Palestra sobre economia sustentável aborda alimentação saudável e veganismo

No último dia cinco de abril, no Campus São Paulo, aconteceu o evento O Poder Da Colaboração. O encontro promoveu debates sobre economia colaborativa, projetos sociais e sustentabilidade.

Sob a mediação de Izabela Ceccato, das 15h às 19h, sete palestrantes apresentaram suas iniciativas. Entre eles, Debora Di Benedetti e Samuel Gonzalez, do Comida Sustentável, um negócio que prepara e revende refeições veganas, saudáveis e por um preço acessível, fundado a partir da experimentação de uma vida cotidiana sadia dos idealizadores. Ambos moram em uma comunidade urbana na capital paulista.

Denise iniciou sua fala um pouco de como surgiu a ideia de trabalhar na área de gastronomia. “Eu não sou cozinheira nem jamais fiz um curso de culinária. O projeto surgiu de uma vontade muito profunda de ganhar o meu sustento a partir de algo que eu acreditasse. Não é fácil, eu confesso que levei uma década para chegar nesse profissional que, para mim, fizesse sentido”, disse.

Revelou que entre 25 e 26 anos era uma pessoa muito sonhadora. Queria um trabalho estável, sucesso e reconhecimento. Casamento e filhos, talvez. Atuando em algumas corporações, percebeu que era difícil ser mais humano e justo dentro daquele ambiente. “Isso foi me frustrando muito. Chegou, então, uma hora, que eu entrei em depressão profunda que me durou cerca de cinco anos”, contou. E acrescenta: “Comecei a perceber que o que me incomodava, incomodava também outras pessoas. Muitas pensavam igual a mim e isso fez com que eu entrasse num profundo processo de autoconhecimento”.

Pontuou que ao longo do processo de autoconhecimento foi abandonando aos poucos o ideal que tinha sobre carreira. Percebeu, além disso, que tinha vontade de morar em comunidade. “Me mudei, então para uma vila na região de Perdizes, próximo ao Pacaembu. Moramos em oito: eu, o Samuel, alguns colegas e duas crianças”. A história da comida surge neste momento, quando Denise tenta, através de materiais em audiovisual produzidos por ela, ilustrar tudo aquilo que a incomodava.

Conheceu, então, o movimento MudaSP, de agroecologia. “Percebi que todo esse sistema que nos destrói diariamente está ligado a falta de consciência com relação ao planeta que vivemos”. Começou a pensar como poderia fazer algo que mudasse de verdade a vida das pessoas. “Foi assistindo uma série de filmes que eu comecei a pensar em criar o Comida Sustentável”. Uma das obras que mais a inspirou foi Home (2011), que aborda questões de sustentabilidade e traz imagens reais da terra vista de cima, nas quais é possível identificar as áreas desmatadas e terras improdutivas por conta do uso de agrotóxicos e produção de carne. “Tudo o que a gente consome está ligado a uma indústria fomentada por nós mesmos”, disse ela.

Contou que começou a se questionar se essa lógica industrial estaria correta. “Cheguei a conclusão de que comer é um ato político muito forte. Nós fazemos isso cinco vezes por dia – alimento é o que mais consumimos no mundo. Eu precisava mudar a mim mesma primeiro, e foi o que eu fiz. Depois entrei na busca por um trabalho que pudesse ser alinhado”.

“Eu estava cozinhando em um dia comum e pensei que seria bacana trabalhar na área. Valorizaria, inclusive, o trabalho do produtor, pois eu compro direto dele. É vegana por questões planetárias e é importante que as pessoas pensem nisso. Por que não vender?”. Esse foi o pontapé inicial. Foi a partir de um post no Facebook anunciando a proposta que os pedidos começaram a chegar e não pararam mais. Disse, também, que a ajuda do irmão, que também atua com gastronomia, foi essencial para que ela continuasse.

Passou a fala para Samuel, que em poucos minutos abordou a questão sustentável dentro do Comida Sustentável. Começou dizendo que a palavra fluxo define o que é o projeto. “Nosso negócio começou pequeno, com pouco dinheiro. Nós precisamos de pouco, e sempre temos companheiro que nos ajudam”. O foco principal, de acordo com ele, não é enriquecer com o a iniciativa, mas sim, espalhar a ideia da colaboração e consumo consciente para as pessoas. “Queremos que as pessoas reflitam sobre como cuidar da natureza através da alimentação”.

Contou, também, que para eles a sustentabilidade é dividida em três ciclos: humano, que fala sobre a importância de apoiar e auxiliar quem está por perto; econômico, para que todos possam ter acesso aos itens de necessidade básica; por fim, não menos importante, a colaboração. “Gostamos desse contato com as pessoas. Da integração, entender o que ela precisa”.

O Comida Sustentável tem uma página no Facebook que pode ser vista em: https://goo.gl/REjIaS. Para saber mais sobre o evento O Poder Da Colaboração, acesse: https://goo.gl/1xndC3


Data de publicação: 12/04/2017
Crédito de texto: Gabriela Lira Bertolo