Para Jackson Katse, os homens precisam ser treinados para coibir a violência contra a mulher

Crédito da imagem: divulgação

“Os homens estão flutuando, um erro”, observou Jackson Katse, educador, autor, cineasta e teórico cultural reconhecido internacionalmente por ser ativista em questões de gênero e violência, no final da terceira edição do Fórum Fale Sem Medo, promovido pelo Instituto Avon, na tarde da última quinta-feira (03 de dezembro), na Vila Leopoldina, na zona oeste de São Paulo. O encontrou apresentou dados sobre a Pesquisa Violência contra a mulher no ambiente universitário e a fala de Jackson fechou o encontro.

Conhecido por uma palestra no TED, Jackson falou sobre Violência contra Mulheres é um Problema dos Homens. Para ele, essa situação de gênero envolve uma mudança de paradigma. Ele ainda defende que a violência doméstica tem abuso no relacionamento e costuma condenar como problema da mulher. “Entendo que são problemas das mulheres e estão se transformando. Esse movimento de homens está aceitando e indo para um mundo masculino”, afirmou Jaskson que compartilhou que esse movimento tem muita dívida com as mulheres.

O educador foi um dos fundadores do programa Mentores para Prevenção da Violência (MVP, na sigla em inglês), do Centro para o Estudo do Esporte na Sociedade, da Northeastern University, que é um programa multirracial e multigênero, um dos mais duradouros e influentes projetos de prevenção de abusos sexuais e de relacionamento em escolas secundárias, universidades e no meio esportivo e militar nos Estados Unidos e em outros países. Ele ficou conhecido por introduzir a abordagem do espectador no campo da prevenção da violência de gênero. Em 1997, criou e dirigiu o primeiro programa mundial de prevenção da violência de gênero na história do Corpo de Fuzileiros Navais dos Estados Unidos. Seus colegas têm se envolvido profundamente no desenvolvimento e implementação de treinamentos abrangentes de intervenção do espectador na Força Aérea e na Marinha dos Estados Unidos.

O palestrante ainda comentou que uma criança traumatizada por situações de violência pode se tornar um adulto violento, por exemplo. “São pessoas que foram crianças traumatizadas… Que possuem a sensação de alguém ter tirado algo delas”, observou.
Jackson comentou ainda que nos Estados Unidos 57% dos tiroteios têm conexão com a violência doméstica. “Você vê como isso impacta, falando dessa perseguição privada e pública”, analisou. E ainda defendeu: “Não há paz nas ruas, se não tiver paz nas famílias, e em suas casas”.

Ainda ressaltou a importância de questionar as meninas e as mulheres que passam por situação de violência e a frequência desses casos. Ele defende que há sim uma violência dos homens contra as mulheres. “As mulheres ainda não conseguem dizer e ficam décadas com a sensação de culpa. Elas precisam ser ouvidas”. Para combater isso, ele sugere a necessidade de um treinamento aos homens. “Elas estão falando algo muito importante e os homens não estão sendo responsabilizados. É necessário um programa de liderança, estratégias pedagógicas”, defendeu.

Jackson citou um caso de violência de gênero, em que um grupo de jovens oficiais das Forças Armadas da Austrália publicou vídeos com comentários violentos a oficiais mulheres. O general chefe fez um vídeo em que se retratou em nome desse grupo e ainda reforçou que a organização é totalmente contra esses comentários.

Após a exibição desse depoimento do general, Jackson explicou o programa voltado a atletas para contribuir com a redução da violência contra a mulher trabalhando na formação de homens. Para ele, é muito importante trabalhar nas atividades de prevenção, porque atua na redução dos riscos. “Temos que tentar apoiar essa situação e tentar posicionar contra situação de violência. Ter uma sensibilidade de ativista social, não só no momento de ataque, mas para vocês pensarem nisso. Se você não interromper, você faz parte do problema”, pontuou.

O palestrante defendeu lideranças masculinas que defendessem e coibissem a violência doméstica e sexual das mulheres e do papel fundamental que a mídia possui para esclarecer cada vez mais pessoas sobre como reduzir esses casos. Ainda ressaltou que é importante observar como os jovens aprendem a ser homens e como seus comportamentos são moldados, que são bem impactados por imagens. Após essa reflexão, Jackson mostrou um vídeo sobre a força masculina, como tem crescido a valorização da imagem física do homem forte e musculoso, além de serem endurecidos e sem mostrar seus sentimentos.

Em seu vídeo no TED, ele fala e defende que a violência contra a mulher é uma doença do homem. “Precisamos de mais homens com mais coragem e atitude para falar sobre isso… e ficar ao lado das mulheres. Homens que agridem outros homens também ensinam esse homem a agredir outras mulheres”, afirmou. Contou ainda que em seu projeto criaram uma abordagem do espectador para gerar a prevenção da violência, ao invés de enxergarem os homens como agressores e as mulheres como vítimas, ou ao contrário. Chamar todos de espectadores, que não sejam vítimas nem agressores. E convida o homem que conhece um homem agressor a questionar esse ator violento. A ideia é criar uma cultura de parceria que ele defende a quebra do silêncio pelo próprio homem. Para isso, é necessário um treinamento de liderança contra a violência sexual e doméstica. “É preciso encorajar os homens para quebrar com essa pressão, mas eles precisam romper com o silêncio e contestar uns aos outros a favor das mulheres, e não contra elas”.

Jackson é conhecido e premiado por seus vídeos educacionais: Tough Guise e Tough Guise 2, sua destacada participação nos filmes Wrestling With Manhood, Spin The Bottle, Miss Representation e The Mask You Live In, bem como suas diversas palestras nos Estados Unidos e no exterior.

Site do Instituto Avon: http://www.institutoavon.org.br/instituto-avon/home
Assista o vídeo de Jackson Katse: https://goo.gl/A5oG1N


Data original de publicação: 08/12/2015