Palestrantes falam sobre práticas de ensino híbrido no Transformar 2015

 

Crédito Luciana Serra

Um vive com a dinâmica de mobilidade da Amazônia e a outra vive um município do Estado de São Paulo. Diferentes regiões do Brasil, porém preocupados com o ensino hídrido (combinação do aprendizado on-line com off-line) e as ferramentas tecnológicas. Com o tema Tecnologia/EnsinoHídrido, do Transformar – A Educação está em Evolução, realizado pela Fundação Lemann, Inspirare/Porvir e Instituto Península e apoio da Futura, na terça-feira passada, em 25 de agosto, no Espaço Vila dos Ipês, na Vila Leopoldina, zona oeste de São Paulo.

Os palestrantes foram: José Augusto de Melo, secretário executivo adjunto de gestão da Secretaria de Estado de Educação do Amazonas (Seduc/AM); Izabel de Souza, professora efetiva da Rede municipal de Ensino de Ferraz de Vasconcelos (SP); e mediação de Adolfo Tanzi, pesquisador visitante na University of Oxford e consultor da Fundação Lemann.

O Transformar abordou currículo e interdisciplinaridade, competências para a vida no século 21, ensino híbrido, fabricação digital e cultura maker, formação de professores, avaliação, certificação, conectividade e empreendedorismo em educação. O evento foi destinado para gestores públicos, educadores, investidores, empreendedores, lideranças sociais e outros interessados em inovações educacionais.

Nesta edição, ainda ofereceu uma edição do Fab Learn, evento sobre fabricação em educação, cultura “maker” e aprendizado mão na massa, promovido pela Universidade de Stanford em parceria com o Programaê. Clique aqui para saber sobre esse espaço: http://goo.gl/1UbXza

Direto da Amazônia, José Augusto compartilhou as dificuldades de instalar banda larga nas escolas das comunidades rurais. Mostrou ao público a imagem de um mapa da região das escolas e como as pessoas dependiam de transporte fluvial nas atividades diárias. “E como atingir  mil escolas em 13 mil comunidades rurais? Não há estrada, nem fibra ótica, nem infraestrutura que consiga alcançar, por causa das águas turvas do Rio Negro”, comentou. A saída foi a internet de satélite. Dessa forma, a Seduc/AM investiu em três frentes: vídeo conferência, internet e comunicação por satélite.

O mestre em educação ainda comentou que há falta de professores para atender essa região. “Sempre é interessante questionar aonde estão concentrados esses profissionais e para onde vão”. Foram desenvolvidos sete estúdios de vídeo conferência para a produção dessas aulas. A escola recebe essas aulas e funciona como uma TV interativa, em que possibilita interatividade com os estudantes por meio de um sistema de banda larga.

Com essa plataforma, a ideia é contribuir com o processo de aprendizagem e há uma formação dos professores para esse tipo de linguagem, já que não recebem durante a graduação. Essas aulas funcionam tanto on-line quanto off-line.

Segundo o secretário adjunto, o programa já atingiu mais de 300 mil alunos no Amazonas e possui mais de 20 mil horas de aulas gravadas. Essas formações são para o ensino fundamental II e Ensino de Jovens e Adultos (EJA) e envolve 2200 professores, sendo que 10% são indígenas para atender a demanda local de diferentes povos com línguas diferentes.

Do lado de SP

Da região do Alto Tietê e a 27 km da capital paulista, Ferraz Vasconcelos foi outro case da palestra. A professora efetiva na rede municipal de ensino de lá, Izabel Soares de Souza, compartilhou com o público o uso da plataforma Khan Academy, que usa desde abril do ano passado, os avanços do processo de aprendizagem com seus alunos e as dificuldades. Essa ação foi desenvolvida após parceria da Secretaria de Educação do Município de Ferraz Vasconcelos com a Fundação Lemann para o ensino fundamental I.

A Khan Academy é uma plataforma que oferece exercícios, vídeos de instrução e um painel de aprendizado personalizado que habilita os estudantes a aprender no seu próprio ritmo dentro e fora da sala de aula. São atividades de matemática, ciência, programação de computadores, história, história da arte, economia e muito mais. A ideia é guiar os estudantes do jardim de infância até o cálculo, usando tecnologias adaptativas de ponta que identificam os pontos fortes e lacunas no aprendizado. Conta com parcerias das seguintes instituições: a NASA, o Museu de Arte Moderna, a Academia de Ciências da Califórnia e o MIT.

A professora comentou que toda semana tem relatório de aprendizagem sobre a plataforma e até competição entre os alunos, que ficam interessados em cada vez mais acumularem pontos de acordo com os exercícios que fazem no dia a dia. Eles aprendem a matemática jogando. “Vejo que eles estão vencendo as dificuldades com matemática”, afirmou. Os alunos ainda influenciam seus pais a voltarem para a matemática usando a plataforma e até melhoraram sua performance com a internet. “Houve uma melhora nas notas e no processo de aprendizagem, que contribui com o professor na sala de aula. Acredito que o próximo passo será avaliar o aluno dentro da plataforma”.

Para mostrar o impacto nos alunos, Maria Laura Silva Feitosa, de 11 anos, explicou que é divertido aprender brincando: “É bacana ver que você vai acertando os problemas de matemática e a bola vai subindo”, contou. Ela ainda contou que, depois de manusear bem, a plataforma ensinou sua prima a também usar a ferramenta. “É um movimento diferente, você não fica sentada e ouvindo a explicação”, disse.

A adolescente ainda ressaltou que a plataforma deu a oportunidade dela rever conteúdos de séries anteriores. “Aconteceu de forma natural os pais serem parceiros. Com o tempo, essa colaboração entre escola e família foi fortalecendo”, observou a professora.
Para ajudar outras crianças, adolescentes e jovens usarem a Khan Academy para resolver os problemas de matemática, Maria Laura gravou um vídeo e postou no Youtube para explicar como fazer o cadastro e como são as atividades da Khan: https://www.youtube.com/watch?v=HDX3bAFp158


 

Acesse o site do evento aqui: http://transformareducacao.org.br/
Confira cobertura da equipe do Porvir: http://porvir.org/
Khan Academy: https://pt.khanacademy.org

Confira cobertura completa feita pelo Portal Setor3:

Gerente do Programa Ceibal, do Urugai, explica desafios e avanços com a iniciativa de inclusão digital

Criador do projeto FabLab@School valoriza a importância de espaços makers no processo de aprendizagem

Grupos de mentoria podem ser uma saída aos professores para inovação em formatos de aulas, segundo CEO da Bloomboard

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Data original de publicação: 01/09/2015