anos.

13866
Todos se posicionaram contra a redução da maioridade penal

Jovens questionadores

Três jovens, o secretário Municipal de Direitos Humanos e Cidadania, Eduardo Suplicy, e Ana Estela Haddad, primeira da cidade de São Paulo, responderam questões avaliadas na pesquisa. Um dos jovens ressaltou sobre a falta de espaços culturais e casas de cultura nos bairros mais periféricos.

Distribuição de wifi em praças públicas em diferentes bairros, proibição de uso de telefones nas salas de aula, plataformas de tecnologia no processo educativo e redução da maioridade pena foram outros pontos debatidos. Todos se posicionaram contra a redução da maioria penal e criticaram o processo de votação na Câmara dos Deputados no início deste mês como um retrocesso no movimento de defesa dos direitos humanos. Para Ana Haddad, atualmente temos uma geração mobile considerável e o professor precisa assumir o papel de mediador e dialogar com essas tecnologias. “É necessário sim capacitar os professores não temerem tanto o uso a tecnologia no dia a dia”.

Serviço:

Acesse aqui a pesquisa: http://goo.gl/qc21fa
Site da Nossa São Paulo: http://www.nossasaopaulo.org.br/


Texto original: Susana Sarmiento

Data original da publicação: