Pesquisa Doação Brasil traz número e quanto os brasileiros doam, o que pensam, e também as pessoas que não são doadoras

1480077% da população brasileira faz algum tipo de doação ou de trabalho voluntário e 52% doam dinheiro. Esses são alguns dos principais dados da pesquisa Doação Brasil, lançado na manhã de ontem (15 de junho), no auditório da Oxigênio Aceleradora daPorto Seguro, no centro de São Paulo. Iniciativa coordenada pelo IDIS, em parceria com um grupo de especialistas e atores da área da cultura de doação do Brasil. Foi encomendada ao Instituto Gallup.

“O Brasil tem uma carência de dados. E o uso de dados tem relação com conhecimento, inteligência, e contribui para um exercício de transformação. É interessante também continuarmos esse conhecimento com uma série histórica, porque é bem importante ver esses resultados concretos”, afirmou Marcelo Furtado, diretor do Instituto Arapyaú.

Segundo Paula Fabiani, diretora-presidente do IDIS, a pesquisa é voltada para conhecer hábitos e pensamentos da população brasileira sobre doação para buscar a criaçã

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Paula Fabiani, do IDIs, apresentou os principais dados da pesquisa

o de uma campanha por uma cultura de doação. Entre os objetivos, estão: conhecer a população brasileira sobre filantropia; qual sua atitude e como se comportar com relação a doações para organizações sociais; identificar os fatores facilitador e as principais barreiras, que impedem um volume maior de doadores e doações; chegar a uma estimativa/volume de recursos financeiros doador anualmente.

A pesquisa foi feita em duas etapas: etapa 1 qualitativa, em outubro de 2015, com 10 grupos focais com oito participantes em Recife, São Paulo e Porto alegre; na etapa quantitativa foi março e abril deste ano, com 2230 contatos, sendo 2002 entrevistas completas e fizeram parte do estudo.

No quesito perfil doador em dinheiro, 50% da população do Nordeste doam e 46% da população do Sudeste. Na questão de gênero, mulher doa mais com 49%.

O perfil clássico do brasileiro doador de dinheiro, bens ou tempo: mulher, acima de 40 anos de idade, vive na região Centro Oeste, Nordeste ou Norte, tem instrução superior, possui renda individual superior a dois salários mínimos, e está satisfeita com a própria renda e tem religião. Já aquele que não doa, seu perfil clássico consiste em: homem, ter idade entre 18 e 29 anos, mora na região Sul, com baixa escolaridade, renda individual abaixo de dois salários mínimos, não possui religião e está insatisfeito com a própria renda.

Os representantes das organizações apoiadoras deram sua opinião sobre a contribuição dessa pesquisa
Os representantes das organizações apoiadoras deram sua opinião sobre a contribuição dessa pesquisa

Entre as motivações, os entrevistados responderam por que fazem doações espontaneamente assim: porque me solidarizo com os mais necessitados (49%), porque sou sensível à causa que ajudo (19%) e comodidade/praticidade/mais seguro (11%). Agora quando a pergunta questiona as motivações para não doar, as respostas principais foram: não tenho dinheiro (35%), por opção não existe uma razão (19%), não confio nas organizações que pedem (18%), nenhuma causa me sensibilizou (5%).

As principais causas das doações foram: saúde (40%), criança (36%), combate à forme e pobreza (29%) e idoso (21%). E como os doadores escolhem causa para a qual doar? 88% concordam que são cuidadosos ao decidir a doação. E quando questionados se os doadores estão satisfeitos com sua doação, 85% responderam que estão satisfeitos com a sua doação. qual o valor que cada um doa por ano? As doações ficam na faixa de R$ 20 a R$ 40 por mês, ou seja, R$ 240 a R$ 480 por ano.

Com a sala lotada, a pesquisa interessou diferentes organizações sociais e empreendedores
Com a sala lotada, a pesquisa interessou diferentes organizações sociais e empreendedores

No ano de 2015, as doações individuais dos brasileiros totalizaram R$ 13,7 bilhões, que corresponde a 0,23% do PIB do país.

Do grupo dos não doadores, foi questionado se fizeram alguma doação nos últimos cinco anos: 65% responderam que não e 35% sim. Quando a pergunta é porque você parou de doar dinheiro, as principais respostas foram: 43% não tenho dinheiro, 17% não confio nas organizações que pedem e 7% ninguém me pediu. E por que não doam para aqueles que doaram nada desde 2010: 35% responderam que não tem dinheiro; 19% por opção, não existe uma razão; 18% não confio nas organizações que pedem e 5% nenhuma causa me sensibilizou.

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Os responsáveis pelo estudo reveleram que haverá desdobramentos

Para animar o cenário, 40% falaram que podem mudar de postura dentro do grupo dos não doadores. E o que faria para mudar? As principais respostas foram: ter mais dinheiro, confiar em uma organização e sensibilizar com uma causa. Esses são os três principais fatores que poderiam levar um não doador a doar dinheiro.


Serviço:

Confira a pesquisa aqui na íntegra: http://idis.org.br/pesquisadoacaobrasil/


Imagens: Divulgação e Willian Alves
Data original de publicação: 16/06/2016