Para captar recursos, é essencial planejar, segundo especialista

A palestra do eixo de gestão, liderança e estratégica explica sobre o perfil de consultoria e fornecedores que a organização precisa optar para captação de recursos.

Banner do Festival ABCR e texto à direita: 20 anos Ousar para Avançar - 29 e 30 de junho.
Tributação, combate à lavagem de dinheiro e impactos da Covid-19 no terceiro setor foram temas desta edição. (crédito da imagem: divulgação)

Como escolher o profissional certo para desenvolver a área de captação de recursos da ONG em que atua? Há um perfil ideal para atender as demandas dessa área? Como equilibrar equipe interna e fornecedores para conseguir bons resultados? Para responder essas dúvidas frequentes em muitas organizações da sociedade civil, o Festival ABCR 2020 promoveu na manhã do primeiro dia a palestra: Qual perfil de consultoria e fornecedores sua organização precisa? Participaram: Débora Borges, gerente de relacionamento com a sociedade do Fundo Brasil de Direitos Humanos e especialista em Marketing Intelligence (Nova IMS, Lisboa) e em Gestão de Comunicação e Marketing (ECA/USP); e Isabel Pato, coordenadora de projetos do Instituto Jatobás e mestre em Ciências Sociais e graduada em Relações Internacionais pela PUC-SP.

Nos dias 29 e 30 de junho, a Associação Brasileira de Captadores de Recursos (ABCR) promoveu a 12ª edição do Festival ABCR com o tema Ousar para Avançar. Foram mais de 150 palestrantes nacionais e internacionais para participar de 90 sessões paralelas, sete plenárias e três masterclasses. O formato foi totalmente digital. Esta edição celebra ainda 20 anos de trajetória da ABCR.

Desde 2015, o Fundo Brasil de Direitos Humanos passou por diferentes formatos e durante a palestra compartilhou aprendizados para consolidar uma área de captação de recursos bem estruturada e com bons resultados.

Débora enfatiza a importância da governança dentro das organizações e todos os integrantes estejam envolvidos no trabalho da área de captação de recursos. Caso não tenha uma liderança forte, bem provável não dar certo os projetos dessa área. Ela traça dois cenários: 1) consultoria – estratégia e execução, com menor investimento em equipe interna, mas não acumula conhecimentos e perda de autonomia na estratégia; 2) duas funcionárias e várias fornecedores: controle total dos processos, aprendizado profundo, memória, dificuldade de coordenar ações e especificações de trabalho complexas.

A palestrante dividiu com o público sua experiência entre os anos de 2015 e 2017 com captação de indivíduos. Ano de 2018 classificou como bem desafiante, porém conseguiu resultados melhores e redução de custos. Houve uma formação melhor que anterior, mas não conseguiram ampliar base de doadores – ela indicou essa parte como uma das mais difíceis.

A gerente de relacionamento com a sociedade do Fundo Brasil pontua que a consultoria de posse da estratégia e performance permite menos pessoas na captação, mas não possuía controle nem autonomia para desenhar estratégias, porque não tinham conhecimento suficiente. Após essa perda, viram que precisa estar tudo dentro da organização e controle total do processo. “Fizemos escola viva de captação de recursos dentro do Fundo Brasil.

Hoje temos o legado e temos trajetória dentro da organização. Dificuldades na gestão, faz e refaz com outras equipes e coordenando ações que na verdade não era da nossa experiência”, conta e ainda avisa que o profissional de captação não necessariamente tem que agir como uma agência.

Depois dessa experiência, a organização elaborou seu próprio plano de captação e contratou uma avaliação com consultoria externa. Essa consultoria avaliou prós e contra e um plano de captação para os próximos anos, todas essas informações foram levadas para o conselho da organização e foi aprovado.

Débora ainda conta que o Fundo Brasil possui três frentes de captação nacional com combinação de formatos: equipe dedicada para área de atuação (quatro pessoas); fornecedores de sistemas e serviços (CRM, telemarketing e agência de mídia digital); e consultoria para trabalhos específicos e pontuais (avaliação e planejamento, prospecção de doadores de alta renda e relacionamento com celebridades e imprensa). “Acionamos agora para a pandemia para o Fundo Emergencial e reunimos mais de 19 celebridades. Deve expandir esse trabalho para ser mais consistente, ainda está em desenho”.

Isabel ressaltou a importância para o processo de captação de recursos: planejamento. “Escutando aqui a experiência dela, ela sempre tinha um planejamento, um caminho como ponto de partida. Sempre aberto a mudanças. Uma coisa que gostaria de pontuar: começar a olhar para dentro da instituição e ver quais são os desafios institucionais e depois ir para fora. O plano de coordenador ações com investimentos existentes é necessário também”.

A coordenadora de projetos do Instituto Jatobás ainda comenta sobre mensurar quais os recursos que a instituição tem necessário e não só olhar ponto de vista de financiamento. Também chama atenção para a construção da rede de relacionamento com o propósito da sua organização. Por isso, é importante estar presente nos espaços, como Gife e Ethos.

E como escolher consultores e financiadores? Débora responde e defende três pontos: ter uma proposta consistente com cronograma e entregas, conhecer na prática o trabalho já realizado pela proponente e conversar com pessoas que já contrataram; e escolher alguém que acredite na sua causa e de preferência já tenha experiência no campo em que sua organização atua.

“Não há um modelo ideal. O importante é ter um planejamento que corresponda com o contexto das organizações. Pensar na capacitação de execução da organização para refletir o formato possível, considerando algum investimento para colher resultados a médio e longo prazo”, sinaliza Isabel.

Acesse aqui: https://festivalabcr.org.br/