Pesquisa analisa impactos dos processos de seleção de diretores no desempenho dos alunos

No fim do ano passado, a Fundação Itaú Social e a Universidade de São Paulo (USP) realizaram a pesquisa Avaliação do Impacto do Processo de Seleção de Diretores nas Escolas Públicas Brasileiras. O objetivo era detectar se a educação dos alunos do ensino fundamental 1 e 2 pode sofrer alterações de acordo com cada procedimento.

Segundo a gerente de Educação da Fundação Itaú Social, Patricia Mota Guedes, essa figura é de fato quem mais influencia a aprendizagem depois do professor. Daí a escolha por avaliar os processos de seleção, ainda que não sejam os únicos fatores que pesem no desempenho dos alunos, e sim o perfil do profissional. “Assim, vemos três principais características que estão sistematicamente relacionadas com isso: a permanência no cargo na mesma escola pelo período de 5 a 15 anos; a formação continuada de seus docentes; e formação de magistério”, diz a especialista.

Foram analisadas as seguintes modalidades de contratação: seleção (concurso); eleição apenas; seleção com eleição; indicação feita por técnicos das secretarias de educação; indicação feita por políticos; e outras formas de indicação. As duas primeiras foram consideradas mais capazes de distinguir o perfil ideal.

20160202_infografico_selecao_diretores_560x1040
“Vimos que o crucial mesmo é a garantia de critérios eficazes para a escolha de boas lideranças escolares. A transparência também permite a avaliação do próprio processo”, afirma Patricia, completando que, dessa maneira, a sociedade pode acompanhar quais são os requisitos.

Curiosamente, a estabilidade proporcionada por concursos públicos não foi marcada como fator determinante na qualidade do aprendizado. A gestora explicou que isso se dá pois essa segurança não necessariamente implica que o gestor tenha as características consideradas ideais. A situação pode, inclusive, dificultar a saída daqueles que não se enquadram.

É preciso ainda refletir se há atrativos para pessoas capazes e motivadas na rede pública de ensino. Para Patrícia, o plano de carreira deve contemplar a complexidade da função, bem como a remuneração. “Além de incentivos financeiros, é fundamental que haja também outras estratégias, como formação continuada, que inclua apoio prático no dia a dia da escola, por exemplo”, comenta ela, ressaltando ainda a importância do reconhecimento. “Diretores excelentes podem ajuda a melhorar a qualidade da gestão nas outras escolas”, finaliza.


Serviço:

Leia a pesquisa completa em: http://goo.gl/xHgySc


Texto: Natália Freitas
Infográfico: Divulgação
Data original de publicação: 05/02/2016